segunda-feira, 2 de junho de 2003

A Fundação de Alexandria

 Ventor 02.06.03

O que o Ventor me conta!

Ouçam o que ele me diz! Vou contar-vos a história como o Ventor a contou a mim.

Alexandria, bem como outras cidades, foi mandada edificar por Alexandre Magno e tal como todas elas, faz parte desta Grande Caminhada do povo helénico que já se prolonga por milénios. Esta Marcha da Liberdade de Vangelis, leva-nos a caminhar por trilhos que desembocaram numa grande "estrada" construída por uma grande civilização a que os homens vieram a chamar de Helenismo. 

Alexandria foi uma cidade importante ao ponto de merecer a intervenção de grandes homens de diferentes civilizações, como Ptolomeu, Pompeu, outros gregos e romanos e gentes de outros quadrantes, mas a sua fama está na sua Biblioteca e na propagação do Helenismo

Disse-me o Ventor que, uma vez, dois milénios e tal para trás, o seu amigo Alexandre, ... aquele que ... (o Grande, sabeis!), encontrava-se numa praia, numa terra do Egipto, de pé, apoiando os seus braços na garupa do Bucéfalo a olhar o mar e a pensar nos seus próximos passos, quando o Ventor, em mais uma das suas surtidas pelo Planeta Terra se aproximou montado no seu cavalo branco, Antar. Alexandre largou o Bucéfalo, o Ventor, ainda afastado, largou o Antar e os dois cavalos começaram a correr um para o outro e começaram uma belíssima brincadeira, correndo, escabriolando, a par, pela praia fora, junto às águas do Mediterrâneo.

Localização de Alexandria, no Egipto, à beira-mar

Alexandre, ficou sorrindo, de braços cruzados, vendo os cavalos a correr enquanto o Ventor caminhava devagar, calçando umas sandálias gregas que deixavam entrar a areia seca a roçar-lhe a pele dos pés e, penetrando entre os dedos. O Ventor já estava a ficar danado por ter descido do Antar. Ele nunca gostou da areia seca das praias mas, também estava contente ao ver como o Bucéfalo e o Antar se davam tão bem. Alexandre ia olhando o Ventor pensando como começar uma conversa que nunca mais acabaria, sobre os desígnios que tinham levado Alexandre por terras do Egipto.

Nessa conversa, voltou a repetir ao Ventor, as razões porque pretendeu fazer-se Faraó do Egipto (depois fez um sinal com a cabeça, apontando para a aldeia de Rhakotis) e como ele, o seu novo Faraó, iria, sem qualquer dúvida, tornar-se inesquecível na história das gentes do Nilo.

O Ventor sorriu e não achou grande piada, por ele se dizer filho de deuses mas, como isso não era da sua conta e daí não viriam grandes males ao mundo, perguntou a Alexandre se achava que se tornaria realmente "grande" pelo facto de se tornar Faraó do Egipto, esquecendo-se que ainda iria ter de voltar a encontrar os persas pela frente e resolver o problema de Dario III que, para Alexandre, tinha cometido o maior crime de todos quando insultou seu pai (o rei Filipe da Macedónia, então, já morto).

Mas Alexandre, sempre pensativo, sentou-se na areia seca pegando num pauzinho também seco que tinha sido para ali transportado pelas ondas do mar Mediterrâneo e apontando o chão para o Ventor, começou a traçar sulcos na areia. O Ventor ajoelhou-se na areia e perguntou a Alexandre para que serviam aqueles gatafunhos rectos e curvos que ele continuava a traçar na areia seca. "O sistema não é bom" - disse Alexandre, ao ver que a areia de tão seca que estava, rolava puxada por uma maresia, logo entupindo os sulcos e, levantou-se dirigindo-se para a areia húmida, fazendo sinal ao Ventor para o acompanhar.

Foi ali, na areia húmida das costas do mar Mediterrãneo que Alexandre traçou para o Ventor aquilo que podia ser coinciderada a planta arquitectónica daquela que viria a ser a bela cidade de Alexandria.

Alexandre traçou e retraçou a areia e, por fim, virou-se para o Ventor e disse-lhe: "vês! Isto que vês aqui, é a planta daquela que, como tu já sabes, vai ser uma das mais importantes cidades deste mundo oriental".

