quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Os meninos do Nilo


Voltei a caminhar pelo baú do Quico e daí, pelo Nordeste da África. Mais uma das muitas "coisas" que contava ao meu Quico. Desta vez, sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Nilo. Apenas um cheirinho!

A Bacia do Nilo é, certamente, uma das maiores bacias hidrográficas do mundo que atinge cerca de 3.400.000 km2 (três milhões e quatrocentos mil). As suas águas escorrem desde a zona dos Grandes Lagos africanos e brotam de vários países, desde o sul da linha do Equador, encontrando-se as suas primeiras nascentes no território do Burundi, da Tanzânia, Congo, Kenia, Uganda, Ruanda, Sudão, Etiópia e, claro, todo o território do Egipto de Sul para Norte e, desde a sua primeira nascente até à foz, faz uma grande caminhada de mais de 6.880 km.


Mapa da Bacia hidrográfica do Nilo - foto da wikipédia

O rio Nilo era considerado o maior rio do Mundo, até geógrafos mais modernos conseguirem medir o cumprimento do rio Amazonas que, com pouco mais de 100 metros, passou a ocupar o 1º lugar.

Mas o rio Nilo, antes de ser verdadeiramente Nilo, começa por ter vários nomes famosos que o vão alimentando e se vão juntando pelo caminho. As águas que saem dos Grandes Lagos, com início no Lago Vitória, Lago Eduardo e Lago Alberto vão formar o Bar el Jabel. Porém, o lago Vitória é alimentado pelo rio Kagera e, por isso, a nascente do rio Kagera, é considerada, pelos especialistas, a nascente do rio Nilo. À esquerda do Bar el Jabel, com origem no Congo sai o Sudd e à esquerda do Sudd, temos o Bar-el Arab que vem da República Central Africana e vão se juntar num troço maior a que deram o nome de Nilo Branco (White Nile). À direita do Nilo Branco, temos o Nilo Azul (Blue Nile) que vem do Lago Tana, na Etiópia e se encontra com o Nilo Branco em território do Sudão, mais precisamente na sua capital, Kartum (alguém se lembra de Kartum, do General Gordon, do Major Kitchener, ...?). Mais à direita, temos o rio Arbara que também nasce na Etiópia e avança ao encontro do Nilo, mais a norte de Kartum.


O rio Nilo junto a Kartum - foto da wikipédia

A partir deste encontro do Arbara, já todos juntos, avançam enlaçados até ao Meditrrâneo, como um corpo só - o Nilo - que, ao aproximar-se do mar Mediterrâneo, abre os braços de alegria e parece gritar: "olé, olé, olé"! Um rio como o Nilo, depois de correr por troços e se espraiar pelas areias do deserto, por milhares de quilómetros e, como um corpo vivo que é (é ou não?), podemos considerar que sim, vivo e bem vivo, sente necessidade de gritar: "Eureca! Cheguei"! Mas, ao mesmo tempo, sente que, para trás, deixou verduras luxuriantes e o deserto fabuloso a que deu de beber. Por isso, quando olhamos o Delta do Nilo, parece-nos notar que o rio Nilo, mete travões e perde a pressa de entrar no mar azul, passando a cismar com tudo que deixou para trás!

Dá a sensação que ele olha para trás, a tentar rever todas as vidas que alimentou. Milhões de vidas! Macacos, hipopótamos, crocodilos, homens! Milhões de homens e, ... através de milénios! ... Nem queiras saber Quico!


Glorificar o meu amigo Apolo era uma honra para os egípcios - foto da wikipédia

Por tudo isto, o Ventor contou-me coisas sobre este rio e os meninos que beberam da sua água.

Ele falou-me dos muitos meninos que beberam e continuam a beber água do seu rio Nilo, como o Ventor bebeu água no rio de Adrão, desde a sua nascença nos Sorreiros, até à sua entrada no Atlântico. Os meninos do Nilo, beberam e bebem da sua água desde a nascente do rio Kagera até ao seu Delta, onde o Ventor e o Alexandre Magno também beberam.

