segunda-feira, 7 de março de 2011

Carlos Martel

 Ventor 07.03.11

... preparando o reino dos francos.

Charles Martel (em francês) ou Carlos Martelo (em português), foi assim considerado um "Martelo" a bater na bigorna do Islão!

É disto que vos vai falar o Ventor. O Ventor costuma dizer que, misturando a história autêntica com as lendas que foram correndo nas bocas dos povos até dá para fazer umas brincadeiras. E o Ventor gosta de brincar com estas duas fontes. Gosta de me contar a história a brincar!

Carlos Martel, nasceu em Herstal (na Valónia, hoje Bélgica), no ano 688 e era filho de Pepino de Herstal, Prefeito do Palácio do reino da Australásia. O Prefeito do Palácio era assim chamado porque era o homem que governava (uma espécie de Primeiro Ministro). Segundo se rezava por aquelas bandas, os reis eram chamados de "Verbos de Encher".

Os Prefeitos dos Palácios eram os homens fortes dos reinos francos. Nessa altura existiam três reinos francos: o reino da Australásia, o reino da Nêustria e o reino de Borgonha (terra dos Burgúndios).

Pepino de Herstal, era o homem que (o Ventor julga que, quase de certeza), ocupou o lugar de Prefeito do Palácio, nos três reinos, ao mesmo tempo e tomou para si o título de Dux e Princeps Francorum. Tudo isto porque, as guerras intestinas entre os francos eram uma máquina trituradora sem limites. Nunca acabavam!

Pepino de Herstal faleceu em Jupille, na Bélgica, em 714, 3 anos depois da invasão sarracena à Península Ibérica que, como sabem, se deu em 711 e os visigodos foram derrotados na batalha de  Guadalete, terminando aí o reinado de Roderico ou Rodrigo e o Reino Visigótico de Toledo. O que vocês não sabem é que o Ventor, ao passar por Guadalete, num mês de Julho em que essa batalha fazia 1265 anos, ainda ouviu relinchar os cavalos do mouro Tariq e de Rodrigo.

Tudo isto para vos dizer que Carlos Martel apareceu no meio dos francos, onde a morte de seu pai o colocou, 3 anos depois de guerras intestinas, em 717, como Prefeito do Palácio do reino da Australásia (o Reino Franco do Oriente) e, quando para além das lutas intestinas dos francos, os sarracenos se iam apoderando em força de quase toda a Península Ibérica, ficando apenas, como tábua de salvação, um pequeno espaço - a parte montanhosa das Astúrias.

Carlos Martel tinha 26 anos quando seu pai morreu e foi governando os francos, e não só, como podia e, no meio de várias lutas, expandiu o seu domínio sobre os três reinos francos.

Uma estátua de Charles Martel

Batalha contra os Sarracenos 

Mas Carlos Martel sabia que o perigo contra a terra dos francos viria do Oeste e a ameaça seria dos sarracenos. O Emir de Córdoba preparou desde 721, 10 anos depois de entrarem na Espanha, a conquista da Aquitânia, governada pelo Duque Odo, o Grande. Para essa invasão vieram homens de todo o islão, desde Marrocos à Pérsia e, em 721, cercou Toulouse.

Odo, o Grande, sem forças para correr com os mouros, partiu em pedido de socorro e apareceu três meses depois, com forças suficientes para desbaratar o cerco dos sarracenos e libertar Toulouse que ficou a resistir ao cerco sarraceno durante esse tempo.

Enquanto isso, Carlos Martel preparava a organização de um exército permanente e para pagá-lo, iniciou a retoma das terras que havia oferecido à Igreja em troca de ajuda contra os seus inimigos internos. Por esta acção, Carlos Martel correu o risco de vir a ser excomungado mas, a igreja conteve-se, pois ter-se-á apercebido de que a causa defendida por Carlos Martel era uma causa justa e era levada a cabo em nome de Deus e da Cristandade.

