sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Cativeiro de Babilónia

  Ventor 26.11.10

Durante as guerras de Nabuco com o reino de Judá, houve duas deportações de judeus para Babilónia.

A primeira deportação foi levada a efeito quando da rendição voluntária do rei Joaquim, de Judá, em 598 A.C., para evitar a destruição da cidade de Jerusalém e do seu Templo. Mas, por razões várias, especialmente a insubordinação dos judeus à tirania babilónica, de Nabucodonosor, este, cerca de 11 anos depois, voltou a cercar Jerusalém (587 A.C.) e, ao fim de 18 meses de cerco, tomou a cidade, que arrasou e destruiu o seu Templo, deportando mais judeus para Babilónia. Assim, os judeus ficaram cativos, em Babilónia, entre 48 a 60 anos. Os primeiros deportados na rendição do Rei Joaquim ficaram cativos dos babilónios, 60 anos e os segundos deportados quando da destruição de Jerusalém e do Templo, cerca de 48 anos.

Mas eis que, o Senhor da Esfera fez nascer uma criança iluminada, lá pelo planalto iraniano!

Podia ser assim! O Senhor ordenar a Ciro a libertação dos espezinhados!

Foram as vozes dos anjos que levaram a boa nova desde o Eufrates ao Jordão e, mais tarde, essas vozes, embrenharam-se nas pétalas das flores que, levadas pelos ventos e semeadas pelas correntes dos rios e dos mares, sopradas pelo bafo de Eolos e iluminadas pela luz e sabedoria do meu amigo Apolo, correram todo o mundo até o meu amigo Verdi as recordar na sua música, procurando, também com elas, recordar aos italianos que, deveriam juntar-se na saga da sua luta contra os austríacos, os seus "babilónios". Esta música pode ser, em todo mundo, uma mensagem contra todas as tiranias.

O avô dessa criança, o rei dos Medos, teve um sonho e os sacerdotes, seus concelheiros, lhe disseram que iria ter um neto que tomaria o lugar de rei dos medos e todo o mundo, em redor. Mas o rei não queria um neto que os augúrios lhe diziam viria a ter mais poder do que ele. Por isso, Astiages, rei dos Medos e avô de Ciro II, o Grande, entregou o seu neto ao seu mordomo Harpago e ordenou-lhe que o levasse e o matasse nas montanhas.

Harpago, ao observar a criança, concluiu que era muito linda e achou disparatada a ordem do seu rei. Por isso, em vez de matar a criança, deu-a a um pastor para tomar conta dela. Mas Astiages acabou por descobrir a traição! Por isso, mandou matar o filho de Harpago e deu-lho a comer num jantar e Harpago apenas teve conhecimento do que fora o seu jantar quando, no fim, lhe entregaram a cabeça do filho numa bandeja.


O túmulo de Ciro II, o Grande, em Persagade, fundador do Império Persa, libertador do povo judeu do Cativeiro de Babilónia - foto tirada da Wikipédia, da autoria de Truth Seeker 

Entretanto, Ciro tornou-se rei dos persas e, Harpago liderou uma revolta que derrotou Astiages e o levou prisioneiro perante Ciro II. Ciro perdoou a vida ao seu avô (terá tido a mesma atitude que César teve mais tarde quando disse: "longa vida aos meus inimigos para que assistam de pé à minha vitória"! Por isso, Ciro perdoou a vida do avô mas avançou sobre o reino dos medos e tomou Ecbatna, a sua capital, arrastando com ela todo o território da Média. De seguida virou-se para os inimigos dos medos, tomou o Reino da Lídia, e todo o território até ao Turquestão de hoje. Por fim, preparou tudo para tomar o Reino de Babilónia e conseguiu-o.


Ide, reconstruide Jerusalém e o vosso Templo

Ciro tinha uma missão atribuída pelo Senhor da Esfera. Tomar Babilónia e libertar os escravos judeus. Assim, em 539 A.C., Ciro tomou o Reino de Babilónia e em 537, dois anos depois, ordenou que os judeus fossem autorizados a regressar à sua terra e reconstruir o seu Templo.

Assim, Ciro ficou com dois povos agradecidos pela sua atitude, o Reino de Judá e os Fenícios que sempre lhe agradeceram terem tomado Babilónia o que permitiu aos fenícios viverem em paz. Como os fenícios tinham uma boa força naval para a época, essa força esteve sempre ao serviço dos persas até que o meu amigo Alexandre lhe pôs termo, cerca de 200 anos depois.

