quinta-feira, 30 de janeiro de 2003

Ventor na Mesopotâmia II

Continua o encontro entre Ventor e Marduk

Após um belo sono no regaço de Diana, eis o despertar, através do Bit Galáctico de Marduk. Barulhento como sempre, gritava:

"Ventor! Ventor! Ventor"!

«Sim, Marduk»!

"Estou a chegar! Neste momento passo junto a Vénus e já vejo o olhar luminoso de Diana e, sob um chorão verde, a ponta do teu arco, encostado ao tronco. Encontramo-nos junto às ruínas de Hur".

«Junto às ruínas de Hur»?

"Sim! Afinal tudo isso é a minha terra e minha gente. Gostava de saber que é que tu pretendes, Ventor"!

O Ventor já pelos cabelos, por tanto ouvir Marduk gritar através de milénios, deixou ali Diana, junto ao Eufrates e saltou para o seu cavalo e atirou a Marduk com a mudança dos tempos.

«Os tempos são outros, Marduk! A Terra actual já não tem nada a ver com aqueles tempos em que tu te assenhoraste de Babilónia É disso que vamos falar».

Assim o carro estelar de Marduk se aproximava das ruínas de Hur, como uma estrela cadente, assim o cavalo branco alado do Ventor, de olhos cintilantes, quais diamantes reflectores dos raios de Apolo, iluminavam toda a região e, as suas ruínas antigas, como Hur, Babilónia, Ninive e outras terras que a história não deixará morrer. Estes velhos contendores, de eras passadas, recordam batalhas ganhas e batalhas perdidas.

Junto às ruínas de Hur, já protegido dos raios vigilantes de Apolo, Ventor e o seu cavalo alado, com o seu longo arco sobre as rédeas, esperavam.

A chegar, puxando as rédeas das suas quadrigas, Marduk aproxima-se , já em rodado lento, do cavalo alado do Ventor - Antar.

Sempre espavorido, Marduk atirou logo:

"Diz-me Ventor, porquê tanta pressa em falares sobre estas gentes, de quem eu me apossei há milénios? Porquê tanta predisposição da tua parte, para recuperares esta espécie de ovelhas estremalhadas do teu quintal terreno que já foi meu? Porquê, Ventor"?

Ventor observa o carro estrelar de ouro e de lápis-lazúli de Marduk. Verifica, num relance, as suas rodas de ouro com eixos de diamante e, numa voz suave diz:

«Vejo, Marduk, que nas tuas quadrigas aladas se encontram quatro cavalos pertencentes à caudelaria de Marte. Pressuponho já teres delineado uma aliança estratégica com ele».

"Bem, o teu «amigo» Marte, sempre se inclinou um pouco para o meu estilo de liderar e dominar. Penso até que estará predisposto a encetar negociações comigo, à moda antiga, para lhe dar um festival que muito gostará de observar a partir do seu quadrante solar. Sempre muito próximo dos contendores que se preparam, mais uma vez, para darem outro espectáculo, aqui na Terra, e que será observado por toda a galáctea".

«Marduk» - disse o Ventor - «continuas com o teu sentido e espírito venenosos e caprichosamente, a predispor os teus amigos terrenos para lutas sem qualquer sentido. Tu sempre interpretaste a figura do mal, trazendo com ela a morte, o sofrimento e a destruição de tudo que, com sacrifício, procuram construir aqui, por terras de Hur. Não julgues que a Esfera vai permitir que continues impugne com os teus devaneios e desventuras».

"Quem pensas tu que és, Ventor! Que mal tem que a Esfera se divirta um pouco a ver estes já protagonistas eivados de sangue, digladiarem-se por convicções despropositadas que tanto me custou inculcar-lhes naquelas cabeças ocas. Que pensas tu que são os terráquios, Ventor? Não passam de uma espécie de escumalha criada pela Esfera, onde, alguns de nós, estão ávidos de sangue como tem sido demonstrado através dos milénios, em que os homens andam pela Terra. Que queres tu fazer, Ventor"?

