quinta-feira, 1 de maio de 2003

Cerco de Tiro


... por Alexandre Magno.

Fui ao baú do Quico e tinha lá isto. Mas tem ainda mais!

Já vos contei, por aqui, algumas histórias que ouvi ao Ventor sobre as guerras de Alexandre Magno. Creio que já vos falei no essencial das grandes batalhas terrestres dos macedónios de Alexandre, contra os persas de Dario, como a Batalha de Granico, a Batalha de Isso, a Batalha de Gaugamela, a Batalha de Hidaspes, ... mas, quase ninguém liga às batalhas navais de Alexandre.

Mas o Ventor falou-me de vários cercos à cidade fortaleza de Tiro, levados a cabo por várias potências do mundo antigo e alguns duraram alguns anos e, por várias razões, as forças sitiantes tiveram de levantar o cerco e retirar.

 

O Ventor contou-me que, o cerco de Alexandre à Fortaleza de Tiro, durou cerca de sete meses (foto Wiki)

Alexandre Magno, decidiu levar a guerra aos persas, por razões já explicadas noutras histórias que vos contei, mas ele sabia que, avançando com as suas forças pela Ásia Menor, apoiado pelos estados gregos (excluindo Esparta), deixara para trás, poderosos inimigos (e, alguns deles, já estavam à frente a apoiar os persas) que não viam com bons olhos a ascendência do macedónio na gestão política da coisa grega. Assim pensava que as suas forças deviam atacar numa abrangência total, não descorando, portanto, o poder naval dos seus inimigos persas e, também, o poder naval dos aliados dos persas.

A Fortaleza de Tiro, situada numa pequena ilha frente à costa da Fenícia (territórios que hoje formam o Estado do Líbano), separada do continente por cerca de 700 mts de mar com uma profundidade de cerca de dois metros nesse local, tinha sido, através dos séculos, praticamente inexpugnável e, conquistando-a, ele obteria uma base estratégica de grande importância para a sua caminhada na guerra, entre os gregos e os persas.

As cidades fenícias do continente, como Arado, Biblos e Sídon, acabaram por aceitar o domínio macedónio. Tiro enviou aquilo que hoje poderíamos chamar uma comissão ao encontro de Alexandre e comunicaram-lhe que os tirenses obedeceriam a tudo que Alexandre ordenasse e Alexandre concordou e disse aos enviados de Tiro que pretendia entrar na cidade e homenagear Hérculos (o Melkart dos tirenses) por aculturação. Os tirenses disseram que obedeceriam às outras propostas de Alexandre mas não admitiriam, nem persas, nem macedónios, na sua cidade. Ora Tiro, tinha uma poderosa frota naval na época e a sua flotilha, a mais forte da frota de Farnabazo, o Comandante Naval dos Persas e, essa frota era ainda apoiada por Cartago, a sua colónia, onde hoje fica a Tunísia.

Mas, Alexandre, tinha uma estratégia bem delineada! Como o Ventor fazia as suas caminhadas por aquela zona, ia observando o comportamento dos beligerantes em confronto e, Alexandre, sabendo disso e sabendo que os tirenses também não tinham vontade de permitir ao Ventor, entrar na sua cidade fortaleza, convidou o Ventor a assistir a um discurso político-militar que ia fazer para os seus generais, onde explicaria tudo sobre a sua estratégia. Alexandre explicou que tinham de avançar sobre a Pérsia na perseguição de Dario até o vencer mas, deixar a grande frota persa à vontade, no Mediterrâneo, apoiada por bases como Tiro, Chipre e Egipto, seria entregar o ouro aos bandidos. Segundo Alexandre, essa frota com alguns reforços e com a possível colaboração de Esparta e a indecisão de Atenas, poderia voltar à Grécia onde lançaria novos campos de batalha, obrigando Alexandre a desviar-se do seu objectivo ou a dividir as suas forças. Também não seria boa ideia avançar rumo ao Egipto e deixar atrás, a frota de Tiro a ameaçar a sua retaguarda e as suas linhas de comunicação