Foto tirada da Wikpédia - . Marcos pregando em Alexandria

Depois levantou-se e com as sandálias começou a destruir a célebre planta da futura cidade de Alexandria, olhou o Ventor, apontou para a testa e disse: "já está aqui, se não fosse eu a destruí-la, seria o mar e, já tenho homem para realizar esta obra, tal como eu a quero. É o Dinocrates". «Sim, ele é bem capaz», disse o Ventor.           

Alexandre Magno montando o Bucéfalo

E o Ventor prosseguiu com a sua narrativa:

«Alexandre e eu encontrámos-nos ali, junto ao mar, nesse local, onde hoje fica a cidade de Alexandria e ficamos a olhar as ondas serenas do Mediterrâneo a fazerem a areia rebolar-se naquela espuma branca, onde as gentes da aldeia próxima, chamada Rhakotis se costumavam refrescar. O barulho que ouvíamos junto do mar, não era a água furiosa, era a a areia a rir às gargalhadas quando a água faz cócegas nas barriguinhas bojudas daqueles pedacinhos de rochas desfeitas pelo caminhar dos milénios, as areinhas que estavam sossegadas a apanhar sol. Nós conversávamos sobre aquela mania que o Alexandre teve de se fazer Faraó do grande Egipto, numa época desmoralizante para os egípcios, mas Alexandre era um teimoso e teria de levar a dele avante. E levou! Depois achou por bem acalmar a minha má vontade de não o apoiar nessa sua caminhada que levara a cabo algum tempo atrás, quando se entusiasmara pela rababa.

De repente, numa grande cavalgada pela praia fora, chegavam oficiais de Alexandre com más notícias. Dario III já tinha organizado um poderoso exército e preparava-se para correr, de vez, com Alexandre e as suas falanges das terras que considerava suas. No mar Egeu e no mar Negro, as marinhas reorganizaram-se e Dario concentrara o seu poder naval, em Halicarnasso, mas Alexandre não estava só e já conseguira que os barcos de Chipre se aliassem aos seus que já tinham destruído as marinhas fenícia e cartaginesa por causa do cerco de Tiro, na Fenícia.

Tiro tinha caído e Alexandre preparava-se para a eventualidade de voltar a ter as forças de Dario III pela frente. E foi isso! Em 6 de Abril de 331 AC, segundo as contas do Ventor, Alexandre deu ordens de marcha às suas falanges que voltaram a passar pela Fenícia rumo à Pérsia de Dario. Porém, antes de partir, deixou Dinocrates incumbido de construir a cidade de Alexandria, tal como ele pretendia.

Podia ser o interior da velha Biblioteca de Alexandria 

Essa cidade foi famosa, fundamentalmente, por se tornar um pólo cultural, com a sua grande Biblioteca, atravessando todo o tempo a que chamamos Helenismo e prosseguindo para além dele.

Por isso, hoje, recordo, o nascimento da bela cidade de Alexandria, porque segundo as contas do Ventor, faz 2.338 anos que Alexandre deixou para trás aquele belíssimo local e, por isso, deixo aqui a minha homenagem ao nascimento de Alexandria e à audácia de Alexandre Magno».


Alexandria, tal como o seu velho Farol, (obra de Emad Victor SHENOUDA) continua hoje a ser um Farol do mundo, através da sua Biblioteca 


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quinta-feira, 1 de maio de 2003

Cerco de Tiro


... por Alexandre Magno.

Fui ao baú do Quico e tinha lá isto. Mas tem ainda mais!

Já vos contei, por aqui, algumas histórias que ouvi ao Ventor sobre as guerras de Alexandre Magno. Creio que já vos falei no essencial das grandes batalhas terrestres dos macedónios de Alexandre, contra os persas de Dario, como a Batalha de Granico, a Batalha de Isso, a Batalha de Gaugamela, a Batalha de Hidaspes, ... mas, quase ninguém liga às batalhas navais de Alexandre.

Mas o Ventor falou-me de vários cercos à cidade fortaleza de Tiro, levados a cabo por várias potências do mundo antigo e alguns duraram alguns anos e, por várias razões, as forças sitiantes tiveram de levantar o cerco e retirar.