«Quero Marduk» - disse o Ventor - «que esqueças tudo o que de negativo houve no passado na formação e preparação das gerações terrenas. Foi decidido no Conselho da Esfera que todos os descendentes de Noé e seus filhos, teriam o privilégio de, em cada cabeça, viverem o seu próprio universo pessoal e, também, de o moldarem no sentido dos valores propostos pela Esfera que são, em súmula, o caminhar seguro no aperfeiçoamento dos seus sentimentos como princípio geral do bem comum».

"Não Ventor" . ripostou Marduk . " eu sempre contestei esses princípios. Sempre achei que o homem deve ser forjado no seu caminhar, como os metais eram forjados nas forjas dos ferreiros. Os homens devem aprender a renovar-se permanentemente não pelos princípios apontados pela Esfera, mas com a minha intervenção, sempre adequada às circunstâncias dos tempos. Portanto, sou eu que devo decidir, como e quando, essa renovação será feita".

«Marduk, eu não permitirei que os princípios da Esfera sejam adulterados por ti, por Marte ou por quem quer que seja» - disse o Ventor. Para isso, vou ter de conseguir que a tua influência sobre as gentes da nova Hur seja, de imediato, retirada. Pretendo assim, que comuniques aos teus delfins terrenos, que irás perder a tua ascendência sobre as novas terras de Hur».

"Não Ventor! Isso eu não farei. Estas terras sempre foram de minha influência e quando os seus tempos áureos chegaram, eu estava bem mais presente do que estou agota. Eu era adorado, venerado, poderoso! Agora pretendo, apenas, recuperar o prestígio perdido".

«Marduk, diz aos teus Sadams e seus lugares-tenentes que tens de retirar porque, a pedido do Ventor, a Esfera vai-te retirar todo o domínio que ainda tens e o que pretendes vir a ter, sobre as novas terras de Hur. Diz-lhe que, eu, Ventor, nunca permitirei que seja restabelecido, em terras de Babilónia, o antigo poder de Marduk, mesmo que, para isso, tenhamos de fazer uma selecção natural, à força do poder do meu arco».

Este é parecido com o Antar

"O teu arco ventor"! Ripostou Marduk todo enervado. " Que julgas tu que poder tens no teu arco? O teu arco não é nada Ventor, comparado com o poder exibido por Marduk. Eu sim, tenho poder! A Esfera receia-me e não se quer intrometer em tudo o que eu me meto. Neste momento, Ventor, eu tenho a arma mais poderosa com que os terrenos nunca tinham sonhado antes. O TERROR. O terror, Ventor! Até tu andas aterrorizado. Ah! Ah! Ah!» ...

«Não te rias Marduk» - disse o Ventor sereno. «Com algum tempo e paciência, as flechas do meu arco, poderão, com eficácia, arrasar todas as tuas forças de terror. Numa flecha incendiária, terminarei, para sempre, com os ninhos de víboras que simbolizam o teu terror, Marduk. Mas não é isso que pretendo. Não te vou dar o prazer de veres a galáctea assistir, como tu dizes, ao grande espectáculo. No entanto Marduk, se assim tiver de ser, não serás enjaulado para khorsabad como já te aconteceu. Ficarás por longo tempo, afastado das lides terrenas, aprisionado noutra galáctea onde o bem e  a felicidade das suas gentes serão a tua tortura».

Assim terminou o Ventor a sua conversa com Marduk que, irado, partiu na sua quadriga celestial pensando pernoitar junto de Marte, para substituir os cavalos emprestados.

Ventor, de olhar fixo em Marduk, continuou a pensar nos malefícios que ele irá preparar nestas lindas terras babilónicas e, regressou ao local onde Diana o esperava.

Chegada junto de Diana

 

"Amor, companheiro, amigo!

Que se passou com Marduk?

Não quero que algum mal haja contigo,

Não deixes ele utilizar, qualquer truque"!

 

Por buracos negros de galácteas,

Marduk pensará seu obejectivo,

Manter-se em situações errácticas,

E preparar-se para lutar comigo.

 

Estarei pronto para qualquer embate,

No Éden onde este mundo nasceu,

Protegerei um novo Iraque

Terra de um mundo que já foi meu.

 

Sempre disputei com Marduk,

Não a terra, mas as mentes da gente.

Poderá utilizar qualquer truque,

Que eu o destruirei de repente.