Foi a guerra total para a época, nesta pequena ilha, frente à costa da Fenícia (foto Wiki)

Por essas e outras razões, haveria a necessidade absoluta de capturar a cidade fortaleza de Tiro e a sua frota, obter o apoio das frotas da Fenícia e de Chipre, fosse porque meios fosse e conquistar o Egipto, obtendo, assim, a talassocracia completa nos mares, com a frota greco-macedónica a comandar os apoios das marinhas fenícia, cipriota e egípcia.

Todos se convenceram do hêxito desta estratégia e, Alexandre, mais ainda, quando sonhou que Hércules o guiaria até à cidade de Tiro.

Este cerco durou de Janeiro a Julho do ano de 332 A.C. e disse-me o Ventor, foi um terrível cerco, cheio de engenhosidade e heroísmo entre os beligerantes, mas o seu amigo Alexandre levou a melhor. Alexandre trabalhou ao lado dos seus homens, na construção de um aterro com cerca de 700 metros que permitiria levar as catapultas até perto das muralhas, mas os tirenses com as suas catapultas, arqueiros e trirremes, infligiram baixas nos homens de Alexandre e fizeram interromper os trabalhos. 

Porém, Alexandre que mandou construir torres de duas rodas, atacou as muralhas de Tiro e as trirremes com tiros de catapulta, conseguindo fazer o aterro e aproximar-se das muralhas mas os tirenses usando um enorme brulote incendiado e empurrado em direcção do aterro, incendiou as torres e as tropas de apoio incendiaram todos os equipamentos de cerco das forças de Alexandre.


Mas, os macedónios e os gregos, comandados sempre por Alexandre, ficaram os senhores da ROCHA (foto Wiki)

Alexandre deixou os seus homens na construção de um aterro mais largo, mais equipamentos de cerco e torres e, como os tirenses dominavam o mar, Alexandre foi em busca de trirremes para reforçar a sua marinha e, assim, pelo verão de 332 A.C., 80 navios de guerra fenícios e 120 navios de guerra cipriotas, submeteram-se a Alexandre que adoptara uma atitude pacífica de liberalização das suas gentes, reunindo uma poderosa frota naval na cidade de Sídon a cerca de 30-40 kms de Tiro e não descorando a segurança das madeiras dos cedros do Líbano.

Os tirenses lançaram rochedos junto às muralhas para que os barcos de Alexandre não se aproximassem das muralhas, mas Alexandre mandou arrastar essas rochas de lá e navios carregados com vários equipamentos de cerco atacaram as muralhas da grande fortaleza. Os tirenses lançaram um ataque à frota cipriota num dos seus ancoradouros com algum sucesso, mas Alexandre interceptou-os e destruiu a maior parte deles, ganhando assim o controlo do mar e entretinha as suas forças a testar vários pontos da muralha para um futuro ataque, ao mesmo tempo que mantinha os tirenses sob uma tensão psíquica destruidora.

Assim, depois de tanta pressão, os fenícios destruíram os botalós que bloqueavam um dos ancoradouros e destruíram os navios tirenses. Os cipriotas capturaram mais um ancoradouro e conseguiram entrar na cidade enquanto os macedónios com as suas máquinas de cerco, em navios e torres, destruíam as muralhas e iniciaram o assalto cheios de ódio por os tirenses terem matado os macedónios aprisionados e os terem lançado ao mar, em frente do seu acampamento. No final da contenda, foram calculados 8.000 tirenses mortos e o resto da população, cerca de 30.000, feitos escravos e os macedónios terão tido cerca de 400 mortos e cerca de 3.000 feridos.

O Rei de Tiro, os seus nobres e alguns cartagineses enviados para proteger Tiro, numa missão sagrada, foram perdoados junto ao altar de Hércules.


