quinta-feira, 5 de junho de 2003

Alexandre e a rababa

Disse-me que, o seu grande amigo, Alexandre Magno, já era um admirador destes instrumentos que foi encontrando à medida que caminhava nos desertos das suas invasões.

 Pilares da Civilização Helénica, carregada por Alexandre Magno e a sua gente até à Índia

Alexandre era um sonhador, cheio de boa fé e de vontade de melhorar o mundo do seu tempo. Ele chegou a enfrentar os persas sempre convencido que só um milagre permitiria que ele não cairia nas suas mãos. Sendo afoito e destemido, enfrentou-os na velha Grécia e, não satisfeito, avançou sobre a Ásia Menor e foi esmaga-los na sua própria terra. Os poderosos reis persas, gostavam de colocar o pezinho na Europa mas os nossos amigos gregos não lhes deram quaisquer hipóteses.

Também com o Ventor montado no seu cavalo branco alado, o seu Antar, sempre ao lado de Alexandre e a dar-lhe força, mal seria que os persas levassem a melhor!

Alexandre,  após a batalha de Isso. A família de Dario frente a Alexandre Magno

Mas as guerras, não são só feitas de pancadaria e mortes. Tudo que a humanidade transporta em si, seja um lindo sorriso aberto, sejam as suas tristezas ou as suas alegrias, o seu instinto maléfico ou amor para partilhar, nas invasões de Alexandre ao império persa, tudo aconteceu. E, quando Alexandre derivou para o Egipto onde foi aclamado como um grande Faraó, ele conheceu a rababa, um instrumento de música e de que vos vou falar como o Ventor me falou e foi assim:

«como todos sabem, o meu amigo Alexandre, andou pela Pérsia e pelo Egipto. No Oásis e santuário faraónico de Siuwa, foi aclamado como Faraó do Egipto. A caminho de Siuwa, encontrou uns nómadas beduínos e, na mão de um deles, viu um instrumento de música a que chamavam rababa.

Alexandre gostou do som e pagou uma quinhenta de cobre ao Beduíno para lho tocar enquanto ele descansava o seu espírito a pensar como resolver, a contendo de todos, os problemas do império já conquistado e no que haveria ainda para além das dunas que já encontrara.

O Beduino tocou até Alexandre adormecer, depois, pé ante pé, levantou-se e ia tratar do seu próprio descanso, pois passara uma tarde inteira a tocar para o "novo Faraó" e também estava com sono. Alexandre, sorrateiramente diz:"onde pensas que vais? Ainda não estou cansado de te ouvir, estou apenas com os olhos fechados"! O Beduíno, atrapalhado, pediu-lhe para o deixar descansar e já lhe dava a rababa e tudo!

Alexandre reparou nas olheiras do beduíno e não via nenhum sinal de cansaço. Pergunta para os deuses porque raio tiveram de fazer aquela gente diferente pois, assim, não conseguia ver se estavam a mentir. Depois pensou que se fosse um macedónio não se deixava enganar mas, como era um Beduíno e não dava para ver as olheiras devido à sua pele escura, achou que seria injusto se o homem estava a falar verdade. Por isso, fez-lhe uma proposta quando viu o braço estendido do Beduíno a entregar-lhe a rababa. "Está bem, fico com ela, mas tenho de ficar contigo também! Pago-te bem para tocares para mim e acompanhares-me para onde eu fôr". O Beduíno disse-lhe: "sim, senhor, mas agora só quero dormir".

Alexandre adormeceu e o beduíno ficou, deitado no chão, encostado à tarimba de Alexandre e agarrado à sua rababa. No dia seguinte, quando Alexandre acordou, reparou no instrumento e comprou-o ao beduíno por 10 talentos de ouro. Levou a rababa e deixou o Beduíno acompanhar a sua família e o seu Clã, na amanha das suas cabras e dos seus camelos.

O Ventor e Alexandre encontraram-se no caminho do Santuário de Siuwa e foi aí que Alexandre lhe contou esta história entre si, o beduíno e a rababa. Depois Alexandre rematou:

"Ventor, ele arranja outra e eu não estraguei o seu grupo, deixei-o partir"!

 Um Rababa magrebina. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported 

O Ventor disse a Alexandre (que pensava ser a rababa um instrumento único) que iria encontrar muitas rababas pelos caminhos que iria seguir e assim foi! Ao chegar a terras de Babilónia, encontrou outros instrumentos iguais. Ainda hoje não se sabe se a Rababa é de origem Egípcia ou Persa. O Ventor diz que a encontrou sempre por todo o velho mundo e, até Nabopolassar, pelas margens do Eufrates, adormecia com o seu som.