 

Diana o mundo é duro e avesso,

A nossa vida vai ser árdua e dura.

Não permitirei que qualquer travesso,

Faça levantar mortos da sepultura.

 

Iraque nova terra de Babilónia,

Com forças do bem e do mal presentes,

Aqui lutarei sem alguma parcimónia,

Para preparar a liberdade às suas gentes.

 

Se para isso Marduk me obrigar,

Com meu arco, eu tudo enfrentarei.

Destruirei Marduk bem como Istar,

Mas como fazê-lo, ainda não sei.

Flores de amor e liberdade para as terras sagradas de Babilónia


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2002

Ventor na Mesopotâmia

 Ventor na Mesopotâmia I


Encontro entre Ventor e Marduk I

Esta foi uma das histórias que o vosso amigo Quico ouviu ao Ventor. Eis o que eu ouvi enquanto ele estava deitado, uma noite que ...

«Para cumprir os desígnios que me foram atribuídos pela Esfera, Quico, parti num fim-de-semana para terras que já foram a minha Babilónia, a fim de ter um encontro com Marduk.

Mas, Marduk, como sempre, antes de qualquer encontro que não seja do seu agrado, inventa alguma maneira de se esquivar, chegando mesmo a simular falhanços nos azimutes siderais, desculpando-se com encravamentos no sistema, provocados pela explosão de "novas" e deslocamentos de enormes meteoros, derivados das mais diversas intempéries a que todo o universo está sujeito.

Assim, através do seu Bit Galáctico, Marduk comunicou-me:

Acho que te vou contar a história toda! É esta:

«Ventor, lamento ter de te informar que, devido ao embate no meu carro estelar de um grande meteoro com início na explosão da estrela denominada xy12b.hurk do espaço sideral de Grimin.x1z2, estou atrasado cerca de 24 horas contadas na Terra, onde te encontras. Espero conseguir atravessar mais rapidamente pelo buraco negro de Pantopic.y113.z2, coordenada galáctica que, como sabes, é um local perigoso, mas não o suficiente para demover-me, deste nosso encontro tão importante».

"Perante isto, e já em terras babilónicas" - diz o Ventor - "resolvi prestar homenagem ao meu amigo Nemrod, no local onde estão depositadas as suas ossadas, nas antigas terras de Hur. Porém, o seu espírito contiua sempre presente perante mim e perante o Conselho da Esfera e é muitas vezes chamado a participar em decisões importantes sobre projectos relacionados com a evolução da Humanidade no Planeta Tera - o nosso Planeta Azul.

Após o meu encontro com Marduk, cujas conclusões serão apresentadas no Conselho da Esfera, onde Nemrod estará presente para participar nas decisões que serão tomadas no provir desta região do globo, onde se situam as terras de Hur e o glorioso Reino da velha Babilónia.

Devido ao atraso de Marduk, encontrei-me com Diana, companheira inseparável das minhas venturas, num verde bosque, nas margens do Eufrates, encostados a um velho tronco que se inclina sobre este lindo rio bíblico, um dos quatro que faziam parte do Éden, onde, pelos tempos, vivemos, como este, muitos dos nossos acontecimentos amorosos».

O rio Eufrates tem cerca de 3.000 km desde a nascente até ao Chat-rl-Arab, onde se junta com o rio Tigre depois de passar 1.230 km pela Turquia, 710 km na Síria e 1.060 no Iraque

Rio Eufrates

Diana espelhada no Eufrates 

Numa noite quente e amena

Sobre o Eufrates, ao luar,

Diana bela e serena

Fixava-me o olhar.

 

"O que vais fazer Ventor, 

Com essa flor tão bela?

Tão impregnada de amor,

Tão linda! Tão singela"!

 

Sobre a água se espelhava,

Diana em luz cintilante,

E mostrava-se encantada

À espera da voz trovante!

 

Eu trago-te esta flor,

De cor de rosa vestida,

Como símbolo do amor,

P'ró resto da nossa vida.

 

Diana abana a cabeça

E, sussurra-me ao ouvido.

"Querido que eu te mereça,

O nosso amor faz sentido".

 

"Junto às águas espelhadas,

Alivia esse cansaço.