O Ventor disse-me que o primeiro menino do Nilo, famoso, que as pessoas ouvem falar, foi o Moisés. O Moisés nasceu, como diz a Bíblia, numa altura péssima em que os meninos, filhos do povo de Israel, iriam ser mortos, à nascença, porque os judeus israelitas se reproduziam com mais facilidade que os egípcios. O Ventor, nessa altura, caminhava por outras galácticas e não sabe bem como foi, mas sabe que não foi por o Faraó e as suas gentes pensarem que os israelitas passariam a beber mais água do Nilo que os egípcios. Foi porque todos sempre tiveram a mania de chatear o próximo e, então, o próximo, era o israelita que vivia ao lado, mas dentro do próprio Egipto. As ordens eram para matar e pronto!


Estátuas dos Faraós em Abu Simbel, junto à barragem de Assuão - foto da wikipédia

Por isso, a mãe do Moisés, meteu o seu menino num cestinho e colocou-o à guarda do grande Nilo. O Ventor disse-me que uma mãe, deve ficar maluca com ordens doidas como esta e, se calhar, achou que devia fazer uma "barquinha". Se o Noé conseguiu salvar tanta gente e animais, ela, com aquela míni barquinha, e com a ajuda do Senhor da Esfera (nada como ter esperança), achou que poderia salvar o seu menino!

E salvou! A filha do Faraó, por portas e travessas, fez do Moisés um grande homem do Egipto que chegou a comandar os exércitos egípcios contra os núbios que derrotou e levou como escravos para o Egipto. Os núbios, eram um povo antigo, que viviam, então, mais ou menos, entre o local conhecido por Assuão, no Egipto e Kartum, no Sudão. Por isso, hoje, os núbios, politicamente, fazem parte dos povos egípcios e sudanês.


A múmia de Ramsés II - foto da wikipédia

Mas o rio Nilo teve outros meninos famosos, a começar pelos próprios faraós. Todos eles beberam água desse grande rio e, alguns, até depois de grandes, se calhar, levados pela nostalgia dos seus tempos de criança, os tempos em que dividiam os espaços, no rio, entre eles e os crocodilos, chegaram a construir grandes palácios nas margens do Nilo, tal como em Abu Simbel, em Luxor e outras cidades. Em Abu Simbel, zona que foi núbia, eles, mesmo depois de mortos, queriam lavar os pés no rio! E foram tão importantes que, a Unesco fez tudo para que eles continuassem a lavar os pés, agora, na grande barragem de Assuão que se estende pelo leito do grande rio.

Por isso, o Ventor, diz que as estátuas falam e, falam porque elas são a alma das gentes. Para além das estátuas estavam lá as múmias do Ramsés II e estava preta! Segundo o Ventor, será devido aos lodos do rio que são transportados desde as altas montanhas da África Oriental. Os montes da África Oriental, junto à imaginária linha a que os homens chamaram Equador, são dos mais elevados do Planeta, pelo menos, são os maiores de África, como o Kilimanjaro, o Monte Kénia e as Montanhas da Lua do Ptolomeu (actualmente, monte Ruvensori), todos acima dos 5.000 mts. Em todos estes montes permanecem neves perpétuas e nos seus cumes permanecem, há milhões de anos, os seus glaciares que, tendem a desaparecer (creio que foram reduzidos a menos de um terço, desde os anos 50, do século XX)!