Ciro, o Grande, morreu numa batalha contra os Massagetas, um povo persa que tinha os seus pousios entre o mar Cáspio e o mar Aral, sucedendo-lhe seu filho Cambises do qual falaremos, por aqui, mais tarde.

O que nos ficou de Ciro II, o Grande, foi a conquista do neo-Império Babilónico, a libertação dos judeus, a unificação dos povos persas e medos, a tolerância religiosa, a permissão de que fossem os príncipes locais a administrarem os seus povos e não permitir que os poderosos escravizassem seus súbditos.

Agora, com Cambises, Xerxes e Dario, vêm aí as guerras persas contra a Grécia. 


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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nabuco

 Ventor 17.11.10


Nabuco, foi assim que Verdi lhe chamou, era filho de Nabopolassar, velho amigo do Ventor e ficou conhecido na história por Nabucodonosor II o 2º Rei do Neo-Império Babilónico (reconstituído por Nabopolassar). Disse o Ventor ao Quico e ele assim escreveu: 

«Nabucodonosor II, sucedeu a Nabopolassar, seu pai e governou os destinos da bela cidade de Babilónia e seu império, durante 43 anos, entre 604 A.C. e 562 A.C.. Ele sucedeu a seu pai, Nabopolassar, e começou logo a sofrer duma doença conhecida, em todo o mundo, como megalomania.

Não gostava dos judeus e lembrou-se de alargar o império Babilónico, herdado de seu pai, Nabopolassar, amigo do Ventor que, anos antes, se havia revoltado contra o rei Assírio com a ajuda do Ventor e de outros.

Nabucodonosor II, é o mais conhecido governante do Império Neo-Babilónico. Fez um tratado com o Rei da Média, Ciáxares, velho amigo de seu pai, no qual estava previsto o seu casamento com sua filha Amitis, princesa dos Medos, realizado em 612 A.C..

Depois de considerar, em segurança, a sua retaguarda, reforçada pelos Medos, decidiu alargar as suas fronteiras, em direcção do Egipto e decidira destruir o estado tampão de Israel, bem como tudo que encontrasse pela frente. Mas foi a conquista do Reino de Judá que tornou o Rei Nabucudonosor famoso, devido à destruição de Jerusalém e do seu Templo, em 587 A.C..

Mas Nabucodonosor ficou também famoso pelas suas construções levadas a cabo na velha cidade de Babilónia, entre elas, os seus Jardins Suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo.


 Os jardins suspensos de Babilónia, construídos por Nabucodonosor II (um desenho imaginativo tirado da Wikipédia)

Esses jardins terão sido construídos para consolar Amitis a esposa meda de Nabucodonosor II (filha de Ciáxares) que, segundo alguns amigos do Ventor lhe disseram, então, vivia com saudades da sua terra, dos seus campos e florestas. O Ventor nunca acompanhou muito bem o reinado de Nabuco, porque ele era diferente de seu pai Nabopolassar que, apesar de se revoltar contra os assírios e ter travado várias batalhas em defesa da velha Babilónia, era um homem com tendências de paz, coisa que Nabucodonosor não sabia o que era. Nabuco, era um rei com tendências sanguinárias e obcecado pela destruição do velho Templo de Salomão, o que conseguiu.

Fora isso, ele transformou a velha cidade de Babilónia, na rainha do Oriente, um belo centro cultural, comercial e, talvez, na linguagem de hoje, um grande centro financeiro do mundo do seu tempo.

Entre as suas grandes construções arquitectónicas, além dos Jardins Suspensos, construiu um canal de defesa a ligar os rios Tigre e Eufrates, a 40 kms de Babilónia, cercado por um muro em toda a sua extensão - o Muro dos Medas, cercou Babilónia por um sistema de muralhas duplas, reconstruiu os seus templos e construiu um Zigurate com cerca de 90 metros a que quis chamar de nova Torre de Babel, imitando a outra construída por Nemrod.