E Carlos Martel tinha razão! Em 732, o Emir de Córdoba Abdul Rahaman Al Ghafiqi, lançou a invasão da Aquitânia com um exército poderoso do islão mas, desta vez, encontrou o exército de Carlos Martel pela frente. Carlos Martel escolheu o terreno para a batalha. Uma elevação arborizada para não permitir manobras eficazes à cavalaria sarracena com lanças de 6m, entre Poitiers e Tours (por isso essa batalha é conhecida por Batalha de Poitiers e, também, Batalha de Tours. Carlos Martel, tinha já uma cavalaria, mas uma cavalaria sem estribos. Por isso, contra uma cavalaria pesada dos Sarracenos, com lanças de 6 metros e uma cavalaria ligeira armada com arco e flecha, apercebeu-se que não tinha poder de manobra e decidiu que os francos iriam lutar apenas como infantaria, no meio das árvores. Segundo consta, até Odo, o Grande, se desmontou do cavalo e alinhou ao lado dos restantes homens.

No desencadear da luta, Carlos Martel matou Abdul Rahman e o exército sarraceno, ficou desorientado e não se entendeu para nomear um general para substituir o Emir e, diz o Ventor que, segundo alguns historiadores de que já não recorda o nome, foram os generais da Pérsia os primeiros a debandar, acabando por debandar tudo e, terá sido de tal forma, que Carlos Martel nem acreditava, levando algum tempo a convencer-se que a retirada tinha sido efectiva, pois ele julgava que os Sarracenos, tinham feito uma retirada fictícia (ou falsa), para chamar a infantaria de Carlos Martel a campo aberto e saltar-lhe para cima com todo o poder que dispunha ainda das cavalarias pesada e ligeira, destruindo-a. Carlos Martel só abandonou a elevação da sua vitória depois de ter confirmado que, afinal, os sarracenos retiraram em debandada geral.


A Batalha de Poitiers foi desencadeada num local, entre Poitiers e Tours, na Aquitânia, no ano de 732, entre as forças dos francos comandadas por Carlos Martel e os sarracenos vindos de vários locais do Islão e comandados por Abdul Rahaman Al Ghafiqi - Foto Wiki

Foi assim, a Batalha de Poitiers ou de Tours, se preferirem, uma grande vitória da Cristandade, mas ainda não foi desta que carlos Martel se viu livre dos Sarracenos porque, nos anos seguintes, eles voltaram à carga, desta vez pelo sul da França, invadindo a Provença por forças transportadas pelo mar e comandadas pelo filho de Abdul Rahaman. Os Sarracenos já estavam em algumas fortalezas do sul de França, na Provença e o filho de Abdul Rahaman baseando-se nesses apoios levou as força por mar e invadiu a França pelo sul, mas foram destroçados por Carlos Martel já com uma cavalaria pesada com estribos, mas que usava em falanges mistas de infantaria e cavalaria.

Carlos Martel com a ajuda do rei lombardo, Liutprando, defendeu as fortalezas da Provença e iniciou a reconquista de várias localidades como Montfrin, Avinhão, Arles e Aix-en-Provence. Nimes, Agde e Bèziers, que estavam em poder dos sarracenos desde 725, 7 anos antes de Poitiers, foram retomadas e destruídas as suas fortalezas. Deslocou-se rapidamente e destruiu um exército sarraceno em Arles e um exército local no rio Berre, em Narbonne, mas desistiu de retomar Narbonne que deixou cercada para ser retomada pelo seu filho mais tarde, o que só veio a acontecer 21 anos mais tarde, em 759, data em que, com a conquista de Narbonne, foram corridos da França todas as hostes sarracenas.

O Ventor, fala-me disto porque se recorda que, logo que um sarraceno chamado Ben Bella, se tornou presidente da Argélia, num discurso para parolos, ameaçou que, um dia, o mundo muçulmano vingaria Poitiers. A resposta mental do Ventor foi esta: "anda anda! Até lá eu vou investigar o terreno escolhido por Carlos Martel e serei um dos que estarei lá à tua espera"!

Para muitos historiadores e, até para o Ventor que não percebe nada disso, a Batalha de Poitiers, chama-lhe assim, tal como o Ben Bella, foi uma vitória fundamental para que a Europa não tivesse sido conquistada pelas hordas sarracenas. Levando na muche, os sarracenos amocharam e as suas investidas contra a Cristandade do Norte de Espanha, enfraqueceram, permitindo que os homens em redor da Covadonga se fossem movimentando com mais à-vontade contra os seus inimigos figadais - os mouros ... que ali, em Covadonga, tinham também sido derrotados, em 722, 10 anos antes de Poitiers.