Nefretite, a primeira "Cleópatra" do Egipto - foto d wikipédia

Mas o Ventor falou-me muito dos meninos do Nilo. Nos célebres como o Moisés, os Faraós e, duas "Faraoas", como a Nefretite e a Cleópatra que elas, como outras, também, tal como os meninos, brincaram nas margens do grande rio e beberam da sua água. Mas falou-me também de todos os meninos actuais que, correndo em volta dos rios e riachos que alimentam o grande rio, vêm morrer tudo o que lhes pode garantir a caminhada da sua vida e muitos dos seus irmãos. Eles morrem no Burundi, no Ruanda, no Uganda, na Etiópia, no Sudão (como tem acontecido ultimamente com os meninos do Darfur) e as suas mortes, tanto quanto parece ao Ventor, são apenas choradas pelas Ninfas das Fontes, dos lagos e dos rios. Do alto das grandes montanhas africanas, descendo até ao Nilo, as lágrimas das Ninfas das montanhas, das fontes, dos lagos e dos rios, rodeando Melpônes, a musa da Tragédia, continuam a ajudar a alimentar o Nilo, enquanto os meninos continuam a morrer aos milhares (milhões?), sem que haja alguém, na política mundial, que se junte às Ninfas, pelo menos, chorando também.

Toda a história do Egípto e dos povos mais a sul, se desenrolou, durante milénios, ao longo do seu rio, onde os seus meninos, nascem, brincam e morrem.


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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O Ventor e os Leões

 Ventor 11.01.11

Mais um sonho, claro!

Nem imaginam como seria se fosse realidade!

Talvez seja fruto de tanto ouvir falar, na "miséria" que nos aguarda, num futuro próximo. Será? E também das leituras dos meus grandes amigos que fazem parte das divindades das nossas gentes de há milénios e fazem parte, também, das caminhadas do Ventor.

Começa tudo muito simples.

Fui ao Jardim Zoológico de Lisboa, a sonhar claro! Há dois três anos que ando para fazer isso e, como não tiro algum tempo para cumprir esse meu querer porque, o jardim Zoológico não tem lobos, ou não tinha, vou adiando...  Ah! Mas tem leões!

Pois é. Entrei no Jardim Zoológico e estava tudo assustado! Pessoas escondidas, leões enfurecidos, ... mas eram só três. Entrei no grande espaço e deparei com aqueles três maganos de olhar fixo em mim, assim, tipo prontos para caçar. Perguntei a um indivíduo o que se passava e ele acenou-me para fugir dali que os leões estavam esfomeados e matar-me-iam se me apanhassem.

«Então não dão de comer aos leões»?

"Não temos comer para lhes dar. Não há nada para eles! Não temos carne para a gente, quanto mais para os leões"!

«Então que pensam fazer»?

"Temos aí uma camioneta fechada para os levar caçar à serra de Sintra, mas toda a gente tem medo"!

«Então se faziam isso porque não continuam»?

"Quem os levava era eu, mas eles ameaçaram comer-me, porque já está a faltar a caça e eu tive de fugir para aqui".

«Qual é a camioneta? ...  Dê-me as chave»!

Peguei na chave, abri a camioneta e ordenei aos leões que entrassem. Eles entraram os três, todos contentes para a camioneta que tinha uma janela para a cabine por onde falavam comigo e até me lambiam as orelhas.

Informei-os que, chegando à serra de Sintra, só podiam matar a caça brava das savanas. Não podiam matar o gado doméstico, senão, tínhamos o caldo entornado e não haveria caldo para ninguém nem carne para eles.

Na serra de Sintra, não havia caça. Mas haviam grandes savanas, rumo a oeste, na zona onde fica o mar. Como não encontraram nada, aproximaram-se de mim e, ... "e agora Ventor"?

«Agora, vamos procurar a outro lado»!

Entramos na camioneta e fomos para as minhas Montanhas Lindas. Rumamos à serra de Soajo, onde haveria caça. Um dos meus amigos de outros tempos (olá, ti Joaquim!), disse-me que, nos nossos montes, não haveria nada para os leões, a não ser, no Curvação, onde, de vez em quando, aparecia caça grossa. Levei os leões para lá. Fiquei a apreciar a paisagem (a minha Assureira, a serra Amarela...) e eles foram à procura de caça. Numa determinada altura, vi-os a brincarem com um bezerrinho que teria meia dúzia de dias e ouvi um dos leões dizer para os outros dois: "porque prometemos ao Ventor não apanhar animais domésticos? Nós fomos uns estúpidos e agora nunca mais comemos"!

«Deixem o bezerro e vamos para a camioneta».