O Herácles grego, ou Hércules romano, ou MelKart dos tirenses, frequentemente chamado Baal, era o Senhor de Tiro (foto Wiki)

Depois de destruída a fortaleza de Tiro, Alexandre seguiu para o Egipto, onde se proclamou Faraó, tarefa nada difícil porque os egípcios tinham alguma consideração pelos gregos e consideraram que os gregos os foram libertar dos persas dominadores.

Foi a partir da tomada de Tiro que Alexandre Magno se dedicou à rababa. Pode ver aqui, Alexandre e a Rababa


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quinta-feira, 20 de março de 2003

Regresso a Babilónia

  Ventor 20.03.03

Depois de conquistarem Ninive, Ventor desligou-se das pilhagens da guerra, levadas a cabo pelas hordas de Nabopolassar e foi ao encontro de Diana que, juntos, de arco e flecha, desceram pelas margens do rio Eufrates apreciando as paisagens que por lá desfrutavam. De dia iluminados por Apolo e, de noite, Diana deslumbrava o Ventor com a mais bela luz de luar que jamais iluminou a terra.

As flores estavam por todos os lados e Diana disse ao Ventor que, se houve flores para Ninive, também as haveria com fartura para alegrar os seus caminhos de regresso a Babilónia.

Lindas flores que Diana colocou nos caminhos do Ventor, no seu regresso a Babilónia

E foi assim que o Ventor me contou esse regresso:

 
 Junto ao Eufrates, rio azul,  Junto ao rio Nabopolassar estava, 
 De orvalhadas choram as flores  Com pedrinhas para a água a atirar.
 Multicoloridas, junto a um paúl,  E para o centro do circo apontava,
 Parecem chamar os seus amores  O centro do reino vai ali começar.
 
 Ventor e Diana ao nascer da aurora Isto deixou o Ventor sorridente, 
 Avançam juntos para uma caçada,  E Diana lançou gargalhadas.
 A água corrente parece que chora  Parece que o reino estava contente,
 E os passarinhos fazem chilreada  Pois era senhor das batalhas travadas.
 
 Olha, Ventor, já canta um grilo!  Em Nemrod tinha um suporte,
 Grita Diana num grande sorriso.  No fero Ventor tinha um amigo.
 Olha que lindo! O que é aquilo?  A um e a outro não os leva a morte
 É Nabopolassar com pouco juízo!  Ficaram por cá para dar o castigo

domingo, 2 de março de 2003

A Conquista de Ninive


Na passagem do Ventor por Ninive, Diana semeou flores por todo o lado e disse ao Ventor que eram "flores para Ninive".

 Diana envia Flores para Ninive

Foi assim que o Ventor me contou a tomada de Ninive

Ao som das trombetas de Nabopolassar

Se movem homens, animais e carroças.

Nas margens do Eufrates estão a passar,

E se ouvem berrar camelos de bossas!

 

Junto ao grande rio, lento e sereno,

Que já prestou homenagem a Nemrod,

Se espelha nas águas, um leão pequeno,

Que do seu pêlo a poeira sacode.

 

Logo um frecheiro aponta seu arco,

Flecha na mão p'ra ferir o animal,

Escorregou na areia e caiu num charco,

Não sofrendo o bicho qualquer mal.

 

Subindo os outeiros rumo a norte,

Deixando para trás um lastro de pó,

Poderoso exército com grande suporte,

E a seu lado, Ventor sempre só!

 

Nas altas colinas sorria Diana,

Perante nuvens que em frente se movem,

Cabelos ao vento, a ninguém engana,

Pede ao ventor que seus lábios provem.

 

Junto a Ninive o exército faz alto,

Cada um se amanha conforme pode,

E, logo em frente, noutro planalto,

Se encontra Ventor com Nemrod.

 

Amigos de sempre, nunca esquecidos,

Por outros amigos de outros combates,

Perante o inimigo, nunca estão perdidos,

E nunca cometem quaisquer dislates.

