segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Cruz dos Anjos


A Cruz dos Anjos, encontra-se na Câmara Santa da Catedral de S. Salvador, em Oviedo.

Esta Cruz tem uma lenda: esta que o Ventor contou ao Quico e agora a mim. Pelos milénios, o Ventor tem visto cada coisa!

Um dia. caminhava o Ventor por terras das Astúrias, corria o ano de oitocentos e qualquer coisa. Ia fazer uma visita ao, então, Rei das Astúrias, D. Afonso II, o Casto. O Ventor tinha viajado no seu velho cavalo Antar, desde Córdoba e sabendo numa tasca de Canga de Onis que Afonso II se tinha deslocado a França. para fazer uma visita a Carlos Magno, pensou dar uma olhada sobre as Montanhas da Cantábria e estudar a barreira natural por elas formadas para continuarem a obstacular as investidas sarracenas.

D. Afonso II, o Casto, tinha mudado a capital do reino para Oviedo e o Ventor sabia que D. Afonso II, queria uma Catedral em Oviedo e, com os seus arquitectos, planearam a arquitectura dessa catedral. Porém era bom que se aproveitassem as construções existentes, então, como a cripta de Santa Leocádia.

A Cripta de Santa Leocádia, dentro da catedral de S. Salvador de Oviedo

A construção da Catedral de Oviedo, levou cerca de três séculos.

Catedral de Oviedo tirada da wikipédia

Mas voltando à Cruz dos Anjos.

Quando D. Afonso II, o Casto, regressou de França de uma das suas visitas a Carlos Magno, vinha a pensar, como poderia fazer uma cruz para a sua futura nova Catedral, que ficasse como uma obra de referência para a posteridade. Ele sabia que a Cruz da Vitória que o nosso amigo Pelágio tinha usado na batalha de Covadonga tinha sido feita de carvalho e pensava que as Astúrias mereciam uma cruz que mostrasse ao mundo a sua grandeza, em Arte e em Fé.

Afonso II, o Casto, caminhava, lado a lado, com o Ventor, à sombra das árvores de um bosque, onde predominavam carvalhos, castanheiros e amieiros, desceram das montadas, sentaram-se numa pedra e, Afonso II disse ao Ventor, o que pensava fazer. Disse que a Cruz onde Cristo morreu, merecia uma nobre representação de ouro e pedras preciosas e seria essa cruz que devia representar a grandeza religiosa das Astúrias. Junto deles, por trás de umas rochas, acabavam de acordar dois peregrinos que ouviram parte da conversa e sabiam tratar-se de uma cruz com ouro e jóias. Dirigiram-se a D. Afonso II e ao Ventor e viram que se tratava do rei, fizeram a sua reverência e disseram ser artesãos com capacidade artística para fazer esse trabalho.

D. Afonso II olhou o Ventor que encolheu os ombros e sorriu. O rei observou os peregrinos e disse-lhes: "venham connosco e vamos tratar do assunto"! Seguiram e o rei, depois de muito pensar, fez o que os peregrinos lhe pediram. Um local isolado para trabalhar, a madeira, o ouro e as jóias e não queriam ser incomodados por ninguém, enquanto executassem a obra.

O rei estava sempre a mandar os seus assistentes para verem o andamento dos trabalhos mas o local mantinha-se fechado. Por fim, julgando que tinha caído no conto do vigário, decidiu ir lá, não tivesse sido vigarizado por peregrinos ladrões. Ao chegar, verificou que a porta do local resplandecia luz e a cruz estava pronta tal como tinha sido combinado. Ao lado da Cruz estavam as roupas dos peregrinos. Os peregrinos tinham sido anjos e D. Afonso II, o Casto, mandou fazer dois anjos de ouro para ficarem sempre ao lado da Cruz. Foi esta segundo pensam os especialistas, a primeira obra de ouro e pedras preciosas realizada nas Astúrias.

As Ruinas de Palmira

 | Ventor 30.03.16

Palmira, na Síria é uma cidade antiga que terá nascido durante o neolítico e, segundo rezam os arautos essa cidade era, em tempos, aquilo a que eu me atrevo a chamar uma espécie de entreposto das caravanas da seda. Uma espécie de mala-posta da seda. As caravanas da seda atravessavam toda a Ásia, desde a China e, tinham de atravessar todo o deserto sírio, até esse oásis, que deu lugar a Palmira, ou Tadmor e onde homens e camelos matavam a sede, saídos desse inferno sírio de areia e estepes.