Lá fomos rumo a Lisboa já desesperados - os leões com a fome e eu por não ter nada para lhes dar. Disse-lhes que voltávamos ao Jardim Zoológico iriam lá ficar e eu iria encontrar carne para eles, fosse onde fosse.

Quando voltamos ao jardim, os leões saltaram da camioneta e toda a gente começou a fugir! "Ventor, os leões comeram"? Perguntou o seu tratador. «Não. Nada»! As pessoas fugiam e eu ouvi um dos leões dizer: "que grandes estúpidos. Ainda não perceberam que a carne deles nem para nós presta, mesmo esfomeados! Se o Ventor não nos ajudar, estamos tramados"!

O pior veio a seguir!


Artemisa ou Diana, se preferirem, foi companheira do Ventor, nos velhos tempos de gerações passadas. Talvez, pelos vários estudos que fiz sobre ela, e, globalmente, sobre essas "sociedades" de deuses da antiguidade, como os deuses do Olimpo e do Vallala, por exemplo, me acompanha em vários sonhos, que vou interpretando à minha maneira. Tal como o Antar (para mim um fenómeno), ela participa em vários sonhos, por vezes em acções tão simples, como a desenrolada neste, em que até os leões são simpáticos e amigos do Ventor

Já estão fartos de me ouvir falar da minha amiga Diana, mas desta vez, quem apareceu no Jardim Zoológico, em correria, foi Artemisa - a linda deusa da caça! Eu vi uma mulher a correr, com um arco na mão e uma flecha na outra e mais flechas às costas.

Ouvi: «tenho de ajudar esta gente, antes que os leões comecem a matar»!

Aquela voz era-me familiar! Dei um grito: «Artemisa, não»!

Ela disparou uma flecha e, logo à minha esquerda, um pouco atrás, Apolo lançou outra que foi partir a flecha de Artemisa antes de chegar a um dos leões. Artemisa ficou estupefacta! Voltou-se, fixou os olhos em nós e começou uma grande gargalhada ...

«Olha o Ventor! Agora és tratador de leões»??? ....

«Chamaste-me Artemisa com um som medonho. Porquê? Estavas mesmo zangado»!!!

O sonho terminou com Artemisa a agradecer a Apolo por ter destruído a flecha dela e com os leões de olhar fixo em nós ... sem carne e com toda a gente calma, tal como eu estava, já sem euforias, deitado na minha cama.

Agora, vejam só!

A Gisela disse-me que era pena os leões não terem comido.

E eu, que posso dizer? Que os leões não comeram porque o sonho acabou!


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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma Caminhada, em Sonhos

 Ventor 10.01.11

Há dias, tive um sonho de que já dei um cheirinho.

Continuo a sonhar muito e, neste sonho, voltei a sonhar com o meu cavalo Antar.

Sonhei que me apareceu um anjo enviado pelo Senhor da Esfera para me levar daqui, do meu Planeta Azul, para os confins de galácticas sem fim. Mas, mais uma vez, por toda a Esfera Universal, a cor predominante era o azul.

Numa determinada altura, a esfera não era esfera, era bem plana e os tons azuis eram quase 100%, por onde quer que eu olhasse. Foi então que me apareceu o tal bicho peludo (tipo processionária) todo azulinho e, de seguida, vejo a Gisela a pegar num escorpião todo azulinho. Foi aí que tive um grande diálogo com o escorpião e que ele me garantiu que não a picaria, para me manter descansado. O Anjo assitia a tudo e não fazia nem dizia nada!

Eu caminhava no meio de tudo azul e o Anjo, num tom branco azulado, sentia-se aborrecido por eu fazer essa caminhada muito contrariado. Por fim, quase a explodir, de contrariedade, já chateado com o Anjo, acabei por me revoltar com aquela minha passividade de cordeiro. À minha frente, aparece o Antar branquinho e muito triste e o Anjo resolveu falar: "tem calma Ventor que eu cumpro ordens do Senhor da Esfera. O Antar está triste e tu também mas, o Antar só vai carregar a tua alma, todo o peso do teu corpo vai ficar aqui"!

