sexta-feira, 1 de novembro de 2002

Ventor e Nemrod

  Ventor 01.11.02

Mais uma conversa do Ventor

O Ventor falou-me sobre o seu amigo Nemrod que, há muitas gerações atrás, vagueia sobre a Terra acompanhando o seu velho cão mas, fá-lo sem qualquer pena, sem ter que prestar contas aos seus velhos inimigos, assírio-caldaicos ou, eventualmente, a outros mais modernos. Isto é, Nemrod vagueia sobre a Terra mas não é nenhuma alma penante. Ele participa de um estudo do Senhor da Esfera, sobre a eventualidade de varrer da face da terra o homem que quis criar à sua imagem.

Diz o Ventor:

«há muitas gerações que nos damos bem. Quando nos encontramos, bebemos uns copos, cantamos, rimos e, apesar das tristezas com que o mundo dos homens nos tem presenteado, tudo nos tem corrido mais ou menos. De vez em quando, aparece-me em forma de duende, em qualquer lugar».

E prossegue:

«às vezes, encontrava-o debaixo do seu grande chapéu, que usava nos tempos das grandes caçadas, nos vales e florestas da Caldeia, aquelas que, com o andar dos tempos, se transformaram em poços de petróleo, focos de raiva e cobiças das últimas gerações.

Não é por acaso que as terras da Caldeia eram ricas em leões e que os homens desses tempos tinham de lhes dar caça. Os leões apareciam nos galinheiros tal como as raposas fazem hoje pelas aldeias serranas. Levavam galos, animais domésticos e, até, pessoas.

Nas planuras que envolviam as partes baixas do Tigre e do Eufrates, a caçada era feita com arco e flecha, nas áreas montanhosas, mais a norte, a caçada era feita com lanças ou zagaias. Já nessa altura se apostava em manter o equilíbrio das espécies e as caçadas começaram a ser selectivas, mas lá, como hoje cá, começaram a aparecer os "shungas"! Começaram a fazer da caçada uma shungaria. Nemrod morreu, o Ventor partiu para outras galácticas e a shungaria começou a dar cabo de tudo. Quando o homem se começou a achar inteligente só porque tinha começado a raciocinar, acabou a estragar tudo. Havia sido descoberto o fogo, já há milénios, uma arma terrível para bem do homem e, também, para seu mal.

Acharam que deviam acabar com os leões incendiando as florestas e preparando-lhe armadilhas. Os leões fugiam à frente dos incêndios e, de repente, viam-se, frente a frente, com autênticas hostes selvagens e raivosas, sendo espetados com lanças ou furados com flechas. Nas casas dos grandes senhores as peles dos leões eram sinónimo da sua força e riqueza. Nesses incêndios, eram arrasadas florestas e todos os animais selvagens, apenas para apanhar leões!

Mas as coisas começaram a correr muito mal. O clima começou a mudar e a região começou a ficar cada vez mais seca. As florestas não foram recuperadas com a intensidade com que foram destruídas e a riqueza que todos os dias dava graças à passagem do meu amigo Apolo, acabou por se ir infiltrando, envergonhada, no solo, escondendo-se por lá. Passou a ser a riqueza escondida que durante milénios ali se foi acumulando até, um dia, vir ao de cima a capacidade do homem para a ir buscar mas, toda essa riqueza só tem enchido o umbigo a alguns e feito a pobreza de muitos, à sua volta. A riqueza deveria ser extraída para bem de todos e não apenas para o bem de uns poucos. Começou a ficar tudo numa grande caldeirada como no tempo do meu amigo Noé.

A cabeça de cada homem é um mundo esférico e independente, como o nosso mundo exterior. Vivem em confronto permanente uns com os outros e cada um, apenas magica em como deve prejudicar o outro e, apenas, por vezes, devido a forças de tracção que o induz a garantir a sobrevivência, é levado a ponderar os seus actos mas, por pouco tempo. Num ápice, devido à cobiça e inveja, começa a perceber que o vizinho tem uma vida melhor por razões que ultrapassam o seu conhecimento e, então, acaba por inventar. Muitas das vezes, esquece-se que o vizinho tem uma vida melhor porque sabe gerir melhor os seus recursos. O vizinho trabalha e obtém os seus frutos que gere da melhor forma possível virado para o essencial da vida enquanto o outro, avarento, vai para as festas, viver à grande e enriquecer outros.

