segunda-feira, 11 de maio de 2026

O Ventor, o Gnomo e os Suevos

| Ventor 13.07.20

Encontro no Muranho

Um dia, muitos anos para trás, caminhava eu pelas minhas Montanhas Lindas dirigindo-me à Pedrada, o monte mais alto da serra de Soajo. Aquele  monte que muitos identificam como Outeiro Maior.

Estava muito calor e a aragem, na prática, não existia. Saí de Adrão, em passo estugado, dirigi-me serra acima, bebi água na fonte da Naia e continuei até à nascente do Muranho. Aí reparei que da terra brotava  pouca água. Limpei a nascente com um esgaravato de urze, e ao verificar que a água já saía limpa, cortei uns raminhos de urze e umas folhas de fetos e coloquei-os sobre a água que brotava da terra a fazer de filtro. A sede era muita e bebi  bastante água.

A nascente do Muranho. Aqui nasce, para mim, a melhor água do mundo

Eu tinha almoçado uma feijoada (ir à terra em pleno verão, quem gosta de feijoada não perdoa) e, não tendo nada para fazer, pensei subir à Pedrada, apesar do calor. Porém, como não havia quase aragem nenhuma e a velocidade imprimida à caminhada, depois de beber toda aquela água no Muranho, saí das urzes que envolvem a nascente e, no topo do poulo, havia uma bela sombra proporcionada pelas urzes bem ramificadas.

Ora! Vou à Pedrada mais logo, quando estiver mais fresco. Deitei-me no poulo na frescura da sombra e adormeci.

Algum tempo depois de pegar no sono, comecei a sonhar!

Estava virado para os cortelhos do Muranho e, durante o sonho, vi um gnomo sentado sobre o cortelho maior, o nosso palácio. Começou a acenar com o braço a chamar-me que me queria falar sobre a história da minha gente. Esse gnomo estava sentado no topo do cortelho e vestia-se parecido com o Guilherme Tell com um chapéu verde enfeitado com penachos na cabeça mas uma figura minorca. Chamava-me com o braço para me juntar a ele mas eu não queria saber, queria era dormir. No entanto perguntei-lhe: “quem és tu, pá”? «Eu sou um suevo”!

“Então! E que tenho eu a ver com isso”? «Tu? Tu também és descendente de suevos»! “Pois! Está bem! Mas que tenho eu a ver com isso”?

Diz o gnomo já um pouco exaltado: «não tens nada a ver com isso. A não ser, seres descendente de suevos»!

«Andas a estudar a história da tua gente mas, por muito que estudes, nunca saberás o que sofreram com a chegada  dos romanos, a gente que habitava estes montes. Tu só te deves preocupar com a nossa chegada porque és um descendente nosso. Mas eu posso contar-te o que os romanos fizeram antes de nós cá chegarmos».

«Vou começar como tu gostavas de ouvir quando eras pequeno. Era assim que começavam todas as histórias. Era uma vez ....

O Poulo do Muranho e os seus cortelhos. No centro, uma rainha da montanha

Era uma vez, muitos anos atrás, que vários povos habitavam a Península Ibérica. Mas eu também não sei tudo Ventor! Não sei tudo porque este mundo é muito confuso! Não sei, por exemplo, quem foram os primeiros povos que habitaram a Península Ibérica. Todos sabemos que, dos primeiros mais conhecidos, estavam os celtas e os ibéricos mas já cá haviam outras gentes. Não vale a pena falar deles porque a sua expressão histórica é insignificante. Quanto aos celtas e iberos sim, já têm expressão. Os celtas ocupavam a Europa Ocidental e, quanto aos ibéricos, poderão ter vindo da Ibéria, um reino que existiu para os lados dos Cárpatos. Mas passemos por cima disso. A junção desses povos deu origem aos celtibéricos. Depois chegaram os gregos e os fenícios que abriram feitorias, chamemos-lhe assim e, mais ou menos, conviveram pacificamente com os povos que ocupavam a Península. Com o tempo a colónia fenícia de Cartago começou a abotoar-se com os centros fenícios da península porque estavam instalados no norte de África e o acesso à península tornou-se mais célere. Como sabes, Cartago era uma colónia Fenícia.