 

O Ventor contou-me que, o cerco de Alexandre à Fortaleza de Tiro, durou cerca de sete meses (foto Wiki)

Alexandre Magno, decidiu levar a guerra aos persas, por razões já explicadas noutras histórias que vos contei, mas ele sabia que, avançando com as suas forças pela Ásia Menor, apoiado pelos estados gregos (excluindo Esparta), deixara para trás, poderosos inimigos (e, alguns deles, já estavam à frente a apoiar os persas) que não viam com bons olhos a ascendência do macedónio na gestão política da coisa grega. Assim pensava que as suas forças deviam atacar numa abrangência total, não descorando, portanto, o poder naval dos seus inimigos persas e, também, o poder naval dos aliados dos persas.

A Fortaleza de Tiro, situada numa pequena ilha frente à costa da Fenícia (territórios que hoje formam o Estado do Líbano), separada do continente por cerca de 700 mts de mar com uma profundidade de cerca de dois metros nesse local, tinha sido, através dos séculos, praticamente inexpugnável e, conquistando-a, ele obteria uma base estratégica de grande importância para a sua caminhada na guerra, entre os gregos e os persas.

As cidades fenícias do continente, como Arado, Biblos e Sídon, acabaram por aceitar o domínio macedónio. Tiro enviou aquilo que hoje poderíamos chamar uma comissão ao encontro de Alexandre e comunicaram-lhe que os tirenses obedeceriam a tudo que Alexandre ordenasse e Alexandre concordou e disse aos enviados de Tiro que pretendia entrar na cidade e homenagear Hérculos (o Melkart dos tirenses) por aculturação. Os tirenses disseram que obedeceriam às outras propostas de Alexandre mas não admitiriam, nem persas, nem macedónios, na sua cidade. Ora Tiro, tinha uma poderosa frota naval na época e a sua flotilha, a mais forte da frota de Farnabazo, o Comandante Naval dos Persas e, essa frota era ainda apoiada por Cartago, a sua colónia, onde hoje fica a Tunísia.

Mas, Alexandre, tinha uma estratégia bem delineada! Como o Ventor fazia as suas caminhadas por aquela zona, ia observando o comportamento dos beligerantes em confronto e, Alexandre, sabendo disso e sabendo que os tirenses também não tinham vontade de permitir ao Ventor, entrar na sua cidade fortaleza, convidou o Ventor a assistir a um discurso político-militar que ia fazer para os seus generais, onde explicaria tudo sobre a sua estratégia. Alexandre explicou que tinham de avançar sobre a Pérsia na perseguição de Dario até o vencer mas, deixar a grande frota persa à vontade, no Mediterrâneo, apoiada por bases como Tiro, Chipre e Egipto, seria entregar o ouro aos bandidos. Segundo Alexandre, essa frota com alguns reforços e com a possível colaboração de Esparta e a indecisão de Atenas, poderia voltar à Grécia onde lançaria novos campos de batalha, obrigando Alexandre a desviar-se do seu objectivo ou a dividir as suas forças. Também não seria boa ideia avançar rumo ao Egipto e deixar atrás, a frota de Tiro a ameaçar a sua retaguarda e as suas linhas de comunicação


Foi a guerra total para a época, nesta pequena ilha, frente à costa da Fenícia (foto Wiki)

Por essas e outras razões, haveria a necessidade absoluta de capturar a cidade fortaleza de Tiro e a sua frota, obter o apoio das frotas da Fenícia e de Chipre, fosse porque meios fosse e conquistar o Egipto, obtendo, assim, a talassocracia completa nos mares, com a frota greco-macedónica a comandar os apoios das marinhas fenícia, cipriota e egípcia.

Todos se convenceram do hêxito desta estratégia e, Alexandre, mais ainda, quando sonhou que Hércules o guiaria até à cidade de Tiro.

Este cerco durou de Janeiro a Julho do ano de 332 A.C. e disse-me o Ventor, foi um terrível cerco, cheio de engenhosidade e heroísmo entre os beligerantes, mas o seu amigo Alexandre levou a melhor. Alexandre trabalhou ao lado dos seus homens, na construção de um aterro com cerca de 700 metros que permitiria levar as catapultas até perto das muralhas, mas os tirenses com as suas catapultas, arqueiros e trirremes, infligiram baixas nos homens de Alexandre e fizeram interromper os trabalhos. 

Porém, Alexandre que mandou construir torres de duas rodas, atacou as muralhas de Tiro e as trirremes com tiros de catapulta, conseguindo fazer o aterro e aproximar-se das muralhas mas os tirenses usando um enorme brulote incendiado e empurrado em direcção do aterro, incendiou as torres e as tropas de apoio incendiaram todos os equipamentos de cerco das forças de Alexandre.


