segunda-feira, 11 de maio de 2026

Eu ouvi chorar por Alepo


Alepo, cidade histórica, feita Património Mundial, pela UNESCO, desde 1986.

Alepo é uma cidade habitada desde os 5.000 anos A.C.. Ela foi, uma cidade assimiladora de várias culturas. Habitada por muitos povos, desde ...., Assírios, Gregos (conquistada por Alexandre Magno), Romanos, Egípcios, Mongóis, Muçulmanos, ...

Vista da cidade de Alepo, tirada da Wikipédia, de autoria de Memorino. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license

Chegou a ser uma das maiores cidades do Império Muçulmano, logo a seguir a Constantinopla e ao Cairo. Foi, em tempos, términos da Rota da Seda. Com a construção do Canal do Suez, perdeu a rota da seda e iniciou o seu declínio, também devido ao isolamento da Síria.

Mas, neste mundo, sempre que ouvimos falar de cidades históricas, é sempre por factores negativos. A última foi Alepo mas, como Alepo, há tantas outras espalhadas pela Síria, pelo Iraque, pelo Afeganistão, pelo Líbano, ...

Por aqui e por ali, por ali e por aqui, existem cidades inesquecíveis que, ou englobam velhas ruínas das suas gentes de outrora ou renasceram e tentam caminhar ali por perto, ainda sobre as cinzas do passado. É assim por todo o médio oriente e não só. Tudo isso, analisando ponto por ponto, quantas vezes em nome de religiões, do petróleo, de interesses estratégicos, quantas vezes sem ligarem puto aos seres humanos que apenas querem viver a sua vida e que os deixem em paz.

Mesquita de Alepo, tirada da Wikipédia, de autoria de Preacher lad. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license.

Ninguém quer saber de ninguém! Em nome de Alá, em nome de Cristo, em nome de Jeová, em nome de santos e de santas, em nome de egoísmos que não deviam de existir.

A última vez que ouvi falar de Alepo, foi a um estudante sírio num programa de rádio. Ele está refugiado em Portugal a estudar numa universidade, sustentado por uma bolsa de estudos angariada através da Plataforma Global de Apoio às crianças sírias com o apoio do Ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.

Esse tal cidadão de Alepo, cujo nome não recordo, disse na rádio que os sírios são fortes e não choram. Eles vivem a tristeza da guerra na Síria, longe da família e eu não acredito que um homem que diz que chora a ouvir a Marisa cantar certos fados, que não chore ao ouvir as ruínas de Alepo a chorarem lá tão longe e que, ao mesmo tempo, sabe dizer que seus pais lhe dizem, de lá tão longe, junto às ruínas de Alepo que estão bem, mas ele não acredita.

Claro que os homens têm muitos modos de chorar mesmo que seja silenciosamente. E sabem que, numa cidade onde falta tudo que é essencial, como a água, a electricidade, o comer, tudo, ... nunca se está bem.

Eu sei amigo sírio que chorarás pela tua família, pela tua Alepo, por tudo o que está a levar a Síria a maiores ruínas. Só espero que continues com os teus estudos e que nada te falte cá no nosso Portugal onde ainda há muita gente de bem e que tu dizes gostar muito. Que nunca te falte o amor da nossa gente, os nossos comeres,os nossos pastéis de nata.

Espero também que essa bela Plataforma Global de Apoio que Jorge Sampaio tudo tenta fazer para continuar com êxito a apoiar-vos nunca falhe, por vós, pela Síria e por Alepo.

Monte Nebo

| Pilantras 05.12.15

Encontrei aqui alguns rascunhos do Quico e, para os que não se recordam, o Quico foi o gato que, antes de mim, era o grande amigo do Ventor.

O Ventor andou a mexer nos discos externos e depois, já farto de tanta coisa, foi ver um filme. Aproveitei para ir vendo o que estaria por aqui, deixado pelo Quico. Encontrei um título de um post começado e não acabado. Esse título era simples. Dizia só: Monte Nebo.

Este é o Monte Nebo de que o Quico iria Falar e a morte não o deixou

"Mount Nebo BW 6" por Berthold Werner - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Ora eu estou farto de ouvir o Ventor falar em montes e nunca me tinha falado neste. Ele passa a vida a falar da Pedrada o grande monte da vida dele, na Derrilheira, na Naia, na Serrinha, no Giestoso (monte mais alto dos lados  da Peneda), nos montes que, grandes ou pequenos, nunca acabam.

Abri o Monte Nebo e descobri coisas novas que o Quico já sabia. Às vezes fico a pensar que o Ventor tinha razão ao dizer que eu nunca chegaria aos calcanhares do Quico para falar por aqui, das coisas do mundo mas, o que o Ventor não me disse, é que teve sempre muito tempo para o Quico e tem pouco tempo para mim.