Nabucodonosor era um líder cruel. Ele pensou expandir o seu império para SW e iniciou uma campanha militar contra os egípcios, derrotando-os, em Carquemish (actualmente, a cidade de Jerablus), em 605 A.C., cidade situada na fronteira entre a Síria e a Turquia, perto do rio Eufrates, a cerca de 100 kms a NE de Alepo. A sua campanha contra os egípcios teria a sua razão de ser, pois os egípcios mordiam nos calcanhares dos babilónios, bem perto do rio Eufrates e a batalha de Carquemish, deu-se ainda no tempo de Nabopolassar, amigo do Ventor, que devido a doença grave, entregou o comando do seu exército ao seu filho, como seria natural.

Na sequência da batalha de Carquemish, e da derrota egípcia, deu continuidade à sua linha de acção, rumo a SW e conquistou uma boa parte da Cilícia e da Síria, alargando bem o seu território com essas conquistas e, 604 A.C, Jeoiaquim, Rei de Judá, tornou-se seu vassalo mas, logo de seguida acabou por se revoltar.

Os exércitos babilónicos, cercaram Jerusalém em 598, A.C., Jeoiaquim morreu e sucedeu-lhe seu filho, Joaquim, também conhecido por Jeconias, como Rei de Judá que, acabou por se render, voluntariamente mas, juntamente com grande parte dos seus nobres e povo, foi deportado para a Mesopotâmia e essa deportação ficou conhecida como - Cativeiro de Babilónia.

Sucedeu-lhe, no trono de Judá, seu tio Zedequias mas não se entendeu com os babilónios e, apoiado pela sua corte, aliou-se aos egípcios, contra Nabucodonosor II e revoltou-se. Assim, em 587 A.C., Nabucodonosor II manda invadir o reino de Judá, tomando as suas cidades fortificadas e cercou Jerusalém durante 18 meses, acabando por destruir a cidade e o seu Templo.

A Jerusalém de hoje. A velha Jerusalém, nesta história, foi destruída por Nabucodonosor II

Nabuco, aniquilou os Fenícios, cercou a cidade de Tiro durante 13 anos, de 585 A.C. a 572 A.C., e obteve um poder hegemónico no Oriente Médio, conquistando tudo até ao Mar Mediterrâneo. Porém, a cidade de Tiro, já então com uma poderosa marinha, aguentou-se firme e, as forças de Nabuco foram obrigadas a retirar ao fim de 13 anos de cerco. A famosa cidade de Tiro, defendida por poderosas muralhas, aguentou firme até anos mais tarde sofrer o cerco de Alexandre, o Grande, caindo ao fim de 7 meses de luta, 240 anos depois depois do cerco de Nabuco, perante a intrepidez macedónica.

Mas depois da sua morte e sem sucessor, com a força de Nabucodonosor, os babilónios caem diante dos exércitos persas, em 539 A.C., comandados pelo Rei Ciro II da Pérsia, conhecido na história como Ciro o Grande, que mandou desviar o curso do rio Eufrates para conseguir penetrar na velha cidade de Babilónia».


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terça-feira, 24 de agosto de 2004

O Planeta X ou Nibiru

  Ventor 24.08.04

Eles andam aí ... os Annunakis dos Sumérios!

O Ventor já me falou deles algumas vezes e eu com toda a franqueza, gostaria de vos falar deles mas o Ventor nunca foi muito explícito sobre essas conversas. Uma vez desafiou o nosso amigo Patacôncio para discutirem num Fórum tudo o que é sabido sobre o Planeta X, mas acabou tudo por ir por água abaixo. Agora que eu estou a ficar com vontade de conhecer os Annunakis, vou espicaçar o Ventor para me falar de tudo que sabe sobre os Annunakis e o seu planeta Nibiru a que também chamam Marduk. Tentarei convence-lo. Terei mais umas coisas para vos dizer sobre o Império de Alexandre, mas esse ficou muitos séculos para trás e os Annunakis estão quase nos nossos horizontes. Eis, a seguir, o que o Ventor já me falou sobre eles:

Aproximam-se a alta velocidade do nosso Planeta Azul. O nosso planeta e deles também, segundo os Sumérios.

Os Sumérios falam deles nas suas tabuinhas de barro cozido, as suas famosas bibliotecas de escrita cuneiforme. Eu não quero falar deles, mas sempre te deixo umas luzinhas.