Sabe-se sim, que ela foi o ser caminhante que tem trilhado as dunas dos desérticos arábicos e africanos, todo o Sael e continua caminhando por todas as terras pisadas pelas gentes do islão e, como eles, foi saltitando de ilha em ilha, pelo Índico e pelo Pacífico e, até o Louco da Malásia, gostava de ouvir os seus acordes.

A Rababa é parente da Rabeca europeia medieval, podendo ser mesmo a sua progenitora! É constituída por uma, duas ou três cordas. São feitas de madeira e tem uma barriga de madeira ou de pele de carneiro e podem ser rectangulares, trapezoidais ou redondas e é um belíssimo instrumento musical usado pelos beduínos e pelos povos árabes, fundamentalmente, os egípcios e os marroquinos.

As músicas arábico-andaluzes foram introduzidas por Abu Hassan Ali Bem Nafi, conhecido como Ziriab. Este famoso cantor e compositor imigrou de Bagdad para a Espanha mourisca no séc. IX. Foi ele o fundador da música clássica marroquina, música essencialmente andaluz, entre os séc. X e XV.

Mas diz o Ventor que era uma alegria ver Alexandre e toda a comitiva de macedónios e demais gregos ao lado dos persas conquistados, cantarem e dançarem ao som da rababa, à sombra, junto dos muros tristes do grande palácio de Nabuco e debaixo de chorões que muitas vezes fizeram sombra nas sestas do Ventor e Diana. Foram rababas marroquinas, séculos depois, iguais às que o Ventor e Alexandre viram por terras babilónicas e persas, as mesmas que deram vidas alegres nos palácios e nos átrios da velha Andaluzia, mesmo no tempo em que Cid, El Campeador, se refugiara nas terras, então, mouriscas.


1 comentário


segunda-feira, 2 de junho de 2003

A Fundação de Alexandria

 Ventor 02.06.03

O que o Ventor me conta!

Ouçam o que ele me diz! Vou contar-vos a história como o Ventor a contou a mim.

Alexandria, bem como outras cidades, foi mandada edificar por Alexandre Magno e tal como todas elas, faz parte desta Grande Caminhada do povo helénico que já se prolonga por milénios. Esta Marcha da Liberdade de Vangelis, leva-nos a caminhar por trilhos que desembocaram numa grande "estrada" construída por uma grande civilização a que os homens vieram a chamar de Helenismo. 

Alexandria foi uma cidade importante ao ponto de merecer a intervenção de grandes homens de diferentes civilizações, como Ptolomeu, Pompeu, outros gregos e romanos e gentes de outros quadrantes, mas a sua fama está na sua Biblioteca e na propagação do Helenismo

Disse-me o Ventor que, uma vez, dois milénios e tal para trás, o seu amigo Alexandre, ... aquele que ... (o Grande, sabeis!), encontrava-se numa praia, numa terra do Egipto, de pé, apoiando os seus braços na garupa do Bucéfalo a olhar o mar e a pensar nos seus próximos passos, quando o Ventor, em mais uma das suas surtidas pelo Planeta Terra se aproximou montado no seu cavalo branco, Antar. Alexandre largou o Bucéfalo, o Ventor, ainda afastado, largou o Antar e os dois cavalos começaram a correr um para o outro e começaram uma belíssima brincadeira, correndo, escabriolando, a par, pela praia fora, junto às águas do Mediterrâneo.

Localização de Alexandria, no Egipto, à beira-mar

Alexandre, ficou sorrindo, de braços cruzados, vendo os cavalos a correr enquanto o Ventor caminhava devagar, calçando umas sandálias gregas que deixavam entrar a areia seca a roçar-lhe a pele dos pés e, penetrando entre os dedos. O Ventor já estava a ficar danado por ter descido do Antar. Ele nunca gostou da areia seca das praias mas, também estava contente ao ver como o Bucéfalo e o Antar se davam tão bem. Alexandre ia olhando o Ventor pensando como começar uma conversa que nunca mais acabaria, sobre os desígnios que tinham levado Alexandre por terras do Egipto.

Nessa conversa, voltou a repetir ao Ventor, as razões porque pretendeu fazer-se Faraó do Egipto (depois fez um sinal com a cabeça, apontando para a aldeia de Rhakotis) e como ele, o seu novo Faraó, iria, sem qualquer dúvida, tornar-se inesquecível na história das gentes do Nilo.