Com o tempo, os romanos e os cartagineses entraram em confronto devido à tentação de, entre outros assuntos, tentarem dominar o mar Mediterrâneo. Após várias guerras, as chamadas guerras púnicas, foram os romanos que saíram vencedores e passaram a dominar o Mediterrâneo, a que chamaram «Mar Nostrum».

Entretanto, os romanos apoderaram-se de tudo o que era cartaginês e, como tinham mais olhos que barriga, foram-se apoderando de toda a Península mas levaram cerca de 200 anos para a conquistar. Foi obra! Aplicaram nessa conquista os seus melhores generais, cônsules e até o imperador Augusto teve de cá vir porque entendeu que a coisa estava cada vez mais preta.

Mas houve uma fase que interviu na Península Ibérica um general Cônsul chamado Bruto ... qualquer coisa Bruto. Um tal que foi avô de outro Bruto, o tal que deu a última facada a Julius César no senado romano.

Quando esse Bruto apareceu, seguiu rumo até Olisipo (a Lisboa de hoje) e de Lisboa dirigiu-se para norte. De Lisboa até a actual Braga, ele destruiu e matou tudo o que encontrava pelo caminho. Chegado a Braga travou várias escaramuças com tribos locais, entre elas os Brácaros. Era um povo muito aguerrido e as próprias mulheres lutavam ao lado dos maridos porque preferiam morrer a combater os romanos do que serem escravas deles.

Os galegos, mais a norte, preparavam-se para vir em socorro dos seus vizinhos brácaros e outros e esse tal Bruto, depois de derrotar os brácaros, dirigiu-se para norte para dar luta aos galegos. É aí que entra a história do rio Lete, o actual rio Lima que tu gostarias de saber ao certo. Quando Bruto e os seus homens chegaram ao rio Lete, estes recusaram-se a atravessa-lo. Disseram que era o rio do esquecimento que havia no inferno e não iriam para o outro lado onde perderiam a memória. Bruto atravessou o rio calmamente e os seus homens ficaram na margem esquerda. Depois de chegar à margem direita, no lado norte, Bruto começou a chamar os seus homens pelos seus nomes e eles, verificando que o seu comandante não perdeu a memória, afoitaram-se a atravessar o rio também.

Olha bem para este mapa Ventor e não te esqueças do que te vou contar sobre ele

Assim, Ventor, não precisas de investigar mais de onde partiu Brutus para atravessar o rio Lete. Não, não foi de León ou outra qualquer regiões da Espanha. Foi de Braga! Atravessado o rio seguiram rumo à Galiza onde enfrentaram a ajuda que se ia dirigir para sul auxiliar os brácaros e os romanos derrotaram uma força de 60.000 homens que os galegos tinham juntado. Juntado, digo bem, porque esses 60.000 homens não tinham nada a ver com as legiões romanas. Era apenas um aglomerado de homens que se juntaram para dar luta aos romanos que odiavam mas não tinham organização militar. As gentes da península, como lusitanos e outros lutaram que nem heróis mas faltava-lhe a organização das coortes romanas.

Assim, esse tal Bruto, acabou por conquistar a Galiza, a Galécia romana, tomando esse Cônsul romano, todo pimpão, o nome de Galaico por esse motivo. Já agora é melhor ficares a saber o seu nome completo, Chamava-se Décimo Júnio Bruto e, claro, o Galaico.

Mesmo assim, a Península ainda não estava conquistada. As hostes indígenas usavam a técnica do bate-foge que tu conheces bem e faziam a vida negra aos romanos, constantemente. Eram os homens dos castros. Havia bastantes pela península fora, especialmente no norte de Portugal e Galiza.

Um dia que voltes cá, Ventor, eu falar-te-ei do meu povo, afinal do teu, os Suevos. Viemos das zonas germânicas empurrados por outros e construimos um reino que vigorou cerca de 150 anos por estas terras maravilhosas e com a capital em Braga. Pelo menos os romanos também tiveram o que mereceram».