Mapa da Rota da seda. Foto tirada da Wikipédia de autoria de Shizhao. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license

Os assírios já referenciaram Palmira no início do II milénio antes de Cristo. Posteriormente, com guerras e antiguerras, o oásis de Palmira começou a brotar tudo para crescer como uma cidade e tornar-se num império.

Primeiro fez parte do Império Selêucida, um império que surgiu de um dos retalhos originados pela divisão do Império do meu amigo Alexandre Magno. Posteriormente, como não podia deixar de ser, foi integrada no Império Romano que avassalou toda a área em volta do Mediterrâneo.

Odenato foi rei e imperador. Era de descendência árabe e entrou em guerra com os sassânidas persas. Ficou entrincheirado entre os sassânidas persas e os romanos e, com o tempo, foi assassinado.

Sua esposa, Zenóbia, sucedeu-lhe e entrou em conflito com os romanos e, posteriormente, estes destruíram a cidade e massacraram a população. Pelos séculos fora, Palmira foi uma cidade de conflitos, devido à sua posição estratégia, entre o Mediterrâneo e o Eufrates.

Mais modernamente, já nos nossos dias, o chamado Daesh, tomou Palmira e destruiu algumas das sua ruínas. Entre elas o Templo de Bel.

Uma fotografia da trindade palmirense, da autoria de Emmannuel Pierre, tirada da Wikipédia. Esta obra de arte encontra no museu do Louvre em Paris. A foto representa Malakbel, Baal-Shamin e Aglibol

Estes terroristas terão destruído os templos de Bel, de Baal-Shamin, a Estátua do leão de Alat e na sua fuga às forças sírias e ruças, dinamitaram, no domingo passado (fins de Março de 2016), o Arco Monumental do Triunfo de Séptimo Severo, construído entre 193 e 211 AD.

Os Daesh, também já tinham destruído o Leão de Alat. Alat tinha sido uma deusa pré-islâmica de Meca.

O leão de Alat, foto tirada da Wikipédia, de autoria de Mappro.

Jericó, no rio Jordão

| Ventor 05.12.15

Vou ver se sei colocar aqui tudo o que o Ventor me contou sobre uma cidade a que os homens de outros tempos chamaram Jericó. Os meus amigos Ventor e Diana gostavam de caminhar pelas margens dos rios nas suas caçadas. Diana caçava e o Ventor observava. Foi assim, também, nas margens do rio Jordão, como o Ventor contou ao Quico.

Um dia caminhava o Ventor nas margens do rio Jordão e encontrou vários homens a brincar com as pedras. Alinhavam e desalinhavam muros, tentavam fazer muros circulares e, nas margens verdes do rio recolectavam vários frutos, como tâmaras e outros. Jericó foi conhecida no passado como a cidade das palmeiras.

Os homens terminaram as suas brincadeiras e procuravam dormir à sombra de rochas e palmeiras. Outros procuravam guardar o recinto das feras que por ali apareciam.

Uns putos olhavam a paisagem e começaram eles a brincar com outras pedras, iniciando uma aprendizagem que, mais tarde, levou os seus descendentes a prosseguir nos gostos daqueles que passaram a ser os seus avós.

Começaram a organizar-se de um modo mais social. Organizaram a sua vida, aprendendo a tirar partido do seu quinhão de terra por onde caminhavam e passaram a organizar-se numa sociedade cada vez melhor.

 

Entre Jericó e Massada, descendo pela margem direita do Mar Morto

Passaram a tomar conta de alguns animais e perceberam que a terra que lhes dava os produtos com que se alimentavam seria mais generosa se soubessem tratar dela. Ali, nos aluviões do rio Jordão, eles poderiam ficar para sempre e o mundo começou nova aprendizagem! Tinham terra verde nas margens do seu grande rio, tinham a água da vida e tinham praticamente tudo que precisavam desde que se soubessem organizar. 

Monte Hérmon, na Síria, onde nasce or io Jordão

Haviam muitas coisas que eles não sabiam mas foram aprendendo. Não sabiam tirar proveito das possíveis produções agrícolas, não sabiam que viviam numa depressão geográfica a cerca de 240 metros abaixo do nível médio do mar mediterrânico, nem sabiam que por trás dos seus horizontes haviam outras gentes que, tal como eles, viviam também o seu estágio de aprendizagem.