Uma das famosas "tabuinhas de barro dos sumérios

Eles, os Sumérios, sabiam que os Annunakis já cá andaram que, alguns, por cá terão ficado e que, segundo os cálculos por eles deixados nas tais tabuinhas de barro, voltarão, em força, 3.600 anos depois. Esses 3.600 anos do nosso tempo, são um ano para os Annunaki. Um ano, na sua contagem do tempo é o tempo que Nibiru, o seu planeta, leva a fazer o seu movimento de translação, desde que parte do ponto mais próximo do nosso Planeta Azul até regressar ao ponto mais próximo outra vez. O Nibiru a que alguns chamam entre outros nomes de Marduk, é nosso companheiro nesta esquina da nossa Galáxia, acabando sempre por vir dar uma olhada ao nosso Sol e ao nosso planeta, na sua caminhada de 3.600 anos nossos, o tal ano dos Annunakis.

Foram os Annunakis, habitantes de Nibiru que tripularam naves espaciais e especiais se quiserem, para pousar na Terra, aterrarem e comunicar com os nossos primitivos povos, havendo até, aqueles que pensam que foram esses homens que fizeram transformações genéticas, etç. Uma grande baralhada! Foi do meio deles que apareceram os deuses de que muito ouvimos falar, vários ou os mesmos com nomes diferentes, como ... aqueles de que ouvem falar.

No dia 21 de Dezembro de 2012, Nibiru voltará a atingir o ponto mais próximo do nosso planeta e poderão voltar a aterrar, a amarar, a "planar" em volta, em forma de satélite.

Só que, essa aproximação pode trazer-nos imensos problemas. As forças de tracção e repulsão, em confronto, poderão ser alteradas e até o nosso amigo Apolo corre perigos.

Vai correr perigo o nosso Planeta Terra como correu Tiamat? Que se irá passar de facto?

Ninguém sabe, apenas os cálculos astrológicos dos sumérios nos deixam suspensos das várias hipóteses que nos esperarão além de uma profecia suméria que será o "dia do Juízo Final".

Segundo informações diversas, a Nasa já terá avistado Nibiru - o Planeta X. Mas ou sabe tudo e não diz nada ou não sabe mesmo nada a não ser que ele vem aí. E, segundo os cálculos suméricos ou a profecia suméria, nos informam que nós ou nós e o Planeta Terra (parte do velho Tiamat), corremos, de facto, grandes perigos.

As forças tractoras do Sol, da Terra, da Lua, de Nibiru, ... vão digladiar-se nos espaços envolventes e, provavelmente, nem nós nem os Annunakis estaremos em condições de fazer seja o que for no caso da coisa dar para o torto.

Podem passar pelo nosso Planeta alguns deuses Annunakis ou outros, com grandes poderes ou sem eles mas, o Senhor da Esfera é só um e tudo vai depender dele. Não tenhamos "medo" dos Annunakis. Tenhamos "medo", apenas e só, dos desequilíbrios que as forças gravitacionais possam causar a nós e aos Annunakis.

Mantenhamos-nos atentos!

Os Annunakis desembarcarão no Planeta Terra, no nosso Planeta Azul mas, eles são seres inteligentes e, certamente, vão gostar da nossa companhia e nós da deles.

Segundo o que dizem as tabuinhas de barro suméricas traduzidas por Zecharia Sitchin, ou alguém que terá interpretado as traduções de Sitchin, essa gente de Nibiru, terá acampado cá na terra para obter ouro, necessário, então, para defender o seu Planeta de um efeito de estufa semelhante ao que hoje nos preocupa no nosso planeta.

Não podes dizer mais nada Quico, para já.

sábado, 2 de agosto de 2003

Trilhos de Mundos

 Ventor 02.08.03

Amigos, deixo-vos aqui um rascunho de uma carta do Ventor enviada para o Pelágio, em Covadonga, quando este se preparava para enfrentar, numa batalha de vida ou de morte, os mouros que, desde Gibraltar, tinham subido, anafadamente, de monte em monte, de serra em serra, de rio em rio, para terminarem, uma vez por todas, com a resistência que os cristãos estavam a levar a cabo, contra as hostes dos glutões de além-Atlas.