Entretanto acordei procurando com os olhos esse hominho mal enjorcado que já não estava em lado nenhum, nem nos cortelhos nem no poulo. Acordei e fiquei sozinho!

Sendo verdade o que ele me contou, o Bruto, terá atravessado o rio Lima em direcção aos meus lados, pela zona da Pedrada. Até porque muitos dos seus legionários, segundo o gnomo, teriam visto o mar pela primeira vez nas costas do Minho, onde ficaram embasbacados com a beleza que o meu amigo Apolo lhes proporcionou ao deitar-se nos lençóis de Neptuno.

Mas quem festeja a travessia do rio Lima pelo Décimo Júnio Bruto são os galegos de Xinzo numa tal «festa do esquecimento».

Santa Sofia, em Istambul

 | Ventor 01.07.20

Vou tentar resumir aqui o essencial do edifício de Santa Sofia, em Istambul, mandada construir pelo imperador do oriente, justiniano I, essa obra prima da arquitectura (onde dizem que trabalharam cerca de 10.000 pessoas) e, durante muitos séculos, foi catedral, mesquita e hoje é um museu graças à intervenção revolucionária do primeiro presidente da República da Turquia, Kemal Ataturk.

Santa Sofia, em Istambul, vista do lado do estreito de Bósforos

A basílica de Santa Sofia ou Hagia Sofia foi construída entre 532 e 537 D.C. pelo Império Bizantino para ser a catedral da então Constantinopla, hoje Istambul, na parte europeia da Turquia. A igreja de Santa Sofia, cumpriu a sua função de catedral entre 537 e 1453, altura em que os muçulmanos conquistaram Constantinopla e a transformaram em mesquita. Aqui temos de fazer uma excepção de 57 anos, entre 1204 e 1261, quando foi convertida em catedral católica romana durante o Patriarcado Latino de Constantinopla, quando a capital imperial foi saqueada pela Quarta Cruzada.

Após a conquista de Constantinopla pelos turcos seldjúcidas, em 1453, comandados pelo sultão Maomed II, o Conquistador, a catedral de Santa Sofia foi transformada em mesquita até 1931, quando foi secularizada por Ataturk, tendo reaberto como um museu em 1935. Esta igreja, na sua construção foi dedicada ao Logos, Deus Filho na Santíssima Trindade (credo calcedoniano) - a segunda pessoa.

Sofia, em grego, significa sabedoria e o seu nome completo é: "Igreja da Santa Sabedoria de Deus". Também dizem os especialistas que Santa Sofia foi durante cerca de 1.000 anos a maior catedral do mundo, até aparecer a catedral de Sevilha em 1520. Hoje está em quarto lugar, depois da Basílica de S. Pedro, no Vaticano, da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil e da catedral de Sevilha.

Igreja de Santa Sofia vista por trás

A igreja de Santa Sofia foi a terceira igreja a ocupar o mesmo local. As anteriores foram destruídas por revoltas civis. Esta igreja foi projectada por Isidoro de Mileto (médico) e Antêmio de Trates (matemático e foi centro da igreja ortodoxa por quase mil anos. Foi ali que se deu o Grande Cisma do Oriente, quando o Cardeal Humberto, em 1054, excomungou o patriarca Miguel I Carulírio e ainda hoje continua.

Mahoemed II mandou remover os sinos, o altar, a iconóstase e os vasos sagrados e mandou cobrir com gesso alguns dos mosaicos que só vieram a ser restaurados entre 1931 e 1935. O mirabe, o mimbar e os quatro minaretes foram construidos durante o período muçulmano.

Este belo monumento conhecido, ainda hoje, como igreja de Santa Sofia, apesar de ser um museu, tem sido recuperado pela Unesco que tem feito a sua manutenção. Santa Sofia serviu por cerca de 500 anos como modelo de algumas mesquitas muçulmanas.

Talvez volte a dizer mais qualquer coisa, por aqui, sobre Santa Sofia, esta bela amiga do Ventor.