Mas, os macedónios e os gregos, comandados sempre por Alexandre, ficaram os senhores da ROCHA (foto Wiki)

Alexandre deixou os seus homens na construção de um aterro mais largo, mais equipamentos de cerco e torres e, como os tirenses dominavam o mar, Alexandre foi em busca de trirremes para reforçar a sua marinha e, assim, pelo verão de 332 A.C., 80 navios de guerra fenícios e 120 navios de guerra cipriotas, submeteram-se a Alexandre que adoptara uma atitude pacífica de liberalização das suas gentes, reunindo uma poderosa frota naval na cidade de Sídon a cerca de 30-40 kms de Tiro e não descorando a segurança das madeiras dos cedros do Líbano.

Os tirenses lançaram rochedos junto às muralhas para que os barcos de Alexandre não se aproximassem das muralhas, mas Alexandre mandou arrastar essas rochas de lá e navios carregados com vários equipamentos de cerco atacaram as muralhas da grande fortaleza. Os tirenses lançaram um ataque à frota cipriota num dos seus ancoradouros com algum sucesso, mas Alexandre interceptou-os e destruiu a maior parte deles, ganhando assim o controlo do mar e entretinha as suas forças a testar vários pontos da muralha para um futuro ataque, ao mesmo tempo que mantinha os tirenses sob uma tensão psíquica destruidora.

Assim, depois de tanta pressão, os fenícios destruíram os botalós que bloqueavam um dos ancoradouros e destruíram os navios tirenses. Os cipriotas capturaram mais um ancoradouro e conseguiram entrar na cidade enquanto os macedónios com as suas máquinas de cerco, em navios e torres, destruíam as muralhas e iniciaram o assalto cheios de ódio por os tirenses terem matado os macedónios aprisionados e os terem lançado ao mar, em frente do seu acampamento. No final da contenda, foram calculados 8.000 tirenses mortos e o resto da população, cerca de 30.000, feitos escravos e os macedónios terão tido cerca de 400 mortos e cerca de 3.000 feridos.

O Rei de Tiro, os seus nobres e alguns cartagineses enviados para proteger Tiro, numa missão sagrada, foram perdoados junto ao altar de Hércules.


O Herácles grego, ou Hércules romano, ou MelKart dos tirenses, frequentemente chamado Baal, era o Senhor de Tiro (foto Wiki)

Depois de destruída a fortaleza de Tiro, Alexandre seguiu para o Egipto, onde se proclamou Faraó, tarefa nada difícil porque os egípcios tinham alguma consideração pelos gregos e consideraram que os gregos os foram libertar dos persas dominadores.

Foi a partir da tomada de Tiro que Alexandre Magno se dedicou à rababa. Pode ver aqui, Alexandre e a Rababa


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quinta-feira, 20 de março de 2003

Regresso a Babilónia

  Ventor 20.03.03

Depois de conquistarem Ninive, Ventor desligou-se das pilhagens da guerra, levadas a cabo pelas hordas de Nabopolassar e foi ao encontro de Diana que, juntos, de arco e flecha, desceram pelas margens do rio Eufrates apreciando as paisagens que por lá desfrutavam. De dia iluminados por Apolo e, de noite, Diana deslumbrava o Ventor com a mais bela luz de luar que jamais iluminou a terra.

As flores estavam por todos os lados e Diana disse ao Ventor que, se houve flores para Ninive, também as haveria com fartura para alegrar os seus caminhos de regresso a Babilónia.

Lindas flores que Diana colocou nos caminhos do Ventor, no seu regresso a Babilónia

E foi assim que o Ventor me contou esse regresso:

 
 Junto ao Eufrates, rio azul,  Junto ao rio Nabopolassar estava, 
 De orvalhadas choram as flores  Com pedrinhas para a água a atirar.
 Multicoloridas, junto a um paúl,  E para o centro do circo apontava,
 Parecem chamar os seus amores  O centro do reino vai ali começar.
 
 Ventor e Diana ao nascer da aurora Isto deixou o Ventor sorridente, 
 Avançam juntos para uma caçada,  E Diana lançou gargalhadas.
 A água corrente parece que chora  Parece que o reino estava contente,
 E os passarinhos fazem chilreada  Pois era senhor das batalhas travadas.
 