Esta carta foi escrita pelo Ventor, em latim, numa casca branca de vidoeiro, uma vez que ainda não tinham sido descobertas as pastas de celulose, nem havia papiros na Península Ibérica, nem folhatos que envolviam as espigas de milho. O Ventor chegou a pensar pedir aos seus amigos incas, folhatos de espigas de milho para escrever a suas missivas em material leve mas, ao verificar que a casca do vidoeiro era ideal para escrever, utilizando tinta azul sobre ela, foi assim que passou a proceder. Seria terrível enviar como missiva uma mensagem numa pesada rocha de ardósia, por montes e vales pois, nessa altura, ainda passavam despercebidos os futuros caminhos de Santiago. Entre as várias lenga-lengas do Ventor, estava esta passagem:

«Amigo Pelágio,

Quando o meu amigo Alexandre venceu os persas e chegou à capital do, então, mais poderoso império do mundo, o que ele quis foi descansar e relaxar! Habituado a dormir ao relento nos quase desertos gélidos da Anatólia e infernais do Médio Oriente, atirou com o corpo para cima de uma tarimba e disse: "contas, só amanhã"!

Como vocês devem calcular, por aí, a guerra sempre foi feita de pilhagens e Alexandre, era um grande homem, bastante evoluído para a época, mas fazia parte da praxe da guerra, aquela famigerada leviandade dos homens de quererem pilhar. Pilhar tudo! Fosse o que fosse, mesmo que, de seguida, tivessem de atirar com as matérias pilhadas para o lado, devido ao estorvo em que se tornavam.

Mas Alexandre, fazia-o e, ao mesmo tempo, doía-lhe, no seu interior, esta maneira de estar na malfadada guerra. Os despojos de guerra eram sagrados e era uma das maneiras de pagar aos homens que lutavam a seu lado.

No entanto, apesar de muito cansado e não querer fazer contas, voltou-se para mim e disse: "Ventor, acho que vou ficar com estes instrumentos! Estão a fazer-me cá uma cobiça! Só em lembrar-me que esse sacana do Dario se deleitava ao som desses instrumentos põe-me raivoso! Acho que vou levar estas bugigangas comigo até ao fim do mundo"!

Estátua de Pelágio, em Covadonga

Mas os persas quiseram ser prazenteiros e logo imaginaram inventar um grupo de músicos com os melhores instrumentos musicais e partituras que havia na época! Alexandre, ao ouvir estes instrumentos sentiu que estava, realmente, no paraíso e que a sua mania de ser um "deus" tornava-se cada vez mais uma certeza, pois só os deuses poderiam ouvir aquelas melodias!

Entre esses instrumentos, fixei uns quantos, mas não poderei enviar-te as suas figuras ou alguns esboços porque, não tenho tempo nem jeito para o desenho e, porque as fotos, só alguns séculos mais tarde vão ser inventadas.

Quando esse mouro pimpão chegar junto dos teus homens e for derrotado, pois é assim que vai ser, obriga-o a deixar para vós os instrumentos de música que eles, também, tal como os persas do tempo de Alexandre, têm e sabem usar. Entre os seus instrumentos estão o alaúde, a pandeireta, a flauta, e mais umas coisas que eles herdaram dos persas e que foram passando de mão em mão e, também, foram sendo transformados. Obriga-os a tocar, cantar e dançar para ti, porque isso vai-te divertir e, depois, não precisas de os matar a todos. Vamos ter de aprender a conviver, por aqui, muitos anos, uns com os outros porque, para além do mais, é do confronto de civilizações que, um dia, sairá um mundo melhor».

Mulher a tocar santur, numa pintura do Palácio de Hasht-Behesht, em Isfahan, Irão

Depois o Ventor enumerou, para Pelágio das Astúrias, alguns instrumentos com que Alexandre ficou:

«uma cítara, com quatro cordas e, a seu lado, encontrava-se uma espécie de pandeireta e os livros da sabedoria;

Um santar com 72 cordas arrumadas em grupos de quatro;

Um Tar com 6 cordas, 5 de aço e uma de latão;

Um Kamanche com 4 cordas metálicas e a caixa de madeira, em forma de hemisfério, é coberta por uma membrana de pele de carneiro;

Uma Nay, uma espécie de flauta com normalmente, seis buracos à frente e um atrás. Este é um dos meus instrumentos musicais favoritos, quando é bem tocado. Normalmente, o som que sai de uma flauta é motivado pela tristeza contida no espírito de quem a usa;

Um Dombak, é o "chefe" dos instrumentos de percursão da música clássica pérsica. É um bombo cravado numa peça de madeira forrada com pele de carneiro por cima e com abertura por baixo;

Outra rababa, tal como a que Alexandre tinha comprado ao beduíno.