O Antar levantou as orelhas e espevitou. Um pouco afastado apareceu um homem de crânio alongado, semelhante à caveira de cristal do Indiana Jones, com uma armadura de cristal em ton azul-esbranquiçado, como o espaço plano envolvente. Só o Antar, ali, era realmente branco!

Quando observei o homem de Akator (influência do filme, será?), achei-o com propósitos belicistas. O Anjo, não tinha dito mais nada além do facto de que a minha alma não pesaria ao Antar! Olhei bem o Antar e, concluí, que ele era mesmo o meu cavalo e achei o anjo e o homem de Akator cúmplices de algo que estaria para além do Senhor da Esfera me querer tirar do Planeta Azul.


Se esta foto fosse azul, quase parecia o homem de Akator do meu sonho

Mais uma vez, o Antar me tirou de junto daqueles falsários. Saímos daquele espaço plano e entramos num espaço esférico, onde realmente pertenço. Ao chegar aqui, fui ter a uma casa, com dois andares, com uma escada exterior e vi um escorpião escuro a passar junto do Antar e, quando eu ia saltar do patamar para o quintal, o escorpião piscou-me o olho como a dizer-me que estava tudo bem e eu acordei no momento que ia dar o salto do patamar para o quintal ficando só, sem Antar, sem escorpião, sem nada.


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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Jesus de Nazaré


Um dia tive um sonho!

Nesse sonho, o Senhor da Esfera, dizia-me que eu era o Oitavo, na Esfera Celeste. Foi tão real que, muito tempo, fiquei a pensar nisso!

Doutra vez, sonhei com o Antar, o meu cavalo branco que faz tudo. Coiceava viaturas cujos ocupantes me queriam matar. Eu só me preocupava com as pessoas que podiam levar com os carros em cima mas, o Antar pôs-me à vontade.

Tenho tido muitos sonhos com esse belo cavalo, no último andamos a caminhar por Adrão.

Há duas noites sonhei que estava do lado do Gondomil, na estrada a ver Adrão a arder. Todas as casas ardiam do cabo do Eido ao Eirado e a fogueira era de tal ordem, que me parecia, só ficariam cinzas.

Claro que são apenas sonhos, mas uma parte da minha vida tem sido completada com sonhos e pesadelos.

Pormenor do Presépio do Hospital da Luz, em Lisboa - Natal de 2010

Uma vez, em Moçambique, sonhei com os companheiros da caminhada contrária - a Frelimo - ou, como a gente dizia - os turras! Eles estavam a colocar morteiros para nos bombardearem, em Marrupa. Felizmente, não se entendiam bem com esses brinquedos! No dia seguinte, pensando no meu sonho, fui ao local, por onde nunca tinha passado. Peguei na G-3, no Zorba, na Diana preta, no Bolinhas e fomos fazer uma das nossas caminhadas. Subir o pequeno morro, que se situava do lado de Marrupa, relativamente perto da nossa pista. Lá estavam os sinais todos, daquilo que o meu sonho me mostrou. O terreno pisado, o local onde colocaram, pelo menos, um morteiro que especialistas do Comando do Sector "E" confirmaram. Não estavam os homens nem os morteiros (no meu sonho, eram dois!) mas, estavam os sinais de todo esse reboliço.

Agora tive mais um sonho depois de ter escrito o post anterior: "Foi assim há muitos Anos"!

Vejam fotos aqui

Logo de seguida sonhei com mais uma caminhada por Belém, por Jerusalém, ... com o nascimento do Menino, com os animais, com as pessoas e com as caras destas cheias de medo, poderei considerar de terror. Os judeus, os falsos judeus, os árabes, os romanos e o medo do povo de Belém devido a outros judeus, aos romanos e a Herodes. Um sonho confuso mas dentro dos preâmbulos relacionados com o PRESÉPIO.

No dia seguinte, eu e a minha companheira de muitas caminhadas, tivemos de ir ao Hospital da Luz e mal saí do elevador e pus os pés na Recepção, a primeira "coisa" que vi foi o Presépio e a árvore da Natal ao lado.