Esquece outras namoradas!

Descansa no meu regaço".

 

Assim Diana falava,

Nessa noite de luar,

Ao homem que tanto amava,

E continuará sempre a amar.

 

Cansado de tanta batalha,

Ventor já adormeceu.

Com a sua tez grisalha,

Fez as pazes com Morfeu.


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sexta-feira, 1 de novembro de 2002

Ventor e Nemrod

  Ventor 01.11.02

Mais uma conversa do Ventor

O Ventor falou-me sobre o seu amigo Nemrod que, há muitas gerações atrás, vagueia sobre a Terra acompanhando o seu velho cão mas, fá-lo sem qualquer pena, sem ter que prestar contas aos seus velhos inimigos, assírio-caldaicos ou, eventualmente, a outros mais modernos. Isto é, Nemrod vagueia sobre a Terra mas não é nenhuma alma penante. Ele participa de um estudo do Senhor da Esfera, sobre a eventualidade de varrer da face da terra o homem que quis criar à sua imagem.

Diz o Ventor:

«há muitas gerações que nos damos bem. Quando nos encontramos, bebemos uns copos, cantamos, rimos e, apesar das tristezas com que o mundo dos homens nos tem presenteado, tudo nos tem corrido mais ou menos. De vez em quando, aparece-me em forma de duende, em qualquer lugar».

E prossegue:

«às vezes, encontrava-o debaixo do seu grande chapéu, que usava nos tempos das grandes caçadas, nos vales e florestas da Caldeia, aquelas que, com o andar dos tempos, se transformaram em poços de petróleo, focos de raiva e cobiças das últimas gerações.

Não é por acaso que as terras da Caldeia eram ricas em leões e que os homens desses tempos tinham de lhes dar caça. Os leões apareciam nos galinheiros tal como as raposas fazem hoje pelas aldeias serranas. Levavam galos, animais domésticos e, até, pessoas.

Nas planuras que envolviam as partes baixas do Tigre e do Eufrates, a caçada era feita com arco e flecha, nas áreas montanhosas, mais a norte, a caçada era feita com lanças ou zagaias. Já nessa altura se apostava em manter o equilíbrio das espécies e as caçadas começaram a ser selectivas, mas lá, como hoje cá, começaram a aparecer os "shungas"! Começaram a fazer da caçada uma shungaria. Nemrod morreu, o Ventor partiu para outras galácticas e a shungaria começou a dar cabo de tudo. Quando o homem se começou a achar inteligente só porque tinha começado a raciocinar, acabou a estragar tudo. Havia sido descoberto o fogo, já há milénios, uma arma terrível para bem do homem e, também, para seu mal.

Acharam que deviam acabar com os leões incendiando as florestas e preparando-lhe armadilhas. Os leões fugiam à frente dos incêndios e, de repente, viam-se, frente a frente, com autênticas hostes selvagens e raivosas, sendo espetados com lanças ou furados com flechas. Nas casas dos grandes senhores as peles dos leões eram sinónimo da sua força e riqueza. Nesses incêndios, eram arrasadas florestas e todos os animais selvagens, apenas para apanhar leões!

Mas as coisas começaram a correr muito mal. O clima começou a mudar e a região começou a ficar cada vez mais seca. As florestas não foram recuperadas com a intensidade com que foram destruídas e a riqueza que todos os dias dava graças à passagem do meu amigo Apolo, acabou por se ir infiltrando, envergonhada, no solo, escondendo-se por lá. Passou a ser a riqueza escondida que durante milénios ali se foi acumulando até, um dia, vir ao de cima a capacidade do homem para a ir buscar mas, toda essa riqueza só tem enchido o umbigo a alguns e feito a pobreza de muitos, à sua volta. A riqueza deveria ser extraída para bem de todos e não apenas para o bem de uns poucos. Começou a ficar tudo numa grande caldeirada como no tempo do meu amigo Noé.