Pintura: os músicos da Caravágio

Estes são alguns dos instrumentos musicais que fizeram as delícias de Alexandre por terras da Ásia ajudando, assim, a mitigar a vontade que se fazia sentir no seu espírito e no seio dos seus homens, de voltarem, apressadamente, aos vales e às montanhas da Macedónia. Não eram muitos mas, já quase davam para fazer uma daquelas orquestras que um dia irão valorizar os grandes salões burgueses que transformarão a Europa».

Quanto ao resto, vocês já sabem! Pelágio das Astúrias, venceu por duas vezes os mouros comandados por Munuza. A primeira vez, em Covadonga e, a segunda vez, em Proaza. Aqui, em Proaza, Munuza, perdeu a vida em combate, mas como já sabia que o Ventor aconselhara Pelágio a ficar com os instrumentos musicais que pudesse, quebrou, cheio de raiva, o seu alaúde contra uma rocha. Há quem diga que, ainda hoje, quem lá passar, ainda poderá ouvir o som terrível do alaúde a quebrar-se e ver uma moura encantada, de braços levantados a dançar e a tocar pandeireta, enquanto um soldado mouro chora Munuza com a sua flauta


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Bucéfalo, o cavalo de Alexandre

 Ventor 02.08.03

Mais uma história do Ventor para eu contar aos nossos amigos ...

Diz o Ventor que o Bucéfalo foi o cavalo de guerra do seu amigo Alexandre Magno.

Alexandre e o Ventor, se não sabem ficam a saber, foram grandes amigos. Alexandre era um puto endiabrado e o Ventor, sempre o mesmo velhadas admirava-o. Como vocês sabem, Alexandre era filho de Filipe II, rei da Macedónia e de Olímpia, a sua mãe, filha de uma terra a que chamavam Epiro (hoje Albânia).

Diz ainda o Ventor que Alexandre gostava muito de cavalos e montava-os à mongol ou, como o Ventor fazia, quando pequeno, pelas suas Montanhas Lindas. Agarrava-lhes as crinas e saltava-lhe para cima do lombo.


Alexandre e Bucéfalo, ambos lutaram até à morte

A Tessália, ao norte da velha Grécia, era vizinha da Macedónia, a sul e era um país famoso porque se dedicava à criação dos melhores cavalos de então. Alexandre era perdido pelas suas montanhas. Ele também tinha Montanhas Lindas como o Ventor, mas o Alexandre, ainda jovem, era muito ambicioso, até pelo país criador de cavalos. Ainda puto, entrava nos seus vales e trepava às suas montanhas, apenas para ver os seus cavalos, verdadeiros alazões, cheios de beleza e força.

Um dia, encontraram-no, cercaram-no e prenderam-no. Mas o Ventor interveio e os tessálicos, ao reconhecerem as razões do Ventor, em defesa de Alexandre, deixaram-no partir. No meio dos tessálicos encontrava-se Filónio, também um amigo do Ventor, que o ajudou, reconhecendo que Alexandre era o filho do rei Filipe da Macedónia.

Um dia, Filónio da Tessália convidou Alexandre a voltar aos vales e montanhas dos grandes cavalos. Ele apreciava a cavalgada de muitos daqueles cavalos, ainda selvagens e a argúcia dos tessálicos em amestra-los.

Ao vê-los, já na sua imaginação estava o título da canção, Against de Wind, usado pelo Bob Seger, milénios depois e de que o Ventor tanto gosta quando, ao som da canção, se imagina agarrado às crinas de um cavalo, galopando contra o vento!

Para ferrar o Bucéfalo estava sempre presente o melhor ferreiro da Macedónia

Mas no meio de todo o seu entusiasmo, Filónio verificou que o puto, além de gostar de todos os cavalos e de ter jeito para eles, apreciou especialmente, um. Filónio perguntou-lhe: "Alexandre, gostas muito daquele cavalo, não gostas"? Ele sorriu e partiu para a Macedónia ainda mais encantado com os cavalos da Tessália.

Como o pai de Alexandre, Filipe da Macedónia, era um potencial comprador de cavalos para as batalhas que já tinha desenhadas na sua cabeça, Filónio, um dia apareceu, em Pela, capital da Macedónia, com o cavalo que ficara no olho de Alexandre. Alexandre saiu das cavalariças de Filipe, de mãos na cintura, a olhar o cavalo como se estivesse a ver a coisa mais maravilhosa do mundo.