O Ventor sorriu e não achou grande piada, por ele se dizer filho de deuses mas, como isso não era da sua conta e daí não viriam grandes males ao mundo, perguntou a Alexandre se achava que se tornaria realmente "grande" pelo facto de se tornar Faraó do Egipto, esquecendo-se que ainda iria ter de voltar a encontrar os persas pela frente e resolver o problema de Dario III que, para Alexandre, tinha cometido o maior crime de todos quando insultou seu pai (o rei Filipe da Macedónia, então, já morto).

Mas Alexandre, sempre pensativo, sentou-se na areia seca pegando num pauzinho também seco que tinha sido para ali transportado pelas ondas do mar Mediterrâneo e apontando o chão para o Ventor, começou a traçar sulcos na areia. O Ventor ajoelhou-se na areia e perguntou a Alexandre para que serviam aqueles gatafunhos rectos e curvos que ele continuava a traçar na areia seca. "O sistema não é bom" - disse Alexandre, ao ver que a areia de tão seca que estava, rolava puxada por uma maresia, logo entupindo os sulcos e, levantou-se dirigindo-se para a areia húmida, fazendo sinal ao Ventor para o acompanhar.

Foi ali, na areia húmida das costas do mar Mediterrãneo que Alexandre traçou para o Ventor aquilo que podia ser coinciderada a planta arquitectónica daquela que viria a ser a bela cidade de Alexandria.

Alexandre traçou e retraçou a areia e, por fim, virou-se para o Ventor e disse-lhe: "vês! Isto que vês aqui, é a planta daquela que, como tu já sabes, vai ser uma das mais importantes cidades deste mundo oriental".

Foto tirada da Wikpédia - . Marcos pregando em Alexandria

Depois levantou-se e com as sandálias começou a destruir a célebre planta da futura cidade de Alexandria, olhou o Ventor, apontou para a testa e disse: "já está aqui, se não fosse eu a destruí-la, seria o mar e, já tenho homem para realizar esta obra, tal como eu a quero. É o Dinocrates". «Sim, ele é bem capaz», disse o Ventor.           

Alexandre Magno montando o Bucéfalo

E o Ventor prosseguiu com a sua narrativa:

«Alexandre e eu encontrámos-nos ali, junto ao mar, nesse local, onde hoje fica a cidade de Alexandria e ficamos a olhar as ondas serenas do Mediterrâneo a fazerem a areia rebolar-se naquela espuma branca, onde as gentes da aldeia próxima, chamada Rhakotis se costumavam refrescar. O barulho que ouvíamos junto do mar, não era a água furiosa, era a a areia a rir às gargalhadas quando a água faz cócegas nas barriguinhas bojudas daqueles pedacinhos de rochas desfeitas pelo caminhar dos milénios, as areinhas que estavam sossegadas a apanhar sol. Nós conversávamos sobre aquela mania que o Alexandre teve de se fazer Faraó do grande Egipto, numa época desmoralizante para os egípcios, mas Alexandre era um teimoso e teria de levar a dele avante. E levou! Depois achou por bem acalmar a minha má vontade de não o apoiar nessa sua caminhada que levara a cabo algum tempo atrás, quando se entusiasmara pela rababa.

De repente, numa grande cavalgada pela praia fora, chegavam oficiais de Alexandre com más notícias. Dario III já tinha organizado um poderoso exército e preparava-se para correr, de vez, com Alexandre e as suas falanges das terras que considerava suas. No mar Egeu e no mar Negro, as marinhas reorganizaram-se e Dario concentrara o seu poder naval, em Halicarnasso, mas Alexandre não estava só e já conseguira que os barcos de Chipre se aliassem aos seus que já tinham destruído as marinhas fenícia e cartaginesa por causa do cerco de Tiro, na Fenícia.

Tiro tinha caído e Alexandre preparava-se para a eventualidade de voltar a ter as forças de Dario III pela frente. E foi isso! Em 6 de Abril de 331 AC, segundo as contas do Ventor, Alexandre deu ordens de marcha às suas falanges que voltaram a passar pela Fenícia rumo à Pérsia de Dario. Porém, antes de partir, deixou Dinocrates incumbido de construir a cidade de Alexandria, tal como ele pretendia.