A cabeça de cada homem é um mundo esférico e independente, como o nosso mundo exterior. Vivem em confronto permanente uns com os outros e cada um, apenas magica em como deve prejudicar o outro e, apenas, por vezes, devido a forças de tracção que o induz a garantir a sobrevivência, é levado a ponderar os seus actos mas, por pouco tempo. Num ápice, devido à cobiça e inveja, começa a perceber que o vizinho tem uma vida melhor por razões que ultrapassam o seu conhecimento e, então, acaba por inventar. Muitas das vezes, esquece-se que o vizinho tem uma vida melhor porque sabe gerir melhor os seus recursos. O vizinho trabalha e obtém os seus frutos que gere da melhor forma possível virado para o essencial da vida enquanto o outro, avarento, vai para as festas, viver à grande e enriquecer outros.

Ele gasta os recursos nas discotecas, nos bares, nos fados, em bombas automóveis modernas e, depois, não tem o suficiente para tratar dos filhos, da sua educação e das necessidades da casa. Gasta os seus recursos em tornar outros ricos esquecendo-se do que para si é essencial. Hoje é assim e, no tempo do meu amigo Nemrod, também assim era. Uns com mais cavalos ou com mais camelos, formas de riqueza na época, com mais ou menos mulheres, com mais ou menos cabras, burros ou ovelhas, contabilizavam, na areia, as virtudes ou as desgraças do dia a dia e originavam conflitos inconcebíveis!

Hoje, com os mesmos ou outros meios, tudo gira da mesma maneira. Os cavalos que rebocam a nossa viatura ou a do vizinho ainda são criados nas caudelarias da Mesopotâmia, como nos tempos de Nemrod mas, tal como então, uns têm mais cavalos que outros e isso, faz mover invejas».

Calculem, agora, se os vizinhos de que o Ventor fala, conhecessem as caudelarias e as viaturas de Marduk!

Mas o ventor continuou:

«hoje, o mundo está a cometer os erros de outrora! Existem incendiários por todo o mundo. Na área Mediterrânica como por outras áreas inter-tropicais, as florestas ardem porque parece que há muita gente, por razões várias, a achar piada a isso. Os recursos para apagar os incêndios são sempre poucos e as catástrofes originadas por eles, são cada vez maiores. Eles consomem tudo! Animais selvagens e domésticos, economias de sobrevivência das pessoas e toda uma cadeia que nos vai reduzindo a capacidade de permanecer no Planeta Azul. Dá a impressão que esses malfeitores são a mão satânica que nos tenta empurrar para o abismo e o seu fim deveria ser, terminar com essas forças satânicas, reduzindo-as a cinzas, num qualquer galho ardente do fogo que, voluntariamente, atearam».

 Ruínas da velha Babilónia

 Nesses tempos da velha Mesopotâmia, diz o Ventor, que já haviam poesias com este teor:

 Babilónia

Cá, nesta Babilónia, donde imana,

Matéria a quanto mal o mundo cria.

Cá, onde o puro amor não tem valia,

Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,

E pode mais que a honra, a tirania;

Cá, onde a errada e cega Monarquia,

Cuida que nome vão, a Deus engana;

Cá neste labirinto, onde a Nobreza,

Com esforço e saber pedindo vão,

Às portas da cobiça e da vileza.

 Cá neste escuro caos de confusão,

Cumprindo o curso estou da natureza.

Vê se me esquecerei de ti, então!

Diz ainda o ventor:

«este é um poema de Gilgamesh que leu com os olhos arrasados de lágrimas junto das falésias que circundavam o encontro dos belíssimos rios Eufrates e Tigre, com as águas do chamado Golfo. Ali gritou Gilgamesh: "estou cheio desta gente, vou partir"!

Foi estarrecedor ver aqueles dois amigos, Nemrod e Gilgamesh, abraçados a chorarem as misérias que devassavam Babilónia»!

"Ventor!!! Gritou Nemrod. Prepara o teu arco, lança a flecha e, que ela não passe para além dos cedros do Líbano! Este é o espaço que damos ao nosso amigo, para caçar, viver, fazer as suas culturas e, se achar conveniente, explorar os cedros. A ti, peço-te a missão de o vigiares, mantendo sempre a sua integridade física».