 

Apontam os arcos, direito à cidade,

E pôem em marcha seus esquadrões,

Assaltam muralhas que, na verdade,

Escondem o medo de seus guardiões.

 

Ventor irado, forte e sisudo,

Fixa Nemrod, na sua tristeza,

A cidade que ele construíu e tudo,

Caía assaltada, devido à avareza.

 

Num chão de pó e cheiro a queimado,

Encontrou Ventor, Sinsariskun, ledo,

Avançou num porte, erecto e irado,

E Sinsarisckun se apossou do medo.

 

E, quando já tudo, parecia acabar,

Vindo do tempo, entrou Nemrod.

«Esta terra é de Nabopolassar,

Ele a governa porque ele pode!


Tudo en volta, é terra de kush,

Todo o meu reino me custou a criar.

Linda e bela, era Babilónia!

Todos os inimigos eu vou arrasar.

E para todos, sem parsimónia,

Haverá a lança de Nabopolassar»!

 Diana prepara-se para caçar, mas ...


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domingo, 2 de fevereiro de 2003

Ventor e Nabopolassar

 Ventor 02.02.03

Uma vez, meus amigos, ouvi o Ventor contar façanhas da sua vida por terras de Babilónia, que hoje fazem parte do moderno Iraque.

Por isso, eu estou de garras nas teclas para vos contar as suas façanhas. O Ventor, era amigo das gentes da então Mesopotâmia e ele era doido pelos seus rios, especialmente, o Eufrates, mas também do Tigre e ficava como que paranóico ao desfrutar das neves que cobriam as montanhas geladas do norte, hoje, terras dos Curdos.

O Ventor não esquece os amigos que corriam aquelas montanhas atrás das cabras que hoje já não há, de cavalos, ovelhas e demais bicharada que, já, na altura, eram fonte de rendimento das suas gentes. Mas, também é verdade, que houve sempre choques tremendos, entre as gentes dos vales e das montahas - e olhem que, nessa altura, ainda não se tinha descoberto o petróleo!

Stela de Istar

Nas suas deambulações pelas terras dos caldeus, há amigos que ele nunca esquece, como o destemido Nemrod, o inteligente codista Hamurabi, aqueles guerreiros, Nabopolassar, Nabucodonosor II e outros.

Pois é. O Ventor conheceu Nabopolassar, Sátrapa da Babilónia, então, na dependência do rei da Assíria, o terível Sinsariskun. Os assírios que já tinham conquistado Babilónia e pretendiam fazer uma política de expansão com as suas gentes locais agregadas, nomearam o babilónio, Nabopolassar, Sátrapa da Babilónia conquistada e, Sinsariskun, enviou-o para combater os bárbaros que, com poderosas esquadras, comandadas por piratas, ameaçavam as suas costas.

Nabu - deus do saber e da cultura

No princípio, Nabopolassar, cumpria, rigorosamente, as ordens emanadas de Ninive mas, depois de muito matutar, entendeu que ele teria de defender Babilónia dos assírios e não daqueles a quem os assírios chamavam piratas. Afinal, aqueles piratas não estavam interessados em fazer mal às gentes babilónicas, mas às gentes dominadoras e carniceiras da Assíria.

Um dia, no caminho de Ninive para Babilónia, junto ao rio Eufrates, um grupo de homens cavalgando cavalos e camelos, montaram arraiais à sombra de chorões, nas suas margens. Debaixo de um chorão, numa bela sombra de um calorento dia, dormia o Ventor com o seu arco encostado ao seu corpo. Um dos cavaleiros acabados de chegar aproximou-se vagarosamente do corpo estendido do Ventor, aproveitando para lhe tirar o arco, mas o cavalo branco do Ventor, Antar, um fiel companheiro das suas caminhadas, saíu debaixo de outro chorão e com os dentes, pegou o cavaleiro pelos cabelos e levantou-o no ar. Quando os outros se aproximaram em auxílio do companheiro, já o Ventor tinha o primeiro do grupo, na mira do seu arco. O primeiro do grupo era, exactamente, Nabopolassar! Nabopolassar, informou o Ventor que aquelas terras eram suas, pois elas eram uma legação dos seus antepassados.