O Ventor disse-me que, todas estas batalhas e movimentos dos Sarracenos dentro da Península Ibérica e a sua escalada a partir daí, rumo à Galia, só era possível devido a essas guerras terem por objectivo, primordial, o saque. Manter exércitos enormes em movimentos de catadupa, apenas só com os saques às populações, tornava isso possível. As tentativas da conquista da França, são o exemplo disso e algumas vezes os sarracenos colocavam o saque em sua posse, acima de tudo, fugindo com o saque, mesmo que tivessem de perder batalhas.


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Santiago de Compostela

 Ventor 10.02.11

O fim do caminho!

A História e a Lenda na miscelânea das minhas Caminhadas de Sonhos.

Já todos nós ouvimos falar nos Caminhos de Santiago. Já muitos de nós andamos por alguns dos caminhos que levam milhares de romeiros até Santiago de Compostela. De carro ou a pé, já muitos de nós circulamos por caminhos que, há mais de mil anos nos dizem ser os Caminhos de Santiago, um dos discípulos de Cristo que segundo a lenda, caminhando nos seus próprios caminhos, chegou até à Galiza. 


 O túmulo de Santiago, na sua Catedral, em Santiago de Compostela - foto wiki

Santiago é o Santo de Grandes Batalhas!

Através da História e, já por séculos, nas grandes batalhas deste nosso mundo, se tem gritado por Santiago.

Por Santiago, em Portugal e na Espanha;

By S. James, no mundo dos ingleses;

Pour S. Jacques, em França e, assim por diante noutras nações.


A primitiva Planta da Catedral de Santiago de Compostela, no séc. XII - foto wiki

Conta a História ou a Lenda, ou as duas que, uma vez, quando o exército cristão estava prestes a ser absorvido pelo grande número dos sarracenos, nos tempos da libertação da Península Ibérica, Santiago, saído do Céu, montado no seu cavalo branco, começou a matar mouros. Por isso, passaram a chamar-lhe, também, Santiago Mata-Mouros. Matasse mouros ou não, a verdade é que ele é o patrono de muitos combatentes, quer no seu universo colectivo, quer no seu universo individual. E a lenda reza assim:

 - em 844 D.C., deu-se a batalha de Clavijo, em La Rioja que, segundo reza a lenda, Ramiro I das Astúrias, havia resolvido não pagar tributo aos emires árabes, especialmente, o tributo das 100 donzelas. Naquela discussão de "pagas", do lado dos árabes e de "não pagamos", do lado dos cristãos, Ramiro I preparou um exército e marchou contra o, então, "emir cordobés", Abderramão II e, ao chegar junto das localidades de Albelda e Najera, viram-se cercados por um poderoso exército sarraceno e, Ramiro I, com o seu exército, tiveram de se refugiar no castelo de Clavijo. Ali, enquanto dormia, Ramiro I, teve um sonho e, nesse sonho, apareceu-lhe Santiago a incentivá-lo a ir a batalha que também estaria a seu lado. Perante isso, Ramiro I decidiu enfrentar os mouros. No dia seguinte, logo que começou a batalha, apareceu, vindo do Céu, montado no seu cavalo branco, de espada em riste, o Apóstolo Santiago e, a partir daí, ficou conhecido como Santiago Mata-Mouros. Venceram esta batalha e dizem as lendas que Santiago participou em várias batalhas na Reconquista Cristã da Península Ibérica.

Não é por acaso que, segundo dizem os especialistas, Santiago de Compostela é considerado o 3º maior Centro Católico da Cristandade, logo a seguir aos dois maiores - Jerusalém e Roma.

Não sei se é, nem sei se durante os meus tempos de soldado de Portugal, alguma vez me lembrei de Santiago. Se não me lembrei dele, peço-lhe desculpa, pois já lhe agradeci, frente à sua porta, em Compostela, o facto de me ter ajudado sem que eu lhe tenha pedido. Por isso, acredito que ele saiba velar por quem lhe quer bem!