Podia ser o interior da velha Biblioteca de Alexandria 

Essa cidade foi famosa, fundamentalmente, por se tornar um pólo cultural, com a sua grande Biblioteca, atravessando todo o tempo a que chamamos Helenismo e prosseguindo para além dele.

Por isso, hoje, recordo, o nascimento da bela cidade de Alexandria, porque segundo as contas do Ventor, faz 2.338 anos que Alexandre deixou para trás aquele belíssimo local e, por isso, deixo aqui a minha homenagem ao nascimento de Alexandria e à audácia de Alexandre Magno».


Alexandria, tal como o seu velho Farol, (obra de Emad Victor SHENOUDA) continua hoje a ser um Farol do mundo, através da sua Biblioteca 


1 comentário

quinta-feira, 1 de maio de 2003

Cerco de Tiro


... por Alexandre Magno.

Fui ao baú do Quico e tinha lá isto. Mas tem ainda mais!

Já vos contei, por aqui, algumas histórias que ouvi ao Ventor sobre as guerras de Alexandre Magno. Creio que já vos falei no essencial das grandes batalhas terrestres dos macedónios de Alexandre, contra os persas de Dario, como a Batalha de Granico, a Batalha de Isso, a Batalha de Gaugamela, a Batalha de Hidaspes, ... mas, quase ninguém liga às batalhas navais de Alexandre.

Mas o Ventor falou-me de vários cercos à cidade fortaleza de Tiro, levados a cabo por várias potências do mundo antigo e alguns duraram alguns anos e, por várias razões, as forças sitiantes tiveram de levantar o cerco e retirar.

 

O Ventor contou-me que, o cerco de Alexandre à Fortaleza de Tiro, durou cerca de sete meses (foto Wiki)

Alexandre Magno, decidiu levar a guerra aos persas, por razões já explicadas noutras histórias que vos contei, mas ele sabia que, avançando com as suas forças pela Ásia Menor, apoiado pelos estados gregos (excluindo Esparta), deixara para trás, poderosos inimigos (e, alguns deles, já estavam à frente a apoiar os persas) que não viam com bons olhos a ascendência do macedónio na gestão política da coisa grega. Assim pensava que as suas forças deviam atacar numa abrangência total, não descorando, portanto, o poder naval dos seus inimigos persas e, também, o poder naval dos aliados dos persas.

A Fortaleza de Tiro, situada numa pequena ilha frente à costa da Fenícia (territórios que hoje formam o Estado do Líbano), separada do continente por cerca de 700 mts de mar com uma profundidade de cerca de dois metros nesse local, tinha sido, através dos séculos, praticamente inexpugnável e, conquistando-a, ele obteria uma base estratégica de grande importância para a sua caminhada na guerra, entre os gregos e os persas.

As cidades fenícias do continente, como Arado, Biblos e Sídon, acabaram por aceitar o domínio macedónio. Tiro enviou aquilo que hoje poderíamos chamar uma comissão ao encontro de Alexandre e comunicaram-lhe que os tirenses obedeceriam a tudo que Alexandre ordenasse e Alexandre concordou e disse aos enviados de Tiro que pretendia entrar na cidade e homenagear Hérculos (o Melkart dos tirenses) por aculturação. Os tirenses disseram que obedeceriam às outras propostas de Alexandre mas não admitiriam, nem persas, nem macedónios, na sua cidade. Ora Tiro, tinha uma poderosa frota naval na época e a sua flotilha, a mais forte da frota de Farnabazo, o Comandante Naval dos Persas e, essa frota era ainda apoiada por Cartago, a sua colónia, onde hoje fica a Tunísia.

Mas, Alexandre, tinha uma estratégia bem delineada! Como o Ventor fazia as suas caminhadas por aquela zona, ia observando o comportamento dos beligerantes em confronto e, Alexandre, sabendo disso e sabendo que os tirenses também não tinham vontade de permitir ao Ventor, entrar na sua cidade fortaleza, convidou o Ventor a assistir a um discurso político-militar que ia fazer para os seus generais, onde explicaria tudo sobre a sua estratégia. Alexandre explicou que tinham de avançar sobre a Pérsia na perseguição de Dario até o vencer mas, deixar a grande frota persa à vontade, no Mediterrâneo, apoiada por bases como Tiro, Chipre e Egipto, seria entregar o ouro aos bandidos. Segundo Alexandre, essa frota com alguns reforços e com a possível colaboração de Esparta e a indecisão de Atenas, poderia voltar à Grécia onde lançaria novos campos de batalha, obrigando Alexandre a desviar-se do seu objectivo ou a dividir as suas forças. Também não seria boa ideia avançar rumo ao Egipto e deixar atrás, a frota de Tiro a ameaçar a sua retaguarda e as suas linhas de comunicação