Ele gasta os recursos nas discotecas, nos bares, nos fados, em bombas automóveis modernas e, depois, não tem o suficiente para tratar dos filhos, da sua educação e das necessidades da casa. Gasta os seus recursos em tornar outros ricos esquecendo-se do que para si é essencial. Hoje é assim e, no tempo do meu amigo Nemrod, também assim era. Uns com mais cavalos ou com mais camelos, formas de riqueza na época, com mais ou menos mulheres, com mais ou menos cabras, burros ou ovelhas, contabilizavam, na areia, as virtudes ou as desgraças do dia a dia e originavam conflitos inconcebíveis!

Hoje, com os mesmos ou outros meios, tudo gira da mesma maneira. Os cavalos que rebocam a nossa viatura ou a do vizinho ainda são criados nas caudelarias da Mesopotâmia, como nos tempos de Nemrod mas, tal como então, uns têm mais cavalos que outros e isso, faz mover invejas».

Calculem, agora, se os vizinhos de que o Ventor fala, conhecessem as caudelarias e as viaturas de Marduk!

Mas o ventor continuou:

«hoje, o mundo está a cometer os erros de outrora! Existem incendiários por todo o mundo. Na área Mediterrânica como por outras áreas inter-tropicais, as florestas ardem porque parece que há muita gente, por razões várias, a achar piada a isso. Os recursos para apagar os incêndios são sempre poucos e as catástrofes originadas por eles, são cada vez maiores. Eles consomem tudo! Animais selvagens e domésticos, economias de sobrevivência das pessoas e toda uma cadeia que nos vai reduzindo a capacidade de permanecer no Planeta Azul. Dá a impressão que esses malfeitores são a mão satânica que nos tenta empurrar para o abismo e o seu fim deveria ser, terminar com essas forças satânicas, reduzindo-as a cinzas, num qualquer galho ardente do fogo que, voluntariamente, atearam».

 Ruínas da velha Babilónia

 Nesses tempos da velha Mesopotâmia, diz o Ventor, que já haviam poesias com este teor:

 Babilónia

Cá, nesta Babilónia, donde imana,

Matéria a quanto mal o mundo cria.

Cá, onde o puro amor não tem valia,

Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,

E pode mais que a honra, a tirania;

Cá, onde a errada e cega Monarquia,

Cuida que nome vão, a Deus engana;

Cá neste labirinto, onde a Nobreza,

Com esforço e saber pedindo vão,

Às portas da cobiça e da vileza.

 Cá neste escuro caos de confusão,

Cumprindo o curso estou da natureza.

Vê se me esquecerei de ti, então!

Diz ainda o ventor:

«este é um poema de Gilgamesh que leu com os olhos arrasados de lágrimas junto das falésias que circundavam o encontro dos belíssimos rios Eufrates e Tigre, com as águas do chamado Golfo. Ali gritou Gilgamesh: "estou cheio desta gente, vou partir"!

Foi estarrecedor ver aqueles dois amigos, Nemrod e Gilgamesh, abraçados a chorarem as misérias que devassavam Babilónia»!

"Ventor!!! Gritou Nemrod. Prepara o teu arco, lança a flecha e, que ela não passe para além dos cedros do Líbano! Este é o espaço que damos ao nosso amigo, para caçar, viver, fazer as suas culturas e, se achar conveniente, explorar os cedros. A ti, peço-te a missão de o vigiares, mantendo sempre a sua integridade física».

O meu arco e a minha lança, serão apontados sobre a vilania, a cobiça e a tirania desta terra, onde serão repostos valores como o amor e a honra, e partirá, rio abaixo, este escuro caos de confusão".

quarta-feira, 23 de outubro de 2002

Noé e a Barcaça

 Ventor 23.10.02

Como sabem, o meu amigo Ventor é homem de todos os TEMPOS!

 Ele diz-me que Noé era um homem de bem. Preocupava-se com os seus concidadãos era um empreendedor e justo na sua caminhada.