Um dia, quase à hora do sol se pôr, estive frente a frente com Santiago. Ele dentro e eu fora da sua grande Catedral.

Já tenho pensado se o cavalo com que tanto tenho sonhado, o Antar, não será o cavalo de Santiago, emprestado nos momentos de meus sonhos de aflição.


O Romeiro e o Ventor 

O meu amigo romeiro, um dos peregrinos caminhantes pelos caminhos de Santiago, descansando num banco, frente à Catedral de Burgos. Ali, numa tarde de Julho de 2007,  conversamos sobre os vários trajectos utilizados. Este caminho de Santiago, recebe os franceses que entram pelo desfiladeiro de Roncesvales, vindos de vários pontos da Europa e da França e outros que vindos de outros pontos, como Itália, vêm pelo sul de França e passam por Toulouse, Oleron, Jaca e encontram-se com os que vêm de Roncesvales, entre Pamplona e Puente La Reina, seguindo juntos por Puente la Reina, Logroño, Burgos, Leão, Astorga, Ponferrada e Santiago - o fim do caminho

Quando passo pelos Caminhos de Santiago, aquele símbolo que nos aparece no cimo do marco, a tal concha que dizem ter a forma de uma vieira, a mim mais me parece serem os raios do meu amigo Apolo que, certamente, os peregrinos desejarão ter por companhia, pois acredito que, tal como eu, a companhia de Apolo é sempre desejável e poderemos aprender a aproveitar as frescas.

Mas os Caminhos de Santiago que serão, certamente, caminhos de gente de bem, também serão caminhos de gente do mal. Gente de todos os tipos.

Sabemos que, pelos caminhos da Rota da Prata  (era uma estrada romana que levava a prata do Norte de Espanha para o sul, e prolongava-se de Astorga a Cádiz), caminham de sul para norte, desde Sevilha e da região da Andaluzia muitos romeiros que são fiéis devotos de Santiago mas, sabemos também que, pelos mesmos caminhos, fizeram grandes caminhadas os mouros de Almansor e que, pelo caminho, só tinham por "devoção" levar a morte e a destruição, às terras cristãs da Península Ibérica. Assim, pelo caminho, foram pilhando, destruindo e matando localidades e gentes. Sobre o ódio de Almansor, foram destruídas muitas localidades como Coimbra, Salamanca, Astorga, Zamora, Lugo, Santiago de Compostela e outras, ... Em Santiago de Compostela, Almansor, em 997, destruiu a cidade e o Templo Romano que albergava o túmulo de Santiago e, embora respeitando o seu túmulo, obrigou os prisioneiros cristãos a transportar os sinos de Santiago pela mesma via da Rota da Prata, até Córdoba.


Aqui, um dos muitos marcos, pilares de orientação dos romeiros nas suas caminhadas pelos célebres caminhos de Santiago que se vêm por várias estradas de Espanha, Portugal, França ... Este, foi encontrado próximo de Astorga, quando, em 2007, caminhávamos de León para Astorga, vindos de outras "romarias" e, pelos mesmos ou outros caminhos de Santiago que, acredito, terá observado ao lado do Ventor, o que as mãos de Deus têm feito nessa outra Catedral a que chamamos Picos da Europa, onde muitos de nós caminhamos e observamos, extasiados, belezas infinitas, talhadas pela obra prodigiosa da parceria, entre Deus, o Homem e a Natureza  

Porém, neste mundo, cá se fazem, cá se pagam. Em 1236, 239 anos depois da destruição de Santiago de Compostela, nessa guerra de dá e leva chamada de Reconquista Cristã, o exército de Fernando II de Leão e Castela, avançou sobre Córdoba que conquistou e, de imediato, lembrou-se de obrigar os prisioneiros mouros a regressar, na mesma Rota da Prata, com os sinos que 239 anos antes tinham retirado do Templo Romano de Compostela.

Além desse romeiro de Burgos, conheço apenas um romeiro pedestre que tentou fazer uma caminhada num dos caminhos de Santiago. Ele e mais três companheiros dessa caminhada, saíram da Senhora da Peneda, a pé, rumo a Santiago de Compostela mas, por azar ou incúria, nunca lá chegaram de "pata no chão"! Ficaram a alguns quilómetros.