O meu arco e a minha lança, serão apontados sobre a vilania, a cobiça e a tirania desta terra, onde serão repostos valores como o amor e a honra, e partirá, rio abaixo, este escuro caos de confusão".

quarta-feira, 23 de outubro de 2002

Noé e a Barcaça

 Ventor 23.10.02

Como sabem, o meu amigo Ventor é homem de todos os TEMPOS!

 Ele diz-me que Noé era um homem de bem. Preocupava-se com os seus concidadãos era um empreendedor e justo na sua caminhada.

Noé fazia vários negócios e como devem calcular, não era fácil trabalhar naquele meio. As caminhadas eram longas e os negócios não eram feitos com produtos perecíveis, como hortaliças, ovos, leite, frutas ... O calor destruía tudo. Estes negócios cingiam-se a locais circunscritos e geograficamente muito pequenos. Isto já porque nessa altura os calores eram enormes, a água pouca e tirados alguns oásis a vida era difícil. Tudo isto por amor de Apolo! Apolo gostava muito de Adão e dos seus descendentes e tratava-os o melhor que podia. Daí dar-lhes muita luz e muito calor e depois as noites, mal Apolo virava costas, ficavam geladas e Diana não sabia que fazer na sua azáfama de ajudar e gritava para que Apolo chegasse depressa com os seus raios abrasadores. E tinha razões para se preocupar! Com os frios nocturnos, as pessoas matavam os animais para lhes tirar as peles e utilizá-las como agasalhos. Assim, Diana, pedia a Apolo para dar luz e calor para ajudar os humanos e também para ver se não ficava sem as suas coutadas de caça que todos os anos ficavam muito reduzidas. Então Apolo aparecia com a sua força abrasadora e esturricava tudo.

 Apolo

Quando o Ventor criticava tanta generosidade, Apolo tapava os olhos com as costas das mãos para não ver a reacção do Ventor ou, então, metia os dois dedos indicadores nos ouvidos para não o ouvir. Tudo porque a generosidade de Apolo era muito grande e perdia-se no que fazia. Ele chegava a esturricar Diana, durante a noite, para ela reflectir a luz e o calor que ele lhe dava, para ser ela a distribuir, indirectamente, tudo isso, sobre a Terra. E ainda hoje faz isso!

Os homens que cresciam a olhos vistos, tinham uma vida difícil e começaram a sobreviver à custa de habilidades. Tal como hoje! Já nessa altura, se matavam pessoas por pequenos roubos cometidos para tentarem sobreviver. Os mais habilidosos tinham menos dificuldades. Valiam-se de tudo, até da escravidão dos seus semelhantes. Já nessa altura se inventaram casas de alterne e maneiras de desviar os incautos dos seus objectivos. A vida fácil era a maneira mais simples de singrar na sociedade. As pessoas simples do povo eram desviadas para rumos mais condignos com a podridão social. Depois apareceram também os "donos", uma espécie de jagunços mandatados pelos lugares tenentes dos reis e, às vezes, por estes para, através do fisco, lá está o fisco, sempre o fisco, acabarem de depenar os simples cidadãos. O fisco não dava nada e levava tudo. Tal como hoje!

Eram meia dúzia a comer o suor de muitos. Exactamente, como hoje! Aquela espécie de jagunços, eram homens armados pelos poderosos para extorquir as riquezas dos que produziam. Os que extorquiam viraram ricos, sempre em nome de algo. Na altura era do rei, dos deuses e entre essses estava sempre, na linha da frente, o Marduck!

Disse-me o Ventor que o Noé era um homem de bem. Enquanto podia, pagava tudo, mas chegou uma altura que ficou completamente manietado e sem fundos. Ficou à pega com os grandes senhores que, tal como o fisco, aprenderam a domar quem trabalha. Mas, enquanto Noé progredia, a podridão social crescia mais e mais e, então, Noé, era rodeado de amigos daqueles cheios de grana alheia. Estes meteram ideias na cabeça de Noé para fazer crescer os negócios pois que teria todas as ajudas possíveis de capitais. Eram, assim, tipo os nossos bancos de hoje. Davam créditos! Só que, depois, se as pessoa não pagavam ficavam-lhes com tudo. Noé era um empresário, então, e possuia uma pequena frota que navegava no Golfo Pérsico de então e, lá ia fazendo troca de vários produtos e até de camelos e outros animais.