O Ventor respondeu-lhe que não lhe reconhecia direitos sobre aquelas terras, pois elas eram as terras onde o seu amigo Nemrod tinha deixado, para sempre, as suas ossadas.

Nabopolassar, disse ao Ventor que tinha sido incumbido pelo rei Sinsariskun de dar luta aos bárbaros e era isso que ia fazer, levantando um exército babilónico e dirigir-se para a confluência dos rios. Mas o Ventor que não gostava dos bárbaros e gostava menos ainda de Sinsariskun, disse a Nabopolassar, para analisar bem a situação, pois não lhe agradava nada ver as terras do seu amigo Nemrod na posse dos assírios.

 

Os assírios eram terríveis

Nabopolassar, ao ver a insistência do Ventor em nomear o seu amigo Nemrod, por sinal, um ascendente seu, de Nabopolassar, começou logo a pensar naquilo que o Ventor lhe dissera e convidou-o a acompanhá-lo e, juntos, enfrentarem os bárbaros. Ventor avançou com Nabopolassar e seus homens rumo à confluência dos rios e apanharam, de surpresa, os bárbaros, não deixando que as suas esquadras se lançassem às águas do Golfo. Os bárbaros que iniciaram conversas com Nabopolassar e Ventor, ofereceram os seus serviços a Nabopolassar e dispuseram-se a ajudá-lo a tomar Ninive de assalto.

Nabopolassar perguntou ao Ventor se, perante esta nova situação, achava bem que os descendentes de Nemrod tomassem conta das suas terras e corressem com os assírios da sua terra sagrada. O Ventor disse-lhe que sim e poderia contar com ele, o seu arco e o seu cavalo Antar, para as grandes batalhas que se iam aproximar.

Já com forças suficientes, ao receber o apoio dos bárbaros e do terrível arco do Ventor, Nabopolassar, proclamou a independência de Babilónia e desencadeou várias lutas contra os assírios, propondo-se capturar a cidade de Ninive e o seu rei Sinsariskun. Para isso, aliou-se aos adversários dos assírios e fez uma aliança com Ciaxares, rei dos Medos que já tinha vencido os assírios em várias batalhas, obrigando Sinsariskun a refugiar-se em Ninive, colocando todo o seu poderoso dispositivo militar em redor da grande cidade, pronto a defende-la, até à morte.

Diana chorava ao saber da atitude do Ventor, ao prontificar-se para ajudar Nabopolassar a organizar um poderoso exército e darem luta aos não menos poderosos assírios. Organizava-se assim o assalto a uma das mais poderosas fortificações do planeta Terra, na altura - Ninive.


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2003

Ventor na Mesopotâmia II

Continua o encontro entre Ventor e Marduk

Após um belo sono no regaço de Diana, eis o despertar, através do Bit Galáctico de Marduk. Barulhento como sempre, gritava:

"Ventor! Ventor! Ventor"!

«Sim, Marduk»!

"Estou a chegar! Neste momento passo junto a Vénus e já vejo o olhar luminoso de Diana e, sob um chorão verde, a ponta do teu arco, encostado ao tronco. Encontramo-nos junto às ruínas de Hur".

«Junto às ruínas de Hur»?

"Sim! Afinal tudo isso é a minha terra e minha gente. Gostava de saber que é que tu pretendes, Ventor"!

O Ventor já pelos cabelos, por tanto ouvir Marduk gritar através de milénios, deixou ali Diana, junto ao Eufrates e saltou para o seu cavalo e atirou a Marduk com a mudança dos tempos.

«Os tempos são outros, Marduk! A Terra actual já não tem nada a ver com aqueles tempos em que tu te assenhoraste de Babilónia É disso que vamos falar».