Eu nunca compraria uns ténis novos ou umas botas novas para iniciar tão grande caminhada. Recordar-me-ia logo das bolhas. Nunca como uns ténis ou botas habituados ao massacre ou, então, valeria mais usar o "par de botas" de outros caminhantes, batidos por trilhos bem mais duros que os dos Caminhos de Santiago.

Mas, também me apetece recordar um puto que esteve em Santiago de Compostela, quando da visita de Marcelo Caetano, em 1970 (?), creio. Juntamo-nos numa esplanada, na Costa da Caparica e, aí, nos falou da sua caminhada por Santiago de Compostela. Mas, quando nos falava dos discursos de Marcelo Caetano, então Primeiro Ministro português, e de outros, rematou: "eles falavam, mas eu só ouvia as pedras da Catedral. Nem imaginam como aquelas pedras falavam comigo"!


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sábado, 29 de janeiro de 2011

Akhenaton, Aton e Aketaton


Akhenaton, foi o 10º Faraó da XVIII Dinastia, egípcia e governou por cerca de 18 anos.

Conta-nos a História que foi Akhenaton que instituiu o monoteísmo (Moisés, com Jeová ou Javé, aparece cerca de 100 anos depois) e o Ventor falou-me desta façanha do Faraó Akhenaton, mas antes, digo-vos porque o Ventor me conta, também, certas coisas sobre o Egipto Antigo e o Egipto Moderno.


Entre Mênfis e Tebas, foi mandada construir por Akhenaton, a bela cidade de Akhetaton, que albergava o grande Templo de Aton de tectos abertos para que os seus raios o iluminassem

O Ventor conta-me tudo que, depois, eu coloco nas suas "Caminhadas de Sonhos" do  seu passado, mas também me conta do presente. Quando o Ventor regressou de Moçambique, em 1970, conheceu duas pessoas, ainda da família de sua mãe, uma prima chamada Rosa Martins (filha do ti Joaquim Martins, um tio avô do Ventor) e o marido que gostavam de fazer uns cruzeiros pelo mar Mediterrâneo e entre eles, pelo Nilo do Egipto. Foram eles que, enquanto pessoas activas nas caminhadas turísticas da época, lhe falavam das belezas do Mediterrâneo, do Egipto e especialmente, do Nilo e das suas cidades históricas situadas nas suas margens, como Alexandria no Delta, Mênfis, Karnak, Tell el-Amarna, Tebas, Abu Simbel, Assuão (tinha a barragem de Assuão acabado de ser construída), quatro meses depois de o Ventor ter chegado de Moçambique e que desde 1962, o Ventor acompanhou através de revistas, jornais e televisão, a preocupação da Unesco em salvar os 14 (?) monumentos do Vale dos Reis.

Desde meados de 70 a 74 (cerca de quatro anos), o Ventor devorou tudo que era História Antiga para, ter no seu disco rígido, arquivos suficientes para falar com as pessoas, a mesma linguagem das alegrias das suas visitas, pelos portos italianos do Mar Mediterrâneo, do mar Egeu, das costas turcas (como Antália) e da grande auto-estrada do Egipto, o rio Nilo. Foi nessa época, e posteriormente, que o Ventor começou a ouvir relatadas por terceiros, extra-livros, as grandes façanhas egípcias, gregas, italianas, turcas, ... Nessa altura, o complemento do trabalho do Ventor, era virar bibliotecas inteiras, especialmente, o Centro Cultural Americano. A História Universal do Liceu, era pouco e tinha de ir mais além, como dizem os algarvios. E, então, prosseguiu:

«Nesses tempos, Quico, andava eu a caminhar nas margens do Nilo e encontrei um indivíduo dormindo à sombra de uma palmeira. Ia tocar na sandália dele, com a minha, para o acordar mas ele dormia tão bem que prendi o Antar num arbusto, ao lado da palmeira e sentei-me numa pedra junto desse homem que dormia. A seu lado, ele tinha uma cestinha com tâmaras e eu, com fome e sede, pensei tirar uma, mas desisti. Achei que seria melhor esperar que fosse ele a oferecer-ma.