Alexandre aproximou-se e pediu a Filónio para o deixar montar aquela beleza de animal e, ao tentar tocar-lhe, o cavalo levantou-se todo no ar, apoiado nas patas de trás, a relinchar como se Alexandre fosse seu inimigo e o quisesse matar.

"Nem penses" - disse Filónio. "Como vês, este cavalo não deixa que ninguém o monte. Primeiro vai ter de ser domado. Tens que pedir ao teu pai os domadores e, depois sim, poderás monta-lo". Filónio tinha dito ao Ventor que aquele cavalo só podia ser digno de um grande rei e, por isso, como gostava do puto e esperava fazer negócios com o pai, ia oferecer-lhe o cavalo.

Alexandre tinha 16 anos e mais parecia um homem que um puto devido ao seu aspecto físico, à sua força e à sua mentalidade de adulto. Desatou a correr direito aos domadores dos cavalos de seu pai a gritar para irem tentar domar o Bucéfalo e continuou a correr para ir informar o pai que ia ter um cavalo novo.

O pai alvoroçou-se também e ficou cheio de curiosidade pelo facto de ver tanta alegria estampada no rosto do filho, ao mesmo tempo que observava como ele já era um homem. Virou-se para o Ventor que chegara com Filónio e confidenciou-lhe: "já tenho substituto"!

Lá seguiram todos para as cavalariças, onde havia uma grande algazarra! Nenhum domador de cavalos conseguia montar o Bucéfalo!

Os domadores e vários escudeiros reais, tentaram, vezes sem conta, montar o Bucéfalo, mas o animal era muito arisco e acabaram por o considerar indomável.

Já se falava, no meio da assistência, que iria dar os melhores bifes de cavalo comidos até então. Mas Alexandre nunca virava as costas a uma boa luta e, aquela, iria ser a primeira grande luta da sua vida. Alexandre prontificou-se a montar o cavalo e apostou com Filónio como seria capaz de montar o Bucéfalo e desafiou-o para uma aposta. Se falhasse, sentiria ser, para si, uma grande derrota e pagaria a Filónio o valor do animal que era 17 talentos de ouro. Na Macedónia havia muito a mania dos jogos e faziam-se apostas por tudo e por nada. Por isso, Alexandre teria de apostar forte pois perder seria uma fraqueza e a aposta seria o fermento da luta que iria travar naquela tentativa de montar o Bucéfalo.

Alexandre ao ver as várias tentativas de aproximação diagnosticou o problema do Bucéfalo, ao aperceber-se que o animal se assustava com a própria sombra e com o aproximar das sombras dos seus domadores e, agora, precisava de encontrar o remédio. Apolo, voltou a olhar o Ventor e sorriu. «A luz, Alexandre, a luz»! E não precisou de explicar mais nada. Alexandre olhou Apolo, voltou a olhar o Ventor e sorriu. A luz de Apolo quase cegava Alexandre e ele pegou no Bucéfalo pelo cabresto e virou-o de frente para Apolo. Por momentos o cavalo cegou com a luminosidade intensa de Apolo que fazia jus da sua pujança sempre que o Ventor se encontrava por aquelas paragens. Nesse momento, já não havendo qualquer sombra para o cavalo olhar, Alexandre saltou-lhe para cima do lombo e já não valeu a pena ao Bucéfalo saltar e atirar coices para o ar. Mais uns segundos e Alexandre tinha o seu cavalo domado, conseguindo o que mais ninguém fora capaz - domar o Bucéfalo.

As ferradurs do Bucéfalo eram feitas e tratadas com o maior carinho do seu ferrador

O Ventor sorriu para Alexandre apoiando a sua bravura e determinação e felicitando-o por ser ele a domar aquele cavalo, o tal que o Filónio lhe tinha confidenciado que só podia ser digno de um grande rei.

O Ventor já tinha passado pelas mesmas dificuldades quando domou o seu cavalo branco de nome Antar e Apolo lhe tinha pregado a mesma partida. Mais tarde, o Ventor acompanhou as correrias de Alexandre montando aquele belo cavalo cuja fugacidade lhe deu vitórias em todas as grandes batalhas que travou. Alexandre confidenciou ao Ventor que o Bucéfalo apenas o deixava montar a ele e mais ninguém. Mas quando Alexandre se enroscava no velho palácio do Nabuco a ouvir o som das Rababas, o Ventor montava o Bucéfalo e iam os dois fazer caminhadas à sombra dos chorões que ladeavam os canais que davam acesso ao rio Eufrates e que faziam parte da grande obra de Nabuco.