Foi a guerra total para a época, nesta pequena ilha, frente à costa da Fenícia (foto Wiki)

Por essas e outras razões, haveria a necessidade absoluta de capturar a cidade fortaleza de Tiro e a sua frota, obter o apoio das frotas da Fenícia e de Chipre, fosse porque meios fosse e conquistar o Egipto, obtendo, assim, a talassocracia completa nos mares, com a frota greco-macedónica a comandar os apoios das marinhas fenícia, cipriota e egípcia.

Todos se convenceram do hêxito desta estratégia e, Alexandre, mais ainda, quando sonhou que Hércules o guiaria até à cidade de Tiro.

Este cerco durou de Janeiro a Julho do ano de 332 A.C. e disse-me o Ventor, foi um terrível cerco, cheio de engenhosidade e heroísmo entre os beligerantes, mas o seu amigo Alexandre levou a melhor. Alexandre trabalhou ao lado dos seus homens, na construção de um aterro com cerca de 700 metros que permitiria levar as catapultas até perto das muralhas, mas os tirenses com as suas catapultas, arqueiros e trirremes, infligiram baixas nos homens de Alexandre e fizeram interromper os trabalhos. 

Porém, Alexandre que mandou construir torres de duas rodas, atacou as muralhas de Tiro e as trirremes com tiros de catapulta, conseguindo fazer o aterro e aproximar-se das muralhas mas os tirenses usando um enorme brulote incendiado e empurrado em direcção do aterro, incendiou as torres e as tropas de apoio incendiaram todos os equipamentos de cerco das forças de Alexandre.


Mas, os macedónios e os gregos, comandados sempre por Alexandre, ficaram os senhores da ROCHA (foto Wiki)

Alexandre deixou os seus homens na construção de um aterro mais largo, mais equipamentos de cerco e torres e, como os tirenses dominavam o mar, Alexandre foi em busca de trirremes para reforçar a sua marinha e, assim, pelo verão de 332 A.C., 80 navios de guerra fenícios e 120 navios de guerra cipriotas, submeteram-se a Alexandre que adoptara uma atitude pacífica de liberalização das suas gentes, reunindo uma poderosa frota naval na cidade de Sídon a cerca de 30-40 kms de Tiro e não descorando a segurança das madeiras dos cedros do Líbano.

Os tirenses lançaram rochedos junto às muralhas para que os barcos de Alexandre não se aproximassem das muralhas, mas Alexandre mandou arrastar essas rochas de lá e navios carregados com vários equipamentos de cerco atacaram as muralhas da grande fortaleza. Os tirenses lançaram um ataque à frota cipriota num dos seus ancoradouros com algum sucesso, mas Alexandre interceptou-os e destruiu a maior parte deles, ganhando assim o controlo do mar e entretinha as suas forças a testar vários pontos da muralha para um futuro ataque, ao mesmo tempo que mantinha os tirenses sob uma tensão psíquica destruidora.

Assim, depois de tanta pressão, os fenícios destruíram os botalós que bloqueavam um dos ancoradouros e destruíram os navios tirenses. Os cipriotas capturaram mais um ancoradouro e conseguiram entrar na cidade enquanto os macedónios com as suas máquinas de cerco, em navios e torres, destruíam as muralhas e iniciaram o assalto cheios de ódio por os tirenses terem matado os macedónios aprisionados e os terem lançado ao mar, em frente do seu acampamento. No final da contenda, foram calculados 8.000 tirenses mortos e o resto da população, cerca de 30.000, feitos escravos e os macedónios terão tido cerca de 400 mortos e cerca de 3.000 feridos.

O Rei de Tiro, os seus nobres e alguns cartagineses enviados para proteger Tiro, numa missão sagrada, foram perdoados junto ao altar de Hércules.


O Herácles grego, ou Hércules romano, ou MelKart dos tirenses, frequentemente chamado Baal, era o Senhor de Tiro (foto Wiki)

Depois de destruída a fortaleza de Tiro, Alexandre seguiu para o Egipto, onde se proclamou Faraó, tarefa nada difícil porque os egípcios tinham alguma consideração pelos gregos e consideraram que os gregos os foram libertar dos persas dominadores.