Dirigimo-nos para o balcão e, voltei a olhar o Presépio. Encaminhei-me para ele e observei toda aquela obra de arte. Voltei ao balcão da Recepção e perguntei à mocinha que nos atendeu, que acha que pode acontecer se eu pegar na minha máquina, voltar ao Presépio e começar a disparar, fazendo umas fotos? Os seus patrões são mauzinhos?

"Então! Chega lá, tira as fotos, muita gente tira"!

É isso que vou fazer! Fui lá e tirei 3 fotos. Subimos ao primeiro piso, ao médico e, quando voltamos a descer, reiniciei a metralha de clicks! E fiz um videozito que vos deixo aqui.

 O presépio do Hospital da Luz, no Natal de 2010


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Foi assim há muitos anos


Num dia frio, há anos atrás, o Ventor contou-me uma história. Mais uma história que faz parte da sua Caminhada de Sonhos e, por isso, faz parte, também, da sua Grande Caminhada.

Uma pintura de Belém, em 1882

A minha Dona, fazia a Árvore de Natal, e eu parti-lhe duas bolas. Depois começou a fazer o Presépio e eu virei o Menino Jesus, nas palhinhas, com as unhas.

Depois o Ventor chegou e eu pensei fugir mas, ele apanhou-me, apertou-me contra o seu peito e fez-me muitas festas. Depois explicou-me porque a Dona gostava de fazer a Árvore e o Presépio, pelo Natal. Ele disse-me:

«Sabes Quico! Vou-te contar mais coisas sobre as minhas caminhadas.

Este mundo é muito complicado. No princípio, como já sabes, vivia na escuridão e, como também sabes, só a luz termina com a escuridão. Mas o mundo que saiu da escuridão total, na sua evolução, passou por vários ciclos. Ciclos de calor e ciclos de frio, ciclos de escuridão e ciclos de Luz. Nesses ciclos, tudo se mantém em movimento e, até nos ciclos de escuridão porque tem passado a humanidade, esse movimento é real.

Houve, através dos milénios, ciclos terríveis em que a humanidade vivia tal como os outros animais, escondida nas cavernas, mas pouco se sabe desses tempos. Não havia escrita, não havia papéis, não havia papiros, ... enfim, podemos acreditar que terão sido muitos os ciclos negros da Humanidade. Mas lá está! De vez em quando, fazia-se alguma luz na cabeça das pessoas de então. Tal como hoje, haviam homens que pensavam nas coisas, como transformá-las, como mantê-las, como usá-las, como 

Se tu veres bem, pelo que eu te tenho contado, a vida no mundo, no nosso mundo antigo, como neste nosso mundo moderno, foi sempre uma vida de guerras, de mortes, de escravidão dos mais fracos, pelos mais fortes. Mas, houve sempre homens, enviados pela vontade do Senhor da Esfera para dar um pouco de Luz à humanidade, para lhe inculcar na cabeça, novas maneiras de pensarem e actuarem. Foi assim com Confúcio, com Buda, com Cristo. Um dia falar-te-ei dos outros mas, hoje, falo-te daquele que levou a Dona a lembrar-se Dele, nesta época, para lembrar às pessoas que ele ensinou todos a comportarem-se bem perante os seus semelhantes».

O local onde nasceu Jesus

E o Ventor continuou a ensinar-me mais coisas do Jesus de Nazaré, Aquele a Quem chamaram Jesus Cristo.