Noé fazia vários negócios e como devem calcular, não era fácil trabalhar naquele meio. As caminhadas eram longas e os negócios não eram feitos com produtos perecíveis, como hortaliças, ovos, leite, frutas ... O calor destruía tudo. Estes negócios cingiam-se a locais circunscritos e geograficamente muito pequenos. Isto já porque nessa altura os calores eram enormes, a água pouca e tirados alguns oásis a vida era difícil. Tudo isto por amor de Apolo! Apolo gostava muito de Adão e dos seus descendentes e tratava-os o melhor que podia. Daí dar-lhes muita luz e muito calor e depois as noites, mal Apolo virava costas, ficavam geladas e Diana não sabia que fazer na sua azáfama de ajudar e gritava para que Apolo chegasse depressa com os seus raios abrasadores. E tinha razões para se preocupar! Com os frios nocturnos, as pessoas matavam os animais para lhes tirar as peles e utilizá-las como agasalhos. Assim, Diana, pedia a Apolo para dar luz e calor para ajudar os humanos e também para ver se não ficava sem as suas coutadas de caça que todos os anos ficavam muito reduzidas. Então Apolo aparecia com a sua força abrasadora e esturricava tudo.

 Apolo

Quando o Ventor criticava tanta generosidade, Apolo tapava os olhos com as costas das mãos para não ver a reacção do Ventor ou, então, metia os dois dedos indicadores nos ouvidos para não o ouvir. Tudo porque a generosidade de Apolo era muito grande e perdia-se no que fazia. Ele chegava a esturricar Diana, durante a noite, para ela reflectir a luz e o calor que ele lhe dava, para ser ela a distribuir, indirectamente, tudo isso, sobre a Terra. E ainda hoje faz isso!

Os homens que cresciam a olhos vistos, tinham uma vida difícil e começaram a sobreviver à custa de habilidades. Tal como hoje! Já nessa altura, se matavam pessoas por pequenos roubos cometidos para tentarem sobreviver. Os mais habilidosos tinham menos dificuldades. Valiam-se de tudo, até da escravidão dos seus semelhantes. Já nessa altura se inventaram casas de alterne e maneiras de desviar os incautos dos seus objectivos. A vida fácil era a maneira mais simples de singrar na sociedade. As pessoas simples do povo eram desviadas para rumos mais condignos com a podridão social. Depois apareceram também os "donos", uma espécie de jagunços mandatados pelos lugares tenentes dos reis e, às vezes, por estes para, através do fisco, lá está o fisco, sempre o fisco, acabarem de depenar os simples cidadãos. O fisco não dava nada e levava tudo. Tal como hoje!

Eram meia dúzia a comer o suor de muitos. Exactamente, como hoje! Aquela espécie de jagunços, eram homens armados pelos poderosos para extorquir as riquezas dos que produziam. Os que extorquiam viraram ricos, sempre em nome de algo. Na altura era do rei, dos deuses e entre essses estava sempre, na linha da frente, o Marduck!

Disse-me o Ventor que o Noé era um homem de bem. Enquanto podia, pagava tudo, mas chegou uma altura que ficou completamente manietado e sem fundos. Ficou à pega com os grandes senhores que, tal como o fisco, aprenderam a domar quem trabalha. Mas, enquanto Noé progredia, a podridão social crescia mais e mais e, então, Noé, era rodeado de amigos daqueles cheios de grana alheia. Estes meteram ideias na cabeça de Noé para fazer crescer os negócios pois que teria todas as ajudas possíveis de capitais. Eram, assim, tipo os nossos bancos de hoje. Davam créditos! Só que, depois, se as pessoa não pagavam ficavam-lhes com tudo. Noé era um empresário, então, e possuia uma pequena frota que navegava no Golfo Pérsico de então e, lá ia fazendo troca de vários produtos e até de camelos e outros animais.

Baseado nas promessas dos seus amigos endinheirados, quis fazer uma frota maior e, para isso, baseado nas ajudas prometidas, mandou construir uma enorme barcaça.


 A Barcaça do seu amigo Noé era para ter esta forma. Mas as madeiras dos cedros do Líbano que continuaram a ser cortadas pelos descendentes de Gilgamesh, outro amigo do Ventor, eram transportadas por caravanas que tinham sido desviadas por nómadas e Noé teve de se amanhar com o que tinha e saiu a barcaça que vocês conhecem e de que muito se falou e se continua a falar.

A grande Barcaça consumiu tudo e Noé ficou sem possibilidades de pagar os créditos chegando mesmo em pensar fugir para o lado de lá do Golfo, quando lhe começaram a arrestar as suas coisas. Mandou preparar a família e os animais, em especial os camelos e outros que eram a sua pequena fortuna.