Assim o carro estelar de Marduk se aproximava das ruínas de Hur, como uma estrela cadente, assim o cavalo branco alado do Ventor, de olhos cintilantes, quais diamantes reflectores dos raios de Apolo, iluminavam toda a região e, as suas ruínas antigas, como Hur, Babilónia, Ninive e outras terras que a história não deixará morrer. Estes velhos contendores, de eras passadas, recordam batalhas ganhas e batalhas perdidas.

Junto às ruínas de Hur, já protegido dos raios vigilantes de Apolo, Ventor e o seu cavalo alado, com o seu longo arco sobre as rédeas, esperavam.

A chegar, puxando as rédeas das suas quadrigas, Marduk aproxima-se , já em rodado lento, do cavalo alado do Ventor - Antar.

Sempre espavorido, Marduk atirou logo:

"Diz-me Ventor, porquê tanta pressa em falares sobre estas gentes, de quem eu me apossei há milénios? Porquê tanta predisposição da tua parte, para recuperares esta espécie de ovelhas estremalhadas do teu quintal terreno que já foi meu? Porquê, Ventor"?

Ventor observa o carro estrelar de ouro e de lápis-lazúli de Marduk. Verifica, num relance, as suas rodas de ouro com eixos de diamante e, numa voz suave diz:

«Vejo, Marduk, que nas tuas quadrigas aladas se encontram quatro cavalos pertencentes à caudelaria de Marte. Pressuponho já teres delineado uma aliança estratégica com ele».

"Bem, o teu «amigo» Marte, sempre se inclinou um pouco para o meu estilo de liderar e dominar. Penso até que estará predisposto a encetar negociações comigo, à moda antiga, para lhe dar um festival que muito gostará de observar a partir do seu quadrante solar. Sempre muito próximo dos contendores que se preparam, mais uma vez, para darem outro espectáculo, aqui na Terra, e que será observado por toda a galáctea".

«Marduk» - disse o Ventor - «continuas com o teu sentido e espírito venenosos e caprichosamente, a predispor os teus amigos terrenos para lutas sem qualquer sentido. Tu sempre interpretaste a figura do mal, trazendo com ela a morte, o sofrimento e a destruição de tudo que, com sacrifício, procuram construir aqui, por terras de Hur. Não julgues que a Esfera vai permitir que continues impugne com os teus devaneios e desventuras».

"Quem pensas tu que és, Ventor! Que mal tem que a Esfera se divirta um pouco a ver estes já protagonistas eivados de sangue, digladiarem-se por convicções despropositadas que tanto me custou inculcar-lhes naquelas cabeças ocas. Que pensas tu que são os terráquios, Ventor? Não passam de uma espécie de escumalha criada pela Esfera, onde, alguns de nós, estão ávidos de sangue como tem sido demonstrado através dos milénios, em que os homens andam pela Terra. Que queres tu fazer, Ventor"?

«Quero Marduk» - disse o Ventor - «que esqueças tudo o que de negativo houve no passado na formação e preparação das gerações terrenas. Foi decidido no Conselho da Esfera que todos os descendentes de Noé e seus filhos, teriam o privilégio de, em cada cabeça, viverem o seu próprio universo pessoal e, também, de o moldarem no sentido dos valores propostos pela Esfera que são, em súmula, o caminhar seguro no aperfeiçoamento dos seus sentimentos como princípio geral do bem comum».

"Não Ventor" . ripostou Marduk . " eu sempre contestei esses princípios. Sempre achei que o homem deve ser forjado no seu caminhar, como os metais eram forjados nas forjas dos ferreiros. Os homens devem aprender a renovar-se permanentemente não pelos princípios apontados pela Esfera, mas com a minha intervenção, sempre adequada às circunstâncias dos tempos. Portanto, sou eu que devo decidir, como e quando, essa renovação será feita".