Disse-me, o Ventor que, num mês de Dezembro de há cerca de 2000 anos, pouco mais, chegava, ele a Belém, uma cidadezinha da Palestina e, encontrou nas alturas, uma estrela muito especial. Ela brilhava tanto que deixou as pessoas com receio de que as coisas, na esfera azul, pudessem correr mal. O Ventor estranhou o comportamento do Antar, rodopiando sempre, obrigando o Ventor a manter os olhos firmes nessa estrela. Mais pessoas estavam de olhos no céu a ver a estrela brilhante e o Antar, sempre rodopiando, acabou por ir encostar-se de rabo, contra as costelas do Camelo de um tal Baltazar, um amigo do Ventor. Os dois companheiros de grandes caminhadas pelos desertos tórridos e gelados do Médio Oriente de então, acalmaram-se e ficaram ali observando tudo, em volta, partindo o Baltazar e o Ventor até uma cabaninha que ali estava. Mal o Ventor entrou no estábulo dessa cabaninha, viu um Menino muito pequenino a tiritar de frio e a vaquinha, o burrinho, as ovelhinhas, os seus pais e mais algumas pessoas, à sua volta, a tentarem dar o pouco aconchego que podiam.

O Presépio

O Ventor viu-se mal para entrar a porta porque o seu arco foi-se encravar na aldraba e uma das pontas num buraco mais acima. O Ventor que ainda não sabia o que se passava, ficou um pouco envergonhado por levar aquela coisa com ele em vez de o deixar à guarda do Antar, mas a distração é a morte do artista e mais acabrunhado ficou quando viu um menino recém-nascido, cheio de frio, sorrindo com a sua trapalhada e, mais ainda, quando aquele Menino, complementando o sorriso, lhe piscou o olho!

Mas o Ventor contou-me que tudo foi tão complicado que, se calhar, nem lembraria ao diabo tudo aquilo. Em tão pouco tempo, o terror espalhou-se pela bela cidade de Belém e não só. Houve perseguições a todas as crianças até dois anos, por um Rei anedota, chamado Herodes, que tinha medo que aquele Menino lhe usurpasse o trono. Herodes mandou que todas as crianças abaixo de dois anos fossem assassinadas, para o Menino Jesus, que diziam que vinha herdar o Reino de David, não pudesse sobreviver. 

Os cavaleiros e soldados de Herodes, todos os meninos barões que encontrassem, decapitavam-nos logo. O Ventor que ficou ali por Belém, mais algum tempo que o que pensava, ainda pensou interferir com os cavaleiros de Herodes que calcorreavam as ruas empedradas de Belém, mas o Senhor da Esfera, pediu-lhe para não interferir nem com o Antar nem com o seu temível arco.

A Igreja da Natividade

Mas a Mãe do Menino Jesus, conseguiu fugir para o Egipto com ele e Herodes com a sua trupe, não o apanharam.

O Ventor contou-me muitas coisas sobre esse Menino, o seu crescimento, a sua vida de criança, a sua vida de homem e a lição que ele deu aos doutores, no Templo, só com oito anos. O Ventor disse que iria contar-me muitas mais histórias e que apenas queria que eu soubesse porque a nossa Dona tinha tanto trabalho a fazer uma Árvore de Natal e um Presépio.

Disse-me, também, que, apesar de nunca ouvirmos dizer que o Menino Jesus tenha pegado em gatos ao colo como faz o Ventor, o Ventor disse-me que Ele tinha tanta preocupação com os animais como com os homens e que a harmonia do mundo só existe se houver harmonia entre os próprios homens e entre estes e os animais. Mas como podemos ver todos os dias, muitas das pessoas de hoje, como as de ontem, nunca ligaram aos bons ensinamentos pregados por Jesus, para que essa harmonia fosse geral entre os homens, quanto mais entre os homens e os animais.

Agora eu prometi ao Ventor não voltar a mexer nas coisas da minha Dona e nunca mais vou estragar nada.

Voltarei a contar-vos, por aqui, na Net, algumas das histórias que vou ouvindo ao Ventor e deixarei aqui, também, os votos de Boas Festas e de um Santo Natal para todos os que por aqui passarem.

Não se esqueçam que o Ventor também me disse que este espírito natalício deve permanecer no nosso coração, o ano inteiro.

Um solinho lindo num dia de Natal

BOM NATAL e BOAS FESTAS, minha gente!!!

Que o Senhor da Esfera esteja sempre convosco


Uma das árvores de Natal do Quico. Era tão bom mexer naquelas bolinhas!

BOM NATAL


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