Então, cheio de medo do que poderia acontecer pediu ao Senhor da Esfera e, ... depois, já sabem como foi! Um dia, o Senhor da Esfera, já farto das aldrabices que os aldrabões iam semeando cá pelo Planeta Azul, decidiu acabar com tudo e vejam lá que até o Noé não era para se safar. Mas, como já sabem, o Apolo e o Ventor tanto lhe pediram que foi decidido safar o Noé, a sua família e todos os animais que, já então, existiam e que tinham dado uma grande trabalheira nas Oficinas do Senhor da Esfera.

Então o Senhor da Esfera decidiu ter uma conversa com Noé e voltou atrás na sua decisão de desfazer tudo. Decidiu, então, aproveitar os planos já colocados em iniciação por Noé e pediu ao Ventor para dar uma olhada para ver se o que tinha decidido seria bem cumprido. Claro que o Ventor pensou logo em travar a entrada de alguns bichos na grande Barcaça de Noé, mas depois arrependeu-se e deixou que fosse o Noé a decidir isso. O Ventor ainda chegou a pedir ao Noé para que não deixasse entrar o casal de cobras mas, as habilidosas meteram-se no meio de uma cesta de figos que o Noé levava para comerem enquanto andassem a boiar no Dilúvio e, elas, assim se safaram.

Por isso, ainda hoje, continuam a não gostar do Ventor e o Ventor a não gostar delas. Mas elas esquecem-se que, se o Ventor quisesse mesmo que elas não entrassem na grande Barcaça, não entravam e pronto! Mas o Ventor sempre entendeu que a água vai fluindo sempre para o mar e não deve ser desviada do seu percurso e não ser que tenha de ser mesmo. Mesmo desviando o percurso à água, ela continua a fluir para o mar. Como dizia o preto na África Minha, o lugar da água é em Mombaça!

Sempre assim foi e sempre assim será! Talvez um dia os portugueses reponham o fluir natural das suas águas em todos os níveis! Se o povo português não terminar com a avareza de meia dúzia de falsos iluminados e fazer as suas águas correr naturalmente para o mar, continuará na penúria, enquanto os vendilhões da política, esses politiqueiros, quais vampiros, lhe continuam a sugar o sangue com toda a naturalidade. Diz o Ventor que isto por aqui anda um pouco à deriva como no tempo de Noé. Olhem-nos bem nos seus olhos quando vos falam e, notarão imediatamente a falsidade dos sorrisos que se abrem para vós. Todos sem excepção! Não tardará muito aparecerá um Noé nesta sociedade engendrada por aldrabões. Mas será que o Senhor da Esfera exterminará todos os outros?  

segunda-feira, 2 de setembro de 2002

Glória a la Vida

 Ventor 02.09.02

«Ao passar pelas catacumbas da Net e, à medida que vou driblando o tempo e penetrando nos célebres artigos pictoriais existentes, achei uns retalhos de arte, daquela que foi uma vida de luta, de tristezas e de alegrias, de tempos primordiais à Pré-História, à qual eu assisti, cheio de vontade de fazer o tempo progredir na mente daqueles sisudos homens, aos quais eu pertenci e com os quais partilhei a limpidez das estrelas, das águas puras, dos ares límpidos, da pureza das chuvas, das neves e dos gelos.

 

Os gelos aterrorizavam

Caminhar na neve era terrível. Por isso, era necessário ficar sempre por perto 

Observar as pinturas que projectavam os animais nas paredes, era outro. Este bisonte, já foi apreciado pelo Ventor nas Grutas de Altamira

Perante o turbilhão de catástrofes que a Esfera fazia cair sobre o nosso Universo terreno e humano, com o fito de redimir os homens e que acho nunca conseguiu os intentos propostos, tal como eles, demandei cavernas obscuras onde, nos gelos quase perpétuos do quaternário e outras sequências intemporais a que os homens deram nomes científicamente comprovados ou não, permanecíamos vidas inteiras em que só poderíamos espreitar as estrelas para confirmar se o céu continuava a existir e, para mantermos a esperança de que todos os dias Apolo regressava para o cumprimento da praxe do seu sempre amigo Ventor.