O Quico também dizia que haviam homens que transportava a arca da aliança e, segundo o Quico, ela teria sido escondida pelo profeta Jeremias, nesse tal Monte Nebo, quando os exércitos babilónicos de Nabucodonosor invadiram Israel e destruíram o Templo de Salomão. O Monte Nebo situa-se na Jordânia e tem cerca de 700 metros de altura.

Placa no Monte Nebo

"Mount Nebo Distances" por David Bjorgen - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Daqui, conforme esta placa, Moisés despediu-se do Planeta Azul. Tinha a terra prometida à vista e não a iria pisar. Foi essa a vontade do Senhor da Esfera a que os israelitas davam e dão, o nome de Jeová. Conforme essa orientação da placa, Moisés viu Jericó, mas não a viu cair aos pés de Josué, quando ele manda tocar as trombetas para o ataque. Dali, Moisés viu Belém, o lago Tiberíades, o mar Morto, Jerusalém, Nablus, Ramallah e todo esse mundo que Cristo pisou

Na Arca da Aliança eram guardadas as Tábuas (chamam-lhe tábuas, mas eram de pedra) que Jeová entregou a Moisés para orientação do povo de Israel. Mas não há homens nem povo que não cometa pecados e o povo de Israel, foi escravizado por Nabucodonosor.

Jeremias terá escondido a Arca da Aliança algures e, há quem pense que ela estará nesse monte - o Monte Nebo.

Após a Conquista de Niceia


... pela 1ª Cruzada.

(para manter vivo o espírit

o do Quico, este vosso amigo Pilantras irá observando os rabiscos que ele por aqui deixou e publicá-los-ei, tal como aqui na sequência da 1ª Cruzada)

Conquistada Niceia, após um cerco de um mês e cinco dias, 14 de Maio a 19 de Junho de 1097, realizado pelos cruzados e um contingente bizantino, os cruzados partiram rumo ao seu objectivo inicial - a Terra Santa.

Os cruzados ficaram decepcionados com os bizantinos por negociarem a rendição de Niceia com os turcos seljúcidas nas suas costas e compreenderam que se encontravam sós, desvalorizando, por isso, o juramento quase obrigados a fazer com o Imperador. Por isso decidiram seguir rumo à Terra Santa não pensando mais envolver-se em conquistas a favor de Constantinopla.

A fim de colmatarem as necessidades de abastecimentos, a 26 de Junho, 7 dias após a queda de Niceia, dividiram-se em dois grupos, seguindo à frente um grupo comandado por Boemundo de Taranto e mais atrás, separados cerca de 5 km, um segundo grupo comandado por Godofredo de Bulhão e, de seguida, ambos os grupos se subdividiram em dois subgrupos.

A 1 de Julho de 1097, os turcos seljúcidas armaram uma cilada aos cruzados da frente, junto à margem do rio Thymbris, onde se iniciou uma grande batalha, conhecida como a Batalha de Dorileia, onde a força comandada por Boemundo de Taranto foi dizimada por uma cavalaria ligeira armada de flechas dos seljúcidas (os célebres arqueiros, cujas linhas da frente lançavam as flechas e eram substituídos por linhas atrasadas) com ataques e recuos sempre a massacrar os primeiros cruzados, até aparecerem as forças da rectaguarda a atacar os turcos de flanco e pela rectaguarda.

 

os arqueiros turcos seljúcidas, eram avelidosos com arco e flecha

Após a junção das forças dos cruzados, os turcos seljúcidas tiveram de abandonar o campo e fugir rumo a leste, deixando para trás, muitos dos seus pertencentes, tendas camelos e várias riquezas.

Após a batalha de Dorileia, os cruzados continuaram a avançar rumo a leste, quase sem oposição, conquistando algumas cidades que voltaram a ser ocupadas pelos turcos cerca de 4 anos depois.


Os cruzados eram temidos, pelas gentes da Anatólia

Balduino de Borgonha e Tancredo de Hauteville, ainda disputaram a cidade de Tarso mas seguiram rumo a Antioquia. Porém Balduino de Borgonha instigado por um arménio chamado Bagrat, dirigiu-se rumo ao rio Eufrates e foi tomar a Fortaleza de Turbessel.

Depois, convidado por Teodoro de Edessa, para ajuda-lo na disputa contra os arménios, ele teve grande influência na política do Condado e Teodoro adoptou-o como filho, herdando, logo após a sua morte, o Condado de Edessa, que foi o primeiro feudo cristão no Oriente Médio.