Mas tudo acaba e o Bucéfalo também. O Bucéfalo foi ferido nas campanhas da Índia. Velho e doente, tentou prestar a sua ajuda no regresso de Alexandre. Alexandre parou para descansarem num local próximo de Taxila que hoje fica no Paquistão. O Bucéfalo estava deitado no chão com a sua cabeça virada para Ocidente, à sombra de uns arbustos, se calhar, a pensar nos tempos felizes das suas montanhas da Tessália, nas correrias desenfreadas ao lado da sua mãe sob aquele lindo céu azul, habituados a lutar contra os lobos e Alexandre, olhou-o nos olhos e perguntou-lhe: "como vais companheiro"? O Bucéfalo tentou soerguer a cabeça e olhar Alexandre mas, de repente, deixou-se tombar e fechou os olhos para nunca mais os abrir.

Alexandre abraçou o seu companheiro de todas as batalhas e chorou silenciosamente sobre o seu cadáver ao mesmo tempo que recordava os belos tempos que tinham passado juntos, antes e depois de terem passado o Helesponto (hoje os Dardanelos). Tinha sido uma vida de lutas, onde os dois faziam um corpo só. Um corpo de batalha! Alexandre, abraçado ao seu cavalo, ouvia, horrorizado, os sons gravados no seu cérebro. Muitos gritos e algazarras! Os gritos de Queroneia, ainda no meio das suas gentes e, depois, outras pequenas grandes batalhas, como Granico perto às muralhas destruídas da velha Tróia onde, sobre o seu cavalo, homenageou o grego Aquiles e o troiano Príamo. Depois os gritos e as algazarras da batalha de Isso, onde ficou a dever a sua vida ao Bucéfalo e, mais tarde, em Gaugamela, no actual Iraque e onde derrotou para sempre o rei da Pérsia, Dario II

Alexandre ainda era um jovem com 32 anos, mas fez uma retrospectiva sobre o seu passado glorioso, abraçado ao seu cavalo e, agora, longe de casa, já não tinha quem, com confiança, lhe "lesse" o seu futuro. Ali, enquanto chorava sobre o corpo inerte de Bucéfalo, Alexandre pensava no seu passado de Glória, pensava em Queroneia, onde os dois esmagaram as forças que foram do velho Epaminondas, também amigo do Ventor. Recordava a travessia do Helesponto e como afagou o pescoço do seu cavalo ao pensar na empresa que tinha pela frente, imaginando que ia investir contra o mais poderoso exército do mundo, na época, podendo nunca mais regressar. Olhava as últimas montanhas da Europa que se escondiam dele embebidas pela penumbra nebulosa e como que, para ganhar confiança, voltou a fazer uma festa no pescoço do Bucéfalo. A sua guerra tinha sido terrível, pois tinha, enfrentado, as forças de Dario III e de muitos mercenários gregos que se haviam juntado a Dario para lutar contra os macedónios e os outros gregos seus aliados.

Aí enterrou o seu companheiro de armas e decidiu prestar-lhe uma derradeira homenagem. Mandou construir uma nova cidade a que deu o nome de Bucéfala e que se julga ser a velha cidade histórica de Jalalpur, no actual Paquistão. Depois, partiu montado num cavalo que um soldado, outro filho da Tessália, lhe emprestou e que o levou de retorno à fabulosa cidade de Babilónia. Ali, chegou já adoentado e, ao subir as escadas por onde muitas vezes passara Nabuco, junto com o Ventor, dsse-lhe: "Ventor, agora que fiquei sem o Bucéfalo, o meu velho companheiro de armas, fiquei também com o pressentimento que as minhas batalhas terminaram para sempre. Ele, e julgo que eu também, jamais voltaremos a ver as belas montanhas da Tessália e da Macedónia.

Sinto-me triste e sem forças e nem quero pensar em regressar sem levar o Bucéfalo comigo". E assim foi! Ainda ouviu, durante algum tempo, o som das rababas mas, sem o Bucéfalo nas cavalariças de Nabuco e enquanto ouvia os acordes das rababas ele caminhava em sonhos sobre a Tessália, sobre a sua Macedónia, montando o seu Bucéfalo mas, caminhando iluminado por Apolo, direito ao Senhor da Esfera.


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