Foi a partir da tomada de Tiro que Alexandre Magno se dedicou à rababa. Pode ver aqui, Alexandre e a Rababa


2 comentários

quinta-feira, 20 de março de 2003

Regresso a Babilónia

  Ventor 20.03.03

Depois de conquistarem Ninive, Ventor desligou-se das pilhagens da guerra, levadas a cabo pelas hordas de Nabopolassar e foi ao encontro de Diana que, juntos, de arco e flecha, desceram pelas margens do rio Eufrates apreciando as paisagens que por lá desfrutavam. De dia iluminados por Apolo e, de noite, Diana deslumbrava o Ventor com a mais bela luz de luar que jamais iluminou a terra.

As flores estavam por todos os lados e Diana disse ao Ventor que, se houve flores para Ninive, também as haveria com fartura para alegrar os seus caminhos de regresso a Babilónia.

Lindas flores que Diana colocou nos caminhos do Ventor, no seu regresso a Babilónia

E foi assim que o Ventor me contou esse regresso:

 
 Junto ao Eufrates, rio azul,  Junto ao rio Nabopolassar estava, 
 De orvalhadas choram as flores  Com pedrinhas para a água a atirar.
 Multicoloridas, junto a um paúl,  E para o centro do circo apontava,
 Parecem chamar os seus amores  O centro do reino vai ali começar.
 
 Ventor e Diana ao nascer da aurora Isto deixou o Ventor sorridente, 
 Avançam juntos para uma caçada,  E Diana lançou gargalhadas.
 A água corrente parece que chora  Parece que o reino estava contente,
 E os passarinhos fazem chilreada  Pois era senhor das batalhas travadas.
 
 Olha, Ventor, já canta um grilo!  Em Nemrod tinha um suporte,
 Grita Diana num grande sorriso.  No fero Ventor tinha um amigo.
 Olha que lindo! O que é aquilo?  A um e a outro não os leva a morte
 É Nabopolassar com pouco juízo!  Ficaram por cá para dar o castigo

domingo, 2 de março de 2003

A Conquista de Ninive


Na passagem do Ventor por Ninive, Diana semeou flores por todo o lado e disse ao Ventor que eram "flores para Ninive".

 Diana envia Flores para Ninive

Foi assim que o Ventor me contou a tomada de Ninive

Ao som das trombetas de Nabopolassar

Se movem homens, animais e carroças.

Nas margens do Eufrates estão a passar,

E se ouvem berrar camelos de bossas!

 

Junto ao grande rio, lento e sereno,

Que já prestou homenagem a Nemrod,

Se espelha nas águas, um leão pequeno,

Que do seu pêlo a poeira sacode.

 

Logo um frecheiro aponta seu arco,

Flecha na mão p'ra ferir o animal,

Escorregou na areia e caiu num charco,

Não sofrendo o bicho qualquer mal.

 

Subindo os outeiros rumo a norte,

Deixando para trás um lastro de pó,

Poderoso exército com grande suporte,

E a seu lado, Ventor sempre só!

 

Nas altas colinas sorria Diana,

Perante nuvens que em frente se movem,

Cabelos ao vento, a ninguém engana,

Pede ao ventor que seus lábios provem.

 

Junto a Ninive o exército faz alto,

Cada um se amanha conforme pode,

E, logo em frente, noutro planalto,

Se encontra Ventor com Nemrod.

 

Amigos de sempre, nunca esquecidos,

Por outros amigos de outros combates,

Perante o inimigo, nunca estão perdidos,

E nunca cometem quaisquer dislates.

 

Apontam os arcos, direito à cidade,

E pôem em marcha seus esquadrões,

Assaltam muralhas que, na verdade,

Escondem o medo de seus guardiões.

 

Ventor irado, forte e sisudo,

Fixa Nemrod, na sua tristeza,

A cidade que ele construíu e tudo,

Caía assaltada, devido à avareza.

 

Num chão de pó e cheiro a queimado,

Encontrou Ventor, Sinsariskun, ledo,

Avançou num porte, erecto e irado,

E Sinsarisckun se apossou do medo.

 

E, quando já tudo, parecia acabar,

Vindo do tempo, entrou Nemrod.

«Esta terra é de Nabopolassar,

Ele a governa porque ele pode!


Tudo en volta, é terra de kush,

Todo o meu reino me custou a criar.

Linda e bela, era Babilónia!

Todos os inimigos eu vou arrasar.

E para todos, sem parsimónia,

Haverá a lança de Nabopolassar»!

 Diana prepara-se para caçar, mas ...


1 comentário