Apanhar um pouco de sol para aquecer o corpo e a alma enquanto se dissertava sobre os famosos artistas, era um dos passa-tempos preferidos

As saídas desses buracos, alguns quase pareciam palácios actuais, pelo menos nas suas paredes internas e tectos, constituídas pelos rochedos das montanhas, enfeitadas por homens cheios de habilidade, apenas se dava por curtos intervalos de tempo, quando havia necessidade de reabastecer as despensas com os pedaços de carne que tínhamos que obter nas caçadas dos outros selvagens que, por uma questão de génio, ardil e de forças conjugadas, eram obrigados a ceder-nos as suas energias que iam armazenando no despontar da vida vegetal que angariavam por vales e encostas mais consentâneos às suas existências.


Observar as pinturas que projectavam os animais nas paredes, era outro. Este bisonte, já foi apreciado pelo Ventor nas Grutas de Altamira

Logo na saída das cavernas, todos os humanos prestavam, numa atitude de protração, a sua homenagem diária a Apolo, mensageiro da Esfera e, ao mesmo tempo, agradeciam ao Ventor, por ter tornado sua, a tarefa da sua protecção. Mas, quando os dias viravam autênticas noites, devido a intempéries originadas por lutas sem tréguas, no interior da Esfera e Apolo, por precaução, não se mostrava, todos julgavam que era, dessa vez, o nosso fim. E antes do términus, nada como colocar, em prol do colectivo, a capacidade de cada um.

Assim, ciclo após ciclo, século após século, milénio após milénio, todos os seres humanos, através dos seus mais habilidosos representantes tinham, por engenho e arte, um processo de deixar para a posteridade, uma demonstração do que teria sido a sua vida ao longo da luz e das trevas, nas venturas do tempo com os seus companheiros de caminhada.

Eu incentivei a que assim procedessem, para que, um dia, na vastidão do espaço e do tempo, todos os vindouros se fossem apropriando dos progressos que seus antepassados foram conseguindo, ajudando-os a continuarem sempre, em diferentes e inovadoras tarefas, que levassem àvante um fluir constante daquilo a que, com os tempos, viemos a chamar civilização, cultura, arte, ... enfim, progresso.

Achei giro que, milénios depois de façanhas milenares, viesse a encontrar em bits de quase nada, tanta grandeza expurgada dessas cavernas quase eternas que vão resistindo a todos os eventos que a natureza, os homens e as imprecações da Esfera as põem à prova.

Aqui, em Lascaux, tal como em Altamira, um dos apaixonados de Diana exibe os êxitos das suas pinturas 

Por isso, gostaria de vos deixar aqui muitas maravilhas da Arte Rupestre, porque foi executada no único papiro conhecido na época. A pedra!

Penso que ainda por lá poderei encontrar pinturas que foram minhas e que representarão as grandes caçadas que eu e Diana levamos a cabo em vales sem fim, através dos tempos e, no aconchego do calor e do amor que nos aqueciam, colocamos os nossos traços de representação de uma vida maravilhosa, própria dos deuses e, no ensino permanente de como fazer a espécie humana levar por diante a sua continuidade neste rodar permanente desta eterna Esfera a que pertencemos».

Comentários

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Tina

27.01.11

Gostei muito, como sempre!
Bjs!
Melhoras!

quinta-feira, 29 de agosto de 2002

O Ventor no Princípio

 Ventor 29.08.02

... No Princípio, era a Escuridão Total!

Nos Princípios do Mundo ...

... é verdade amigos. O vosso amigo Quico, ouve cada coisa ao Ventor! Ouçam só, esta história!

No princípio - diz o Ventor - eram as trevas. Só os deuses habitavam o mundo. A vida dos deuses tornou-se monótona, triste mesmo. Viviam nas trevas e para as trevas!

Um dia, o Todo Poderoso, que já começava com dificuldades em ter mão nos seus pares da Esfera, achou que devia mudar tudo. Ouviu o Concelho da Esfera e apresentou o seu novo projecto. A Criação do Homem! Mas, achou que o homem não se iria dar bem com as trevas. Então, começou a matutar nas hipóteses que tinha para fazer uma coisa nova, completamente diferente do que até ali havia. Mas esse projecto original, tornou-se numa confusão muito grande. Para isso, começou por semear, no espaço escuro, umas estrelinhas luminosas. Com o andar dos tempos, as estrelinhas começaram a discutir umas com as outras. Qual delas a mais bela, a que tinha mais luz, a que seria a mais famosa, a que mais agradaria ao futuro boneco que o Criador iria colocar num qualquer ponto do Universo para as contemplar.