Rumo a Machu Picchu

| Ventor 09.03.13

Caminhando entre os nossos amigos incas, em sonhos. 

Há muitos anos atrás, o Ventor contou ao Quico e hoje contou-me a mim, o vosso amigo Pilantras, um sonho lindo, cuja ação foi fazer uma caminhada entre os seus amigo incas.

O Ventor teve alguns azares na vida. Um deles foi, em 1967, poder ir fazer uma viagem à Suíça mas, azar dos azares, a Força Aérea não o pode deixar sair por causa de umas manobras da NATO, em que o Ventor teria de ir uns dias para a Base Aérea do Montijo, onde iria acompanhar uma certa luta anti-submarina, com meios aéreos, etç. etç.

Um tipo, no Montijo, tinha adoecido e o Ventor iria lá fazer falta. No entanto, o Ventor acabou por não ser necessário no Montijo e manteve-se na sua Direcção, a Direcção dos Serviços de Telecomunicações e Tráfego Aéreo.

Depois, quem levaria o Ventor até à Suiça já caminhava pela França e essa viagem de sonho, acabou por não se realizar.

Então, o Ventor começou a ler coisas sobre as montanhas da terra do nosso amigo Guilherme Tell e, na leva, não tinha meio de parar e acabou por livros, revistas e mapas, ir parar a uma dessas últimas maravilhas modernas do nosso mundo, caminhando pelos célebres "canejos" de Machu Picchu, rodeados por outras montanhas célebres a que os homens chamam Andes. 

Não contente com a caminhada pelo papel, o Ventor, uma certa noite, foi parar a um Hotel na bela cidade de Lima, com um copinho desses na mão, o célebre Pisco Sour, dos seus amigos incas mais modernos. 

 

Machu-Pichu?
O Ventor, da janela do Hotel, observava as torres da bela Catedral de Lima, a capital do Peru e, observando tudo, só pensava chegar a Cusco. Chegado a Cusco, instalou-se num hotel de cuja janela, com o Pisco Sour na mão, espreitava e observava os cumes ainda brancos dos Andes, ainda nevados. Dali, viu sumir a tarde observando as belas paisagens naturais lá longe e viu cair a noite, resolvendo sair e dar uma vista de olhos pelos tascos dos bairros de Cusco. Nada de discotecas e pubs, apenas caminhando para desentorpecer as pernas e beber mais uns piscos-sours, tal como bebia os eduardinhos nos Restauradores, em Lisboa.
 
Catedral de Cusco
Regressado ao hotel, sentado numa cadeira e de roteiros e mapas estendidos sobre uma mesa, observava algumas imagens de monumentos com algum interesse histórico e, por fim, já noite dentro, terminado o duche, sorveu as últimas gotas do último pisco sour, já um pouco cansado da viagem e das pequenas caminhadas por Cusco, foi-se deitar. Adormeceu e começou logo a sonhar com Atahualpa, o último imperador dos Incas, com Cajamarca e com os espanhóis que não foram nada simpáticos para com ele. Nos seus roteiros existiam fotos de Lima, de Cusco e de Machu Picchu que os seus olhos devoravam para, nos dias seguintes, não ser muito surpreendido. 
São assim os vales em redor Cusco 
Descobriu que, por ali, o homem andino, os ancestrais incas, souberam viver em harmonia com a Natureza. Por isso, caminhando nos vales andinos, somos surpreendidos por encantos majestosos por onde o homem e a Natureza têm agido através dos séculos.
Porém, há muitos factores a considerar, para fazermos uma viagem ao centro do Império Inca. Claro que a viagem do Ventor foi apenas um sonho, um sonho inesquecível! Por isso, acabou por esquecer muitos dos aspectos que estariam presentes na sua viagem se ela fosse real. Estariam presentes a altitude e, eventualmente o "soroche" a tal doença da altitude que ataca muita gente não ambientada a altitudes superiores aos 2.000 metros, caso de Cusco a uma altitude de cerca de 3.400m.

A cidade Cusco é mais elevada que Machu-Pichu, 1.000m
Tudo isso lhe passou à margem! Daí a sua caminhada ser quase permanentemente regada com pisco sour, em vez de chá de coca. No entanto, apesar de tudo, do fim do seu sonho ele estava bem cansado. Não pelos motivos da altitude e do tal "soroche" mas, certamente, pela euforia das suas caminhadas nas visitas atarefadas pelo Templo do Sol, do seu amigo Kontiki e outros testemunhos que os seus amigos incas nos legaram.

 Talvez os líquidos que fazem falta para lutar contra o "soroche", não se baseiem, apenas, no chá da coca, mas no chá das videiras do pisco!