Na depressão do seu rio, que vai de Israel aos montes Golam, as gentes do rio desenvolveram os trilhos da sua civilização. Aprenderam a trabalhar a agricultura e a construir as suas cidades. O rio Jordão nasce na Síria, no monte Hérmon, com 2814 metros de altitude e com o seu pico quase sempre coberto de neve. Desce até ao Mar Morto, onde entra numa depressão geográfica com 417 metros abaixo do nível do mar mediterrâneo, actualmente, em 2004.

Mas, entretanto, antes de chegar ao Mar Morto ou Mar Salgado, o rio Jordão ainda tem tempo para se espraiar pelo Lago Tiberíades ou Mar da Galileia onde há dois mil anos, Jesus Cristo lançava as redes para pescar peixes e para pescar homens.

Tiberíades, nas margens do Lago Tiberíades o chamado Mar da Galileia

"Sea of Galilee 2008" por Pacman - Fotografia própria. Licenciado sob Domínio público, via Wikimedia Commons

Noutros rios e, com outras gentes, os rios mais mediáticos da história das civilizações, como o rio Nilo, o rio Tigre, o rio Eufrates, o rio Amarelo, o rio Azul e tantos outros, outros grupos humanos, tais como as gentes de Jericó, também travavam o seu diálogo com a natureza das coisas e começaram a aprender a sobreviver.

Tentei recordar aqui o rio Jordão porque, é nas margens dos grandes rios que se desenvolveram as grandes civilizações. E, apesar do rio Jordão não ser um grande rio e fazer parte de uma bacia endorreica, nascendo nas montanhas do anti-Líbano e morrendo num super lago, o Mar Morto, à sua volta desenvolveram-se grandes civilizações, e cidades, sendo Jericó a mais velha cidade do mundo, sempre habitada.

 
Jericó

Uma das vezes que o Ventor e Diana voltaram às margens do Jordão começaram a observar que as gentes das suas margens já tinham adquirido os seus conhecimentos de como trabalhar a terra e a pedra.

Os netos dos putos de outrora já tinham feito grandes construções de pedra e já iniciavam e arquitectavam muralhas para a defesa da sua cidade. Tudo isto, há cerca de 11.000 anos!

Foi assim que nasceu a cidade mais antiga do mundo, sempre ocupada socialmente - Jericó! Foi esta a cidade cujas muralhas tombaram ao toque das trombetas de Josué (o substituto de Moisés), à ordem do Senhor da Esfera, quando os judeus fugiram do Egipto.

Esta cidade fica a 8 km da costa setentrional do Mar Morto e a cerca de 27 km de Jerusalém.

Hoje, como há 11.000 anos, as gentes de Jericó e de todo o vale do rio Jordão, continuam a lutar pela sua sobrevivência, sem esquecerem as suas velhas muralhas e outras mais jovens. Foi isto que o Ventor me contou para eu vos recordar.

Eu ouvi chorar por Alepo


Alepo, cidade histórica, feita Património Mundial, pela UNESCO, desde 1986.

Alepo é uma cidade habitada desde os 5.000 anos A.C.. Ela foi, uma cidade assimiladora de várias culturas. Habitada por muitos povos, desde ...., Assírios, Gregos (conquistada por Alexandre Magno), Romanos, Egípcios, Mongóis, Muçulmanos, ...

Vista da cidade de Alepo, tirada da Wikipédia, de autoria de Memorino. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license

Chegou a ser uma das maiores cidades do Império Muçulmano, logo a seguir a Constantinopla e ao Cairo. Foi, em tempos, términos da Rota da Seda. Com a construção do Canal do Suez, perdeu a rota da seda e iniciou o seu declínio, também devido ao isolamento da Síria.

Mas, neste mundo, sempre que ouvimos falar de cidades históricas, é sempre por factores negativos. A última foi Alepo mas, como Alepo, há tantas outras espalhadas pela Síria, pelo Iraque, pelo Afeganistão, pelo Líbano, ...

Por aqui e por ali, por ali e por aqui, existem cidades inesquecíveis que, ou englobam velhas ruínas das suas gentes de outrora ou renasceram e tentam caminhar ali por perto, ainda sobre as cinzas do passado. É assim por todo o médio oriente e não só. Tudo isso, analisando ponto por ponto, quantas vezes em nome de religiões, do petróleo, de interesses estratégicos, quantas vezes sem ligarem puto aos seres humanos que apenas querem viver a sua vida e que os deixem em paz.

Mesquita de Alepo, tirada da Wikipédia, de autoria de Preacher lad. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license.