«Marduk, eu não permitirei que os princípios da Esfera sejam adulterados por ti, por Marte ou por quem quer que seja» - disse o Ventor. Para isso, vou ter de conseguir que a tua influência sobre as gentes da nova Hur seja, de imediato, retirada. Pretendo assim, que comuniques aos teus delfins terrenos, que irás perder a tua ascendência sobre as novas terras de Hur».

"Não Ventor! Isso eu não farei. Estas terras sempre foram de minha influência e quando os seus tempos áureos chegaram, eu estava bem mais presente do que estou agota. Eu era adorado, venerado, poderoso! Agora pretendo, apenas, recuperar o prestígio perdido".

«Marduk, diz aos teus Sadams e seus lugares-tenentes que tens de retirar porque, a pedido do Ventor, a Esfera vai-te retirar todo o domínio que ainda tens e o que pretendes vir a ter, sobre as novas terras de Hur. Diz-lhe que, eu, Ventor, nunca permitirei que seja restabelecido, em terras de Babilónia, o antigo poder de Marduk, mesmo que, para isso, tenhamos de fazer uma selecção natural, à força do poder do meu arco».

Este é parecido com o Antar

"O teu arco ventor"! Ripostou Marduk todo enervado. " Que julgas tu que poder tens no teu arco? O teu arco não é nada Ventor, comparado com o poder exibido por Marduk. Eu sim, tenho poder! A Esfera receia-me e não se quer intrometer em tudo o que eu me meto. Neste momento, Ventor, eu tenho a arma mais poderosa com que os terrenos nunca tinham sonhado antes. O TERROR. O terror, Ventor! Até tu andas aterrorizado. Ah! Ah! Ah!» ...

«Não te rias Marduk» - disse o Ventor sereno. «Com algum tempo e paciência, as flechas do meu arco, poderão, com eficácia, arrasar todas as tuas forças de terror. Numa flecha incendiária, terminarei, para sempre, com os ninhos de víboras que simbolizam o teu terror, Marduk. Mas não é isso que pretendo. Não te vou dar o prazer de veres a galáctea assistir, como tu dizes, ao grande espectáculo. No entanto Marduk, se assim tiver de ser, não serás enjaulado para khorsabad como já te aconteceu. Ficarás por longo tempo, afastado das lides terrenas, aprisionado noutra galáctea onde o bem e  a felicidade das suas gentes serão a tua tortura».

Assim terminou o Ventor a sua conversa com Marduk que, irado, partiu na sua quadriga celestial pensando pernoitar junto de Marte, para substituir os cavalos emprestados.

Ventor, de olhar fixo em Marduk, continuou a pensar nos malefícios que ele irá preparar nestas lindas terras babilónicas e, regressou ao local onde Diana o esperava.

Chegada junto de Diana

 

"Amor, companheiro, amigo!

Que se passou com Marduk?

Não quero que algum mal haja contigo,

Não deixes ele utilizar, qualquer truque"!

 

Por buracos negros de galácteas,

Marduk pensará seu obejectivo,

Manter-se em situações errácticas,

E preparar-se para lutar comigo.

 

Estarei pronto para qualquer embate,

No Éden onde este mundo nasceu,

Protegerei um novo Iraque

Terra de um mundo que já foi meu.

 

Sempre disputei com Marduk,

Não a terra, mas as mentes da gente.

Poderá utilizar qualquer truque,

Que eu o destruirei de repente.

 

Diana o mundo é duro e avesso,

A nossa vida vai ser árdua e dura.

Não permitirei que qualquer travesso,

Faça levantar mortos da sepultura.

 

Iraque nova terra de Babilónia,

Com forças do bem e do mal presentes,

Aqui lutarei sem alguma parcimónia,

Para preparar a liberdade às suas gentes.

 

Se para isso Marduk me obrigar,

Com meu arco, eu tudo enfrentarei.

Destruirei Marduk bem como Istar,

Mas como fazê-lo, ainda não sei.

Flores de amor e liberdade para as terras sagradas de Babilónia


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