Começou, assim, a Primeira Guerra das Estrelas, não aquela que já vimos nos cinemas e TV's - eu já a vi, na TV, com o Ventor. Mas outra muito mais complicada! Houve muitas explosões que mais pareciam fogos de artifício, mas houve, muito pior que isso, muitas ações de canibalismo. As estrelas absorveram-se umas às outras e, ainda hoje, vivem essa guerra, desmesuradamente.

Apesar de tudo, o Criador todos os dias apresentava obras novas. Depois, os seus pares desse Reino Universal, já gozavam com as brincadeiras que o Criador inventava para passarem o tempo. Chegou a fazer vários bonecos de barro, ou argila se preferirem, ou até mica, ... sei lá! Depois passaram uma eternidade a escolher o boneco que iria ser o original representante da futura massa de gente que o mundo viria a suportar. Os vários bonecos foram espalhados por várias partes do universo. Uns mais gorduchinhos, outros mais fininhos, outros com antenas, ... sei lá quantas formas!

Uma das muitas imagens de Apolo, o grande amigo do Ventor, a tocar a sua cítara

Depois começaram a chamar-lhes vários nomes, como marcianos, venusianos, ... e, depois, já mais perto dos nossos tempos de homens, gatos ... já lhes chamaram extraterrestres, ovnis ... para não haver mais confusões. Havia por lá uns tais mauzões, chamados ... nomes esquisitos como Marduk, que os queriam levar para umas espécies de coutadas espalhadas pelas galácticas. Enfim, os humanos e todos os outros seus congéneres sofreram muito com esses deuses acabados de sair, eles também, da escuridão. Mas vamos esquecer os extraterrestres e pegar na história do avozinho da humanidade. O Criador ia colocando uns pedacinhos de barro amassado na água até fazer um grande boneco. Esse boneco era chacota da maioria dos deuses, que mais faziam de refilões como os que andam por aí a estragar a vida à pessoas. Cada um tentava dar opinião sobre o boneco e meter o bedelho, mas o Criador impôs-se. Aquilo era obra dele e não queria metediços nessa bela obra! Os únicos que deram uma certa ajuda foram, Apolo, Neptuno, Vénus, Diana, ... e poucos mais.

Apolo pediu para lhe dar calor, luz, sabedoria ... Vénus pediu par lhe insuflar amor, compreensão, dignidade ... Diana, pediu para lhe dar alguma luz que Apolo desperdiçava durante a sua caminhada e ser ela a reflecti-la para a humanidade, mitigando mais uns poucos a grande escuridão. Neptuno queria que ele fosse dependente da sua água, ... enfim!

O Criador achou, então, que estes ficassem por aqui, nesta quadratura do Universo e acompanhassem de perto os problemas do boneco que iria habitar neste ponto a que chamaram Terra e a que o Ventor chama de Planeta Azul.


 Planeta Terra, sempre azul visto de outros azimutes

Marduk - Sempre dominador e pronto a causar transtornos ao Planeta Azul

Assim, como sempre, em todos os lados, a sociedade dos deuses era uma sociedade de discórdias e mesmo tendo eles respeito ao Criador, muitas vezes aventuravam-se a passar das marcas. Marte dizia que haveria de arranjar maneira de colocar o homem a lutar com qualquer coisa e Marduk queria fazer do homem uma espécie de animal para sua serventia. Marduk entrou no sítio do boneco, aquilo a que os homens chamam oficina e gritou para Apolo:

"atão"!!!

Isto tudo porque, ao boneco, ainda não tinha sido insuflada vida. Apolo disse logo para Marduk: "já tem nome. «Adão»!! E assim foi. O Criador gostou e chamou-lhe Adão.

Não, não! ... isto é mesmo o Princípio! 

quarta-feira, 10 de julho de 2002

Ventor e o Bafo

  Ventor 10.07.02

Diz-me assim, o Ventor

«Eu, há milénios que por aqui ando e procuro cumprir os desígnios do Todo-Poderoso, Senhor da Esfera - O Criador, Aquele de onde tudo emana;

Adão e Eva, foto tirada da Wikipédia

há milénios que desde que a Luz é Luz e a Noite é Noite, vivo intensamente, de estrela em estrela, de planeta em planeta e suporto o bafo da vida, desde que a sapiência do Senhor da Esfera teve a bondade de projectar, num montículo de mica, um boneco em forma de homem e no qual insuflou o fôlego da vida, o transformou em alma vivente e lhe chamou Adão;

Há muitos, muitos milénios que vi o Senhor da Esfera plantar um jardim a que chamou Eden para servir o homem, fazendo brotar da terra todas as árvores e todas as maravilhas para sua satisfação;

há milénios que o Senhor da Esfera, para sua maior satisfação, fez nascer um rio que se dividia em quatro, com os seguintes nomes:

Psion, que rodeava a terra de Havila, onde havia ouro;

Gion, que rodeava toda a terra de Cush;

Hidequel, que se dirigia para o lado do oriente da Assíria (hoje chamado Tigre);

Eufrates, o rio de que muito ouviremos falar por amizade a Nemrod.