Ninguém quer saber de ninguém! Em nome de Alá, em nome de Cristo, em nome de Jeová, em nome de santos e de santas, em nome de egoísmos que não deviam de existir.

A última vez que ouvi falar de Alepo, foi a um estudante sírio num programa de rádio. Ele está refugiado em Portugal a estudar numa universidade, sustentado por uma bolsa de estudos angariada através da Plataforma Global de Apoio às crianças sírias com o apoio do Ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.

Esse tal cidadão de Alepo, cujo nome não recordo, disse na rádio que os sírios são fortes e não choram. Eles vivem a tristeza da guerra na Síria, longe da família e eu não acredito que um homem que diz que chora a ouvir a Marisa cantar certos fados, que não chore ao ouvir as ruínas de Alepo a chorarem lá tão longe e que, ao mesmo tempo, sabe dizer que seus pais lhe dizem, de lá tão longe, junto às ruínas de Alepo que estão bem, mas ele não acredita.

Claro que os homens têm muitos modos de chorar mesmo que seja silenciosamente. E sabem que, numa cidade onde falta tudo que é essencial, como a água, a electricidade, o comer, tudo, ... nunca se está bem.

Eu sei amigo sírio que chorarás pela tua família, pela tua Alepo, por tudo o que está a levar a Síria a maiores ruínas. Só espero que continues com os teus estudos e que nada te falte cá no nosso Portugal onde ainda há muita gente de bem e que tu dizes gostar muito. Que nunca te falte o amor da nossa gente, os nossos comeres,os nossos pastéis de nata.

Espero também que essa bela Plataforma Global de Apoio que Jorge Sampaio tudo tenta fazer para continuar com êxito a apoiar-vos nunca falhe, por vós, pela Síria e por Alepo.

Monte Nebo

| Pilantras 05.12.15

Encontrei aqui alguns rascunhos do Quico e, para os que não se recordam, o Quico foi o gato que, antes de mim, era o grande amigo do Ventor.

O Ventor andou a mexer nos discos externos e depois, já farto de tanta coisa, foi ver um filme. Aproveitei para ir vendo o que estaria por aqui, deixado pelo Quico. Encontrei um título de um post começado e não acabado. Esse título era simples. Dizia só: Monte Nebo.

Este é o Monte Nebo de que o Quico iria Falar e a morte não o deixou

"Mount Nebo BW 6" por Berthold Werner - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Ora eu estou farto de ouvir o Ventor falar em montes e nunca me tinha falado neste. Ele passa a vida a falar da Pedrada o grande monte da vida dele, na Derrilheira, na Naia, na Serrinha, no Giestoso (monte mais alto dos lados  da Peneda), nos montes que, grandes ou pequenos, nunca acabam.

Abri o Monte Nebo e descobri coisas novas que o Quico já sabia. Às vezes fico a pensar que o Ventor tinha razão ao dizer que eu nunca chegaria aos calcanhares do Quico para falar por aqui, das coisas do mundo mas, o que o Ventor não me disse, é que teve sempre muito tempo para o Quico e tem pouco tempo para mim.

O Quico também dizia que haviam homens que transportava a arca da aliança e, segundo o Quico, ela teria sido escondida pelo profeta Jeremias, nesse tal Monte Nebo, quando os exércitos babilónicos de Nabucodonosor invadiram Israel e destruíram o Templo de Salomão. O Monte Nebo situa-se na Jordânia e tem cerca de 700 metros de altura.

Placa no Monte Nebo

"Mount Nebo Distances" por David Bjorgen - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Daqui, conforme esta placa, Moisés despediu-se do Planeta Azul. Tinha a terra prometida à vista e não a iria pisar. Foi essa a vontade do Senhor da Esfera a que os israelitas davam e dão, o nome de Jeová. Conforme essa orientação da placa, Moisés viu Jericó, mas não a viu cair aos pés de Josué, quando ele manda tocar as trombetas para o ataque. Dali, Moisés viu Belém, o lago Tiberíades, o mar Morto, Jerusalém, Nablus, Ramallah e todo esse mundo que Cristo pisou

Na Arca da Aliança eram guardadas as Tábuas (chamam-lhe tábuas, mas eram de pedra) que Jeová entregou a Moisés para orientação do povo de Israel. Mas não há homens nem povo que não cometa pecados e o povo de Israel, foi escravizado por Nabucodonosor.

Jeremias terá escondido a Arca da Aliança algures e, há quem pense que ela estará nesse monte - o Monte Nebo.