O Mar Salgado

| Pilantras 23.05.20

Houve alguém que choramingou o mar salgado.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Disse-me o Ventor que foi o Fernando Pessoa. Foi mesmo! Mas se as nossas lágrimas, conseguiram salgar o mar, apesar dos mares por onde andamos, serem muito maiores, há ainda um mar mais salgado. Tem carradas de sal e nem os peixes lá ficaram. Depois de ler algumas coisas, concluí que os judeus choraram tanto ... mais que nós?

As lágrimas das gentes de Israel, devem ter ficado quase todas pelo mar Morto. Agora me recordo que o Quico tinha algo por aqui sobre os mares. Ele dizia que foram os portugueses que descobriram novos mares, tornearam a África, brincaram às escondidas com os muçulmanos da África Oriental e com os índios, mas os da Índia! Passearam-se pelas costas brasileiras ... se nessa altura houvesse no Brasil um Bolsonaro, aposto que teria recebido os portugueses com um buço, ... nah, como é que se chama? Uma máscara, como a que o Ventor usa. Limitar-se-ia a dizer que era para não morder aqueles portadores de vírus todos armadilhados.

Mas voltando ao mar Morto. Esse é que é mesmo morto. Se calhar afogou em lágrimas.

Mar da Galileia, o de cima

Então, cá temos um mapa do mar da Galileia (aquele onde Cristo e os seus apóstolos pescavam, lembram-se?) e cá mais em baixo o mar Morto. Como é evidente têm o nome de mares mas não passam de uns laguinhos. Uns laguinhos que tinham como objectivo ir espreitar os oceanos por baixo mas tiveram de desistir. Apesar de tudo nunca mais lá chegam!

O mar Morto, segundo especialistas, daqueles que eu costumo chamar "experts" começou a ser monitorizado em 1930 e tinha, então, um comprimento de 80 km por 18 km de largura e cerca de 1000 km2. Actualmente tem cerca de 50 pelos mesmos 18 km e cerca de 600Km2. Israel e a Jordânia estão a pensar levar água do mar Vermelho para o mar Morto mas é necessário ter em conta as complicações ambientais.

Este "mar" encontra-se metido num deserto rochoso, com rochas cheias de sais e é banhado por costas jordanas, israelitas e da Cisjordânia. Ali só resistem algumas arquibactéria e algas. Peixe que se atreva a descer o rio Jordão e entrar no mar morto, morre imediatamente. O sal das suas águas é 10 vezes superior aos outros mares.

Já ouvimos falar dos manuscritos do mar Morto, centenas de textos completos ou não levados a cabo por judeus que, noutros tempos, viveram em cavernas viradas para o mar Morto ou na cidade de Qumran.

Ruínas da cidade de Qumran 

Como devem imaginar, não será um simples gato que vos vai falar de tudo relacionado com o mar Morto, mas pode fazer umas faíscas para iniciarem a procura. Também não vou falar aqui dos manuscritos do mar Morto pois, que eu saiba, ainda não foram traduzidos para linguagem de gato. Mas fico a pensar nos tubos "pipe-lines" de água que matarão a sede ao mar Morto.

Taj Mahal - Amor de Pedra Feito

 | Ventor 22.05.20

Uma das 7 Maravilhas!

Hoje vou falar aqui de campainhas que tocam, que fazem trim-trim, no meu cérebro.

Há palavras que, quando ouvidas, soam como o trim-trim de uma campainha. Por exemplo: Ormuz ou, se preferirem, o Estreito de Ormuz..

?

Mapa do Estreito de Ormuz, tirado da Wikipédia

Desde criança que Ormuz é, na minha cabeça, algo de especial. Esta palavra faz referência ao nosso antigo "Império das Índias". Com Ormuz, acompanhando Ormuz, tenho muitas outras, como Cochim, Bombaim, Calcutá, Goa e sei lá quantas mais! Outra palavra que tem uma sonoridade especial e que não tem referência como um nome histórico, é cambraia! Cambraia, vejam lá! Ela faz parte da nossa globalização.

Mas vou voltar a Ormuz. Ormuz é aquele famoso estreito que dá acesso ao Golfo Pérsico, mas para mim, essa palavra é um fenómeno total. Portugal, um país pequeno já foi tão grande, já travou tantas batalhas por esse mundo fora e pode também mostrar a sua grandeza pelas batalhas travadas pelo controlo de Ormuz.