Rio Eufrates tirado Wikipédia de Hassan Janali, umsoldado americano

Há milénios que assisti à primeira catalogação da história da humanidade feita por Adão, pois o Senhor da Esfera entendeu, e bem, que o homem deveria ter uma ocupação, encarregando-o, assim, de atribuir os nomes a todas as coisas por ele criadas.

Há milénios que também vi o Senhor da Esfera, devido à falta de matéria prima, roubar, por graça, uma costela ao Adão, para que também ele partilhasse da construção dessa obra prima que é a mulher e, fizesse dela, sua companheira.

Há milénios que, por causa dela, assisti à primeira desavença neste Planeta Azul. Vi o Senhor da Esfera furioso com Adão e expulsá-lo do Eden que ficou guardado por dois Querubins, tendo Adão que ir fazer pela vida, para fora de portas, sendo despojado de todas as maravilhas que o Senhor tinha feito para ele.

Há milénios que vi, também, a primeira fiação que o mundo conheceu, pois Adão e Eva viram-se obrigados a fazer a sua própria alfaiataria, utilizando as folhas de figueira para fazerem as túnicas e aventais que passaram a usar. Não tenho a certeza das linhas usadas mas parece-me que foi fio de cãnhamo. Mas recordo, muito bem, a oferta que Eva me fez de um tecido igual ao deles para, poder comparecer, com eles, naquele belo jardim. O fio principal que rodeava a cintura e segurava as folhas de figueira, recordo-me bem, era de cãnhamo e penso que os outros também.

Assim, tudo o que era bom se foi num ápice e, pior ainda, é que as mulheres ficaram sempre com a mania de se intrometerem nas coisas dos homens.

Fora do jardim, no chão duro de onde tinham brotado, Adão e Eva tiveram de aprender a tratar as terras e os animais e tiveram as suas primeiras criancinhas que, cresceram no encalço de seus pais mas apareceram os problemas das divisões das terras tendo Caim morto Abel por causa de um marco. As ovelhas de Abel passaram para lá do marco das hortas de Caim e, como o mundo sabe, tudo acabou mal para os dois irmãos, dando-se assim, o primeiro homicídio nos humanos, originado no eterno princípio da sua luta entre o pastorício e os cuidados agrícolas. Mas, só com dois, já os marcos existiam para a divisão da propriedade, imaginem como isto andará hoje!

Adão e Eva tiveram mais um filho, a que deram o nome de Seth mas, eu, Ventor, que tive de me arredar para outros azimutes da galáctica por razões que estavam, à altura, para além dos interesses terrenos, perdi a sequência da prole com origem em Adão e Eva, nunca chegando a saber, a que ponto da galáctica, Caim e Seth, foram buscar as suas esposas. Soube, no entanto, que tiveram filhos e filhas, netos e netas, bisnetos, tataranetos ... os quais deram continuação à prole, que tornaram grandiosa, tendo a identificação, de muitos deles, sido perdida na vastidão dos tempos.

Mais tarde, deixei o extremo da Galáctica e voltei à Terra e, dentre todos, relacionei-me mais com Lamech que veio a ser o pai do meu grande amigo, o nosso famoso Noé.

Aconteceu que encontrei instalada corrupção geral na humanidade. Havia já, instalados na Terra, gigantes e varões de fama, uma espécie de jagunços que dominavam e se assenhoravam de toda a gente.

Verifiquei todos os males instalados, concluindo que, a maldade do homem se multiplicava sobre a Terra e que toda a imaginação dos seus pensamentos era continuamente má. Esta foi a mesma conclusão a que tinham chegado os anjos enviados pelo Senhor da Esfera que me mandou fazer o meu próprio levantamento para uma aferição final com os seus enviados oficiais.