 Olha, Ventor, já canta um grilo!  Em Nemrod tinha um suporte,
 Grita Diana num grande sorriso.  No fero Ventor tinha um amigo.
 Olha que lindo! O que é aquilo?  A um e a outro não os leva a morte
 É Nabopolassar com pouco juízo!  Ficaram por cá para dar o castigo

domingo, 2 de março de 2003

A Conquista de Ninive


Na passagem do Ventor por Ninive, Diana semeou flores por todo o lado e disse ao Ventor que eram "flores para Ninive".

 Diana envia Flores para Ninive

Foi assim que o Ventor me contou a tomada de Ninive

Ao som das trombetas de Nabopolassar

Se movem homens, animais e carroças.

Nas margens do Eufrates estão a passar,

E se ouvem berrar camelos de bossas!

 

Junto ao grande rio, lento e sereno,

Que já prestou homenagem a Nemrod,

Se espelha nas águas, um leão pequeno,

Que do seu pêlo a poeira sacode.

 

Logo um frecheiro aponta seu arco,

Flecha na mão p'ra ferir o animal,

Escorregou na areia e caiu num charco,

Não sofrendo o bicho qualquer mal.

 

Subindo os outeiros rumo a norte,

Deixando para trás um lastro de pó,

Poderoso exército com grande suporte,

E a seu lado, Ventor sempre só!

 

Nas altas colinas sorria Diana,

Perante nuvens que em frente se movem,

Cabelos ao vento, a ninguém engana,

Pede ao ventor que seus lábios provem.

 

Junto a Ninive o exército faz alto,

Cada um se amanha conforme pode,

E, logo em frente, noutro planalto,

Se encontra Ventor com Nemrod.

 

Amigos de sempre, nunca esquecidos,

Por outros amigos de outros combates,

Perante o inimigo, nunca estão perdidos,

E nunca cometem quaisquer dislates.

 

Apontam os arcos, direito à cidade,

E pôem em marcha seus esquadrões,

Assaltam muralhas que, na verdade,

Escondem o medo de seus guardiões.

 

Ventor irado, forte e sisudo,

Fixa Nemrod, na sua tristeza,

A cidade que ele construíu e tudo,

Caía assaltada, devido à avareza.

 

Num chão de pó e cheiro a queimado,

Encontrou Ventor, Sinsariskun, ledo,

Avançou num porte, erecto e irado,

E Sinsarisckun se apossou do medo.

 

E, quando já tudo, parecia acabar,

Vindo do tempo, entrou Nemrod.

«Esta terra é de Nabopolassar,

Ele a governa porque ele pode!


Tudo en volta, é terra de kush,

Todo o meu reino me custou a criar.

Linda e bela, era Babilónia!

Todos os inimigos eu vou arrasar.

E para todos, sem parsimónia,

Haverá a lança de Nabopolassar»!

 Diana prepara-se para caçar, mas ...


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domingo, 2 de fevereiro de 2003

Ventor e Nabopolassar

 Ventor 02.02.03

Uma vez, meus amigos, ouvi o Ventor contar façanhas da sua vida por terras de Babilónia, que hoje fazem parte do moderno Iraque.

Por isso, eu estou de garras nas teclas para vos contar as suas façanhas. O Ventor, era amigo das gentes da então Mesopotâmia e ele era doido pelos seus rios, especialmente, o Eufrates, mas também do Tigre e ficava como que paranóico ao desfrutar das neves que cobriam as montanhas geladas do norte, hoje, terras dos Curdos.

O Ventor não esquece os amigos que corriam aquelas montanhas atrás das cabras que hoje já não há, de cavalos, ovelhas e demais bicharada que, já, na altura, eram fonte de rendimento das suas gentes. Mas, também é verdade, que houve sempre choques tremendos, entre as gentes dos vales e das montahas - e olhem que, nessa altura, ainda não se tinha descoberto o petróleo!

Stela de Istar

Nas suas deambulações pelas terras dos caldeus, há amigos que ele nunca esquece, como o destemido Nemrod, o inteligente codista Hamurabi, aqueles guerreiros, Nabopolassar, Nabucodonosor II e outros.