Por pouco ou muito tempo, nós já fomos senhores do Estreito de Ormuz! E imaginem só que, nessa altura, ninguém ligava ao petróleo. Calculem como seria, na época, se nós lutássemos por Ormuz, por causa do petróleo, se travássemos essa luta por uma estratégia que visasse o domínio dos poços do petróleo, ou das rotas do petróleo. Seria espectacular!

Mas não. A nossa luta era uma luta de fèzadas! Tínhamos a fèzada de dominar a rota das especiarias, terminar com os trilhos das caravanas que atravessavam os desertos, via Samarcanda e rebentar com o domínio Otomano! No fundo, no fundo, a nossa guerra era pela fé e pelas especiarias. Derrotando o domínio Otomano e dos seus aliados, no Estreito de Ormuz, nós mostrávamos aos Otomanos que tínhamos um ou vários desígnios. Acabar com a corrida das sandálias pelos caminhos de Samarcanda, estarmos frente aos inimigos de séculos, no seu seio, quer no domínio religioso, quer no domínio económico, quer no domínio estratégico. Isto tudo para bem da fé cristã, para bem de Portugal, para bem da Europa e também, mesmo que não pensássemos nisso, pela globalização!

Conseguimos fazer o chá entrar na Corte de sua majestade Britânica com outra celeridade e sem a necessidade da intermediação directa ou indirecta dos otomanos. Depois foi o diabo. Tudo por causa de uma coroa! Os inimigos de Espanha passaram a ser os inimigos de Portugal. Os inimigos europeus de Espanha e portanto de Portugal, aliaram-se, pelos lados da Índia, aos inimigos de Portugal, aos persas, aos otomanos, a príncipes, a "rajahs" ... talvez fresquinhos! Mas tudo acabou.



Hoje somos pacíficos! Não temos estratégias para os estreitos de Ormuz, de Malaca, de Adem, ou outros e, na prática, não temos inimigos. Mostramos ao mundo que continuamos a ser Portugal. Tentámos seguir as Nações Unidas a impor a sua paz podre por esse mundo fora e vejam lá, até anunciamos ao mundo quais são as suas belezas!

Para já eu vou pegar numa dessas belezas que vai passar a ser uma campainha mais acentuada, uma vez que ela já o era..


Taj Mahal, em Accra, India

Quando decorria a escolha para as novas 7 Maravilhas do Mundo, eu pensava em várias Maravilhas que existem nos domínios estratégicos que dominam e cercam o Estreito de Ormuz. Caminhava pelo Decão, em sonhos, e topava com aquela beleza burilada de pedra de mármore branco a que um dia, um amigo meu, chamou «Amor de Pedra Feito"! Uma obra edificada em nome do amor e pelo amor.

É também em nome do amor que eu dedico este post ao Estreito de Ormuz caminhando pelo Taj Mahal. Se dependesse de mim, faria tudo para que as civilizações, ocidental e oriental, transformassem o Estreito de Ormuz, no Estreito do Amor! E votava nele como uma das futuras belezas naturais da Humanidade!


Mumtaz Mahalit a esposa do imperador Shah Jahan

Agora falando do Mausoléu, Taj Mahal, pois é de um Mausoléu que se trata, como uma das 7 Maravilhas do Mundo, para os menos atentos, é bom relembrar que fica lá para o Norte da Índia, na cidade de Agra e que a sua construção foi levada a cabo por uma força operária de cerca de 22.000 homens que vieram de várias cidade orientais trabalhar neste soberbo monumento.

Foi o Imperador Shah Jahan que o mandou construir em memória da sua esposa favorita, Aryumand Bonu Begam, a quem chamava a Mumtaz Mahal, a «Jóia do Palácio». Ela morreu a dar à luz o seu 14º filho! Por isso, pelo amor que lhe tinha e pela sua morte precoce, Shah Jalan, mandou construir o Taj Mahal como o seu Mausoléu sobre o seu túmulo, junto ao rio Iamuna (o 2º rio sagrado dos índios, depois do rio Ganges, e que dá de beber a mais de 50 milhões de indianos).

O Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. O Taj Mahal foi incrustado com pedras semi-preciosas como o lápis-lazúli, entre outras. A sua cúpula foi costurada com fios de ouro. O seu corpo principal é constituído por duas mesquitas e quatro minaretes e podemos considera-lo uma obra fabulosa, lindíssima e digna de ser dignificada como uma das 7 Maravilhas do nosso Mundo.

Diz-se que Shah Jahan terá pretendido fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original, na margem oposta do rio Iamuna, todo em mármore preto, mas esta obra ter-se-á gorado devido a ter sido deposto por um dos seus filhos, antes das obras serem iniciadas.

Apesar de tão grande opulência, o Taj Mahal é, na verdade, um gigantesco Mausoléu e não um palácio como normalmente se julga. Conta a lenda que, depois de terminados os trabalhos, os artesãos tiveram as suas mãos decepadas para impedir que pudessem fazer alguma reprodução. A ser verdade, isto será uma grande nódoa na beleza do Taj Mahal!

Mas relembremos que as belezas do mundo foram levadas a cabo porque o homem sonha e como devem calcular, sonhar não é pecado. Imaginem que o Shah Jahan levava a cabo o seu sonho de construir uma réplica de pedra mármore preta, no lado oposto do rio? Bem, se olharem com olhos de ver a grandiosidade do Taj Mahal branco de um lado do rio e outro Taj Mahal preto, na outra margem, imaginem o espectáculo que seria observar aquelas duas obras, integradas como se fossem uma só a abraçar o rio Iamuna. O rio Iamuna passa por trás do Taj Mahal. Dá para imaginar?

A Torre de Babel


O Ventor falou-me da Torre de Babel. Disse-me que o Senhor da Esfera, tramou a malta que sobreviveu ao dilúvio, com o tempo, formou vários grupos e que entenderam chegar ao céu mas não sabia como. Por isso, construíram um zigurate (torre) muito alto, tanto quanto puderam e iam colocando sempre mais tijolos e mais, e mais, e ... mais!

Torre de Babel

Essa malta falava toda a mesma língua e entendiam-se muito bem. Mas o Senhor da Esfera achou-os parvos e decidiu trama-los. «Com que então querem chegar muito alto, não é? Querem vir até mim»!? O Senhor da Esfera achou que arranjaria uma maneira de chatear aquela gente e parecia ao Ventor que Ele já estava arrependido de ter ordenado ao Noé, para construir a barcaça. Arranjou maneira de eles não se entenderem. Começaram a mandar vir uns com os outros e houve um que, como não os entendia e verificou que também não o entendiam, disse aos seus homens para mandarem a torre às malvas e saíssem dali. Cada grupo foi à sua vida e, preferencialmente, para longe da torre.

Por causa da mania da construção da Torre de Babel, ainda hoje o Ventor anda chateado. Ele levantou-se e quando estava a comer o pequeno almoço ligou o ipad, como sempre faz, para ouvir as notícias na TV. Todos sabem tudo sobre o Covid-19 mas, ao fim e ao cabo, ninguém sabe nada. São russos, são americanos, são chineses, são alemães, ingleses, japonesas, portugueses e por aí fora. Vê lá Pilantras que, diz-me o Ventor, até os cães da vizinhança falam sobre o Covid-19!

Diz que está farto de tanta teoria na perseguição a esse malvado vírus. Ele desligou o ipad e disse: "dêem-me uma fisga decente e eu mato esse gajo com uma só pedra (não preciso do meu arco)"! Se a fisga entra cá em casa estou lixado. Só espero que ele não a vire contra mim. Já não se pode falar do Covid-19 ao pé dele.

Isto está a ficar mau! Ainda ontem estava um cão no meio da avenida a dizer para outro: «morde o gajo, pá"! «Qual gajo»? "Essa coisinha minúscula que está a passar por ti". O outro que não via coisinha nenhuma, disse: «estou feito contigo, até pareces o meu dono. Já vê o vírus em todo lado»! Chiça!!!