Apresentei, na altura, no Conselho da Esfera, um relatório sobre a humanidade que o Senhor da Esfera analisou e, apossado de grande fúria, despachou de imediato, dizendo: "destruirei sobre a face da Terra, o homem que criei, todo o animal até ao réptil e até às aves dos céus porque, já estou arrependido de me ter posto a brincar com o barro"!

A fúria era tão grande que eu já estava arrependido de ser verdadeiro e justo no meu relatório. Porém, perante tanta violência que se havia instalado na Terra, concluí que alguma coisa deveria ser feita mas, sempre a interceder para tentar salvar, pelo menos, os justos que, certamente, existiriam ainda. Estive muitos dias reunido com o Senhor da Esfera, na procura de uma solução em que pudesse ser aplicada alguma da justiça divina.


Justiça, para todos

Enchi-me de coragem e disse: «Senhor, sabe que eu sou frontal nas minhas análises e, se me deu poderes alguns, para interceder pela raça humana, fui justo a analisar e, agora, peço-lhe que seja justo a decidir».

Partimos para o Conselho da Esfera onde estavam representados todos aqueles que o Senhor da Esfera entendeu colocar ao serviço da humanidade, cada um com a sua função e, onde todos os existentes, nesse Conselho, apresentaram, de sua justiça, uma defesa da humanidade.

Todos, por razões de interesse próprio, apresentaram o seu relatório, nenhum deles, convincente.

Eu, que já estava farto de tanta conversa, todas sem incutir ponto algum que fosse convicto na mudança de rumo que ali nos tinha reunido, que era salvar parte dos seres, homens e animais, que pudessem ainda ser recuperados para a continuação da vida na terra, já desesperado, disse: «Senhor, sempre continuarei na defesa das mesmas convicções que lhe apresentei nas nossas reuniões, para interpretação do meu relatório. Por isso, tenho de recolocar, doutra forma, nova solução para o problema».

"Sim, Ventor, pelos vistos, as tuas convicções, nunca esgotam" - disse o Senhor da Esfera mal humorado. "Apresenta a tua nova ideia".

«Senhor, não é bem uma nova ideia, é, isso sim, uma constatação. Colocou na Terra, o Velho Adão, arranjou-lhe uma companheira e deixou-o logo manietado com aquela provação, do come, não come, é ou não é, leis simples, tão simples que até a filha do mal conseguiu ludibriar aqueles pobres coitados.

Zangou-se logo com eles, votando-os ao ostracismo para fora do Éden e, ainda por cima, sujeita-os a todos os tipos de provações, obrigando Caim a matar o irmão só porque as ovelhas lhe comeram as culturas do lado de lá do marco e, também, porque incutiu no espírito deles a rivalidade provocada pelo ciúme, originado no facto de aceitar, de melhor grado, a ovelha oferecida por Abel, mais do que os produtos da horta, oferecidos por Caim. Nesa altura ainda não havia a moda dos vegetarianos!

Fui assim levado a fazer uma nova interpretação dos factos que nos trouxeram aqui e, a concluir que, afinal, o ser homem foi apenas colocado neste Planeta para nos divertir. Sempre achei que uma obra como o homem, inicialmente edificada com tanto carinho, fosse para dar continuidade a todo este mundo que poderia ser maravilhoso com a presença dele mas, pelos vistos:

Foi numa assembleia mais ou menos como esta pintura de Rafael Sanzio, Escola de Atenas, tirada da wikipédia

- os rios vão continuar a oferecer água, sem haver homens nem animais para bberem e se banharem neles;

- os vales vão continuar a ser verdes e, das suas fontes, vão continuar a brotar águas, límpidas e frescas, sem homens nem animais para as beber;

- nos céus, os raios de Apolo, continuarão a aquecer os ares do Planeta sem haver aves para que Apolo se deleite com a visão dos seus voos;

- E nós iremos deixar de observar os devaneios provocados pelos amores de Vénus e de Diana, as desventuras de Mercúrio e as estonteantes noitadas de Baco»;

E o Ventor continuou a enumerar as tristezas com o fim do mundo à vista, e prosseguiu ...

«Tenho notado a preocupação de Marte que, por razões diferentes das minhas, tem procurado defender a continuidade do homem neste planeta, tão lindo e azul».

E o Ventor, amigos, prosseguiu horas a fio na defesa da humanidade com todos, por razões diversas, muito atentos ao resultado final.