Baseado nas promessas dos seus amigos endinheirados, quis fazer uma frota maior e, para isso, baseado nas ajudas prometidas, mandou construir uma enorme barcaça.


 A Barcaça do seu amigo Noé era para ter esta forma. Mas as madeiras dos cedros do Líbano que continuaram a ser cortadas pelos descendentes de Gilgamesh, outro amigo do Ventor, eram transportadas por caravanas que tinham sido desviadas por nómadas e Noé teve de se amanhar com o que tinha e saiu a barcaça que vocês conhecem e de que muito se falou e se continua a falar.

A grande Barcaça consumiu tudo e Noé ficou sem possibilidades de pagar os créditos chegando mesmo em pensar fugir para o lado de lá do Golfo, quando lhe começaram a arrestar as suas coisas. Mandou preparar a família e os animais, em especial os camelos e outros que eram a sua pequena fortuna.

Então, cheio de medo do que poderia acontecer pediu ao Senhor da Esfera e, ... depois, já sabem como foi! Um dia, o Senhor da Esfera, já farto das aldrabices que os aldrabões iam semeando cá pelo Planeta Azul, decidiu acabar com tudo e vejam lá que até o Noé não era para se safar. Mas, como já sabem, o Apolo e o Ventor tanto lhe pediram que foi decidido safar o Noé, a sua família e todos os animais que, já então, existiam e que tinham dado uma grande trabalheira nas Oficinas do Senhor da Esfera.

Então o Senhor da Esfera decidiu ter uma conversa com Noé e voltou atrás na sua decisão de desfazer tudo. Decidiu, então, aproveitar os planos já colocados em iniciação por Noé e pediu ao Ventor para dar uma olhada para ver se o que tinha decidido seria bem cumprido. Claro que o Ventor pensou logo em travar a entrada de alguns bichos na grande Barcaça de Noé, mas depois arrependeu-se e deixou que fosse o Noé a decidir isso. O Ventor ainda chegou a pedir ao Noé para que não deixasse entrar o casal de cobras mas, as habilidosas meteram-se no meio de uma cesta de figos que o Noé levava para comerem enquanto andassem a boiar no Dilúvio e, elas, assim se safaram.

Por isso, ainda hoje, continuam a não gostar do Ventor e o Ventor a não gostar delas. Mas elas esquecem-se que, se o Ventor quisesse mesmo que elas não entrassem na grande Barcaça, não entravam e pronto! Mas o Ventor sempre entendeu que a água vai fluindo sempre para o mar e não deve ser desviada do seu percurso e não ser que tenha de ser mesmo. Mesmo desviando o percurso à água, ela continua a fluir para o mar. Como dizia o preto na África Minha, o lugar da água é em Mombaça!

Sempre assim foi e sempre assim será! Talvez um dia os portugueses reponham o fluir natural das suas águas em todos os níveis! Se o povo português não terminar com a avareza de meia dúzia de falsos iluminados e fazer as suas águas correr naturalmente para o mar, continuará na penúria, enquanto os vendilhões da política, esses politiqueiros, quais vampiros, lhe continuam a sugar o sangue com toda a naturalidade. Diz o Ventor que isto por aqui anda um pouco à deriva como no tempo de Noé. Olhem-nos bem nos seus olhos quando vos falam e, notarão imediatamente a falsidade dos sorrisos que se abrem para vós. Todos sem excepção! Não tardará muito aparecerá um Noé nesta sociedade engendrada por aldrabões. Mas será que o Senhor da Esfera exterminará todos os outros?  

segunda-feira, 2 de setembro de 2002

Glória a la Vida

 Ventor 02.09.02

«Ao passar pelas catacumbas da Net e, à medida que vou driblando o tempo e penetrando nos célebres artigos pictoriais existentes, achei uns retalhos de arte, daquela que foi uma vida de luta, de tristezas e de alegrias, de tempos primordiais à Pré-História, à qual eu assisti, cheio de vontade de fazer o tempo progredir na mente daqueles sisudos homens, aos quais eu pertenci e com os quais partilhei a limpidez das estrelas, das águas puras, dos ares límpidos, da pureza das chuvas, das neves e dos gelos.