Pois é. O Ventor conheceu Nabopolassar, Sátrapa da Babilónia, então, na dependência do rei da Assíria, o terível Sinsariskun. Os assírios que já tinham conquistado Babilónia e pretendiam fazer uma política de expansão com as suas gentes locais agregadas, nomearam o babilónio, Nabopolassar, Sátrapa da Babilónia conquistada e, Sinsariskun, enviou-o para combater os bárbaros que, com poderosas esquadras, comandadas por piratas, ameaçavam as suas costas.

Nabu - deus do saber e da cultura

No princípio, Nabopolassar, cumpria, rigorosamente, as ordens emanadas de Ninive mas, depois de muito matutar, entendeu que ele teria de defender Babilónia dos assírios e não daqueles a quem os assírios chamavam piratas. Afinal, aqueles piratas não estavam interessados em fazer mal às gentes babilónicas, mas às gentes dominadoras e carniceiras da Assíria.

Um dia, no caminho de Ninive para Babilónia, junto ao rio Eufrates, um grupo de homens cavalgando cavalos e camelos, montaram arraiais à sombra de chorões, nas suas margens. Debaixo de um chorão, numa bela sombra de um calorento dia, dormia o Ventor com o seu arco encostado ao seu corpo. Um dos cavaleiros acabados de chegar aproximou-se vagarosamente do corpo estendido do Ventor, aproveitando para lhe tirar o arco, mas o cavalo branco do Ventor, Antar, um fiel companheiro das suas caminhadas, saíu debaixo de outro chorão e com os dentes, pegou o cavaleiro pelos cabelos e levantou-o no ar. Quando os outros se aproximaram em auxílio do companheiro, já o Ventor tinha o primeiro do grupo, na mira do seu arco. O primeiro do grupo era, exactamente, Nabopolassar! Nabopolassar, informou o Ventor que aquelas terras eram suas, pois elas eram uma legação dos seus antepassados.

O Ventor respondeu-lhe que não lhe reconhecia direitos sobre aquelas terras, pois elas eram as terras onde o seu amigo Nemrod tinha deixado, para sempre, as suas ossadas.

Nabopolassar, disse ao Ventor que tinha sido incumbido pelo rei Sinsariskun de dar luta aos bárbaros e era isso que ia fazer, levantando um exército babilónico e dirigir-se para a confluência dos rios. Mas o Ventor que não gostava dos bárbaros e gostava menos ainda de Sinsariskun, disse a Nabopolassar, para analisar bem a situação, pois não lhe agradava nada ver as terras do seu amigo Nemrod na posse dos assírios.

 

Os assírios eram terríveis

Nabopolassar, ao ver a insistência do Ventor em nomear o seu amigo Nemrod, por sinal, um ascendente seu, de Nabopolassar, começou logo a pensar naquilo que o Ventor lhe dissera e convidou-o a acompanhá-lo e, juntos, enfrentarem os bárbaros. Ventor avançou com Nabopolassar e seus homens rumo à confluência dos rios e apanharam, de surpresa, os bárbaros, não deixando que as suas esquadras se lançassem às águas do Golfo. Os bárbaros que iniciaram conversas com Nabopolassar e Ventor, ofereceram os seus serviços a Nabopolassar e dispuseram-se a ajudá-lo a tomar Ninive de assalto.

Nabopolassar perguntou ao Ventor se, perante esta nova situação, achava bem que os descendentes de Nemrod tomassem conta das suas terras e corressem com os assírios da sua terra sagrada. O Ventor disse-lhe que sim e poderia contar com ele, o seu arco e o seu cavalo Antar, para as grandes batalhas que se iam aproximar.

Já com forças suficientes, ao receber o apoio dos bárbaros e do terrível arco do Ventor, Nabopolassar, proclamou a independência de Babilónia e desencadeou várias lutas contra os assírios, propondo-se capturar a cidade de Ninive e o seu rei Sinsariskun. Para isso, aliou-se aos adversários dos assírios e fez uma aliança com Ciaxares, rei dos Medos que já tinha vencido os assírios em várias batalhas, obrigando Sinsariskun a refugiar-se em Ninive, colocando todo o seu poderoso dispositivo militar em redor da grande cidade, pronto a defende-la, até à morte.

Diana chorava ao saber da atitude do Ventor, ao prontificar-se para ajudar Nabopolassar a organizar um poderoso exército e darem luta aos não menos poderosos assírios. Organizava-se assim o assalto a uma das mais poderosas fortificações do planeta Terra, na altura - Ninive.


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