Machu Picchu

| Ventor 09.02.13

Caminhando, rumo a Machu Picchu, sonhando.

E o Ventor continuou a informar-me (ao vosso amigo Pilantras), tal como já tinha feito com o Quico, do que tinha fixado com os seus passeios por Cusco e disse-me:

No dia seguinte, após mais um duche e o pequeno almoço, espreitei pela janela do hotel e lá estava o Bus que nos levaria dar mais uma volta por Cusco e arredores, por onde observei algumas ruínas incas.

Eu apanhei pouco mas, por sorte, encontrei um resumo do Quico.

O lama observa tudo, 2430 km em redor do rio Urubamba 

E continuou:

«O Guia falava em castelhano e, não fosse eu levar a lição estudada, o que faço sempre que parto para uma missão, e não catrapiscaria nada mas, nestas circunstâncias, até me podem falar em chinês. Os mapas e roteiros já estavam na minha cabeça.

Chegado da volta do Bus, uma pequena caminhada pela Praça de Armas de Cusco, mais uma olhada sobre os seus horizontes, jantei e instalei-me, mais uma vez, com os mapas e roteiros sobre a mesa, que uma mão ia virando e revirando, enquanto a outra segurava mais um copo de pisco sour. Por fim, quando dei por mim, já catrapiscava os olhos e deitei-me. Dormi tranquilamente umas partes da noite e, nos intervalos, ia sonhando com o Vale Sagrado dos meus amigos Incas e o seu belo rio Urubamba.

Vale Sagrado dos Incas e o rio Urubamba

De manhã, levantei-me, tomei o meu duche, o pequeno almoço e, ainda muito cedo voltei à Plaza d'Armas de Cusco, onde desentorpeci as pernas e, um pouco depois, iniciava a minha nova viagem rumo a Machu Picchu.

Claro que a minha viagem a Machu Picchu não constava dos roteiros turísticos comprados pelo caminho ou em Cusco. Tratou-se apenas de um grande pesadelo que mais pareceu uma tortura. Fiquei desapontado com o trajecto do rio Urubamba. As imagens eram belas, o rio também mas, a subida para Machu Picchu foi tenebrosa. Os incas eram terríveis! O caminho era péssimo, feito tipo calçada com cerca de 50% da sua largura, já de si muito estreita, a desfazer-se sobre o abismo. Mas a caminhada prosseguia, entre incas amigos e incas hostis. Uns ajudavam-me na subida, outros queriam que eu me espatifasse nos precipícios sobre o rio Urubamba.

Cidade Inca de Macchu Picchu 
Mas cheguei a Machu Picchu!
Nas minhas caminhadas encontro sempre, gente boa e gente má. Neste caso entre os próprios índios incas, havia de tudo. No entanto, subi e desci os socalcos de Machu Picchu, entre uns e outros e, o melhor de tudo, foi ver o milho crescer, a água das regas rumava ao seu objectivo e, os barbos dos milhos cresciam entre os folhatos, nas pontas das espigas. Tirei deste sonho-pesadelo, três coisas interessantes. O pisco sour que ainda hoje espero beber um, a beleza das encostas que desciam dos picos andinos até aos meandros do Urubamba e fiquei a saber que, o rio Urubamba se dirigia rumo a norte para se juntar ao Amazonas. Para mim, então, o rio Urubamba, desceria dos Andes para o oceano Pacífico, ali ao lado mas não! Vi, in loco, no meu sonho que a realidade era diferente».
Machu-pichu
A sonhar, o Ventor já tocou nas pedras dos monumentos e templos incas, sentiu que os seus amigos incas, tal como ele, adoravam o seu amigo Apolo, ou Inti, ou ... e que têm uma predileção especial pela sua amiga Diana e, também, pelas suas grandes montanhas - os Andes.
Não é por acaso que, ainda hoje, os incas, todos os dias 24 de Junho, festejam o sol no seu Inti Raymi- Festival do Sol.

Mas o Ventor teve outros sonhos e pesadelos com os seus amigos Incas e já assistiu a um Inti Raymi e eu dir-vos-ei algo sobre eles. Eu sei que, o que o Ventor teria querido era beber o seu pisco sour. Mas na noite do sonho foi ao frigorífico a abanar a cabeça e bebeu o resto de uma caipirinha gelada que, na véspera, dissecara a boca ao Ventor e a um Comandante da Marinha aposentado que lhe falara de almirantes portugueses, da marinha portuguesa, dos cascos dos navios e outras coisas. Depois de barcos, de marinha, de cascos, etç., o Ventor acabou por ir passear para o centro dos seus amigos incas!

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