 

Os gelos aterrorizavam

Caminhar na neve era terrível. Por isso, era necessário ficar sempre por perto 

Observar as pinturas que projectavam os animais nas paredes, era outro. Este bisonte, já foi apreciado pelo Ventor nas Grutas de Altamira

Perante o turbilhão de catástrofes que a Esfera fazia cair sobre o nosso Universo terreno e humano, com o fito de redimir os homens e que acho nunca conseguiu os intentos propostos, tal como eles, demandei cavernas obscuras onde, nos gelos quase perpétuos do quaternário e outras sequências intemporais a que os homens deram nomes científicamente comprovados ou não, permanecíamos vidas inteiras em que só poderíamos espreitar as estrelas para confirmar se o céu continuava a existir e, para mantermos a esperança de que todos os dias Apolo regressava para o cumprimento da praxe do seu sempre amigo Ventor.

Apanhar um pouco de sol para aquecer o corpo e a alma enquanto se dissertava sobre os famosos artistas, era um dos passa-tempos preferidos

As saídas desses buracos, alguns quase pareciam palácios actuais, pelo menos nas suas paredes internas e tectos, constituídas pelos rochedos das montanhas, enfeitadas por homens cheios de habilidade, apenas se dava por curtos intervalos de tempo, quando havia necessidade de reabastecer as despensas com os pedaços de carne que tínhamos que obter nas caçadas dos outros selvagens que, por uma questão de génio, ardil e de forças conjugadas, eram obrigados a ceder-nos as suas energias que iam armazenando no despontar da vida vegetal que angariavam por vales e encostas mais consentâneos às suas existências.


Observar as pinturas que projectavam os animais nas paredes, era outro. Este bisonte, já foi apreciado pelo Ventor nas Grutas de Altamira

Logo na saída das cavernas, todos os humanos prestavam, numa atitude de protração, a sua homenagem diária a Apolo, mensageiro da Esfera e, ao mesmo tempo, agradeciam ao Ventor, por ter tornado sua, a tarefa da sua protecção. Mas, quando os dias viravam autênticas noites, devido a intempéries originadas por lutas sem tréguas, no interior da Esfera e Apolo, por precaução, não se mostrava, todos julgavam que era, dessa vez, o nosso fim. E antes do términus, nada como colocar, em prol do colectivo, a capacidade de cada um.

Assim, ciclo após ciclo, século após século, milénio após milénio, todos os seres humanos, através dos seus mais habilidosos representantes tinham, por engenho e arte, um processo de deixar para a posteridade, uma demonstração do que teria sido a sua vida ao longo da luz e das trevas, nas venturas do tempo com os seus companheiros de caminhada.

Eu incentivei a que assim procedessem, para que, um dia, na vastidão do espaço e do tempo, todos os vindouros se fossem apropriando dos progressos que seus antepassados foram conseguindo, ajudando-os a continuarem sempre, em diferentes e inovadoras tarefas, que levassem àvante um fluir constante daquilo a que, com os tempos, viemos a chamar civilização, cultura, arte, ... enfim, progresso.

Achei giro que, milénios depois de façanhas milenares, viesse a encontrar em bits de quase nada, tanta grandeza expurgada dessas cavernas quase eternas que vão resistindo a todos os eventos que a natureza, os homens e as imprecações da Esfera as põem à prova.

Aqui, em Lascaux, tal como em Altamira, um dos apaixonados de Diana exibe os êxitos das suas pinturas 

Por isso, gostaria de vos deixar aqui muitas maravilhas da Arte Rupestre, porque foi executada no único papiro conhecido na época. A pedra!

Penso que ainda por lá poderei encontrar pinturas que foram minhas e que representarão as grandes caçadas que eu e Diana levamos a cabo em vales sem fim, através dos tempos e, no aconchego do calor e do amor que nos aqueciam, colocamos os nossos traços de representação de uma vida maravilhosa, própria dos deuses e, no ensino permanente de como fazer a espécie humana levar por diante a sua continuidade neste rodar permanente desta eterna Esfera a que pertencemos».

Comentários

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Tina

27.01.11

Gostei muito, como sempre!
Bjs!
Melhoras!