De repete, o homem começou a sonhar e a debater-se com um pesadelo. Acordou, levantou-se e ficou a olhar o seu Aton (o nosso amigo Apolo), a espreitá-lo por entre a ramagem da palmeira. A luz era tão intensa que ele fechou os olhos. Levantou-se e dirigiu-se para junto das águas do Nilo que, naquele sítio, se mostrava muito sereno. O homem ficou a observar a água e, daquele espelho liso, apresentavam-se, brilhando, os raios luminosos de Aton (o nosso Apolo) e o homem não mais retirava os olhos do rio. O Ventor pensou que ele estaria a observar um crocodilo, levantou-se, aproximou-se da água e, o tal homem, ficou com o Ventor junto aos raios de Apolo, também espelhado na água serena do rio.


Era Aton, cujos templos não eram cobertos por tectos, que iluminava, dentro e fora dos seus templos, todos aqueles que o adoravam, como Deus supremo, no território egípcio

O homem assustou-se e, de repente, levantou-se e ficou de pé, muito sério, frente a frente com o Ventor.

O Ventor perguntou-lhe  se estava bem e que estava ele a ver na água. O homem rodou a cabeça, observou o Antar e o arco do Ventor encostado à palmeira, apercebendo-se que, da parte do Ventor, não haveria qualquer perigo.

De repente, passou sobre nós um falcão e, aquele homem, franziu o sobrolho, olhou o céu azul e disse: "gosto muito de ti como um animal, companheiro das caminhadas de todos os egípcios e de todos os homens do nosso Planeta Azul e não te vou cortar as asas mas, pelo menos, enquanto eu for vivo, não partilharás mais os espaços dos nossos Templos. Apenas Aton, terá a sua presença!

O Ventor ouviu o tal homem e este, voltando-se para o Ventor, disse: "e você, vem de onde? Anda à caça? Estou a ver o seu cavalo preso nos arbustos e o seu arco encostado ao caule da palmeira onde eu dormia. Pertence às gentes dos mares? Como chegou aqui"? O Ventor respondeu-lhe: "cheguei aqui montado no Antar, o meu cavalo e venho desde as nascentes do Nilo, sempre acompanhando o rio. Encontrei-o a dormir e resolvi esperar que acordasse. O Nilo aqui é sereno e a frescura da palmeira é amena. Quase peguei uma das suas tâmaras mas fiquei à espera que acordasse. Conte-me o que se passou com a água do Nilo"?


O Arco do Ventor era poderoso porque lhe foi oferecido pelo seu amigo Apolo e por isso, saía vitorioso, nas guerras como nas caçadas ao lado de Diana, artemisa ou, ...

"Sente-se aqui comigo" - disse o homem - "vá pegando em tâmaras e comendo"! E prosseguiu:

"Tive um sonho e acordei espavorido! Aton mandou-me dirigir à água do Nilo e mal lá cheguei, ele espelhou os seus raios de uma maneira diferente e pediu-me para lhe fazer um Templo, sempre sorrindo! Pediu-me também para contar a minha história ao Ventor, mas eu desconheço o Ventor e nem sei como procurá-lo"!

O Ventor sorriu e disse-lhe: «o Ventor sou eu! Já me está a contar a história do seu sonho»!

O homem prostrou-se junto à palmeira, levantou os braços, olhou o disco solar e disse: "louvado seja Aton"! Levantou-se, virou-se para o Ventor e disse: "eu sou Akhenaton, Faraó do Egipto"!

De repente, correndo de norte para sul, junto às águas do Nilo, apareceu uma mulher formosa espantada com o que tinha visto para trás. Akhenaton, virou-se para o Ventor e disse, que aquela mulher era Nefritite, sua esposa.

A mulher gritava que o falcão tinha feito vários voos sobre ela, em circo e que lhe dissera que Akhenaton estava a perder o juízo porque não o queria mais nos templos egípcios. Depois, virou-se para o Ventor, observou-o e, rodando a cabeça sobre aquele pescoço esbelto para Akhenaton, perguntou: "quem é este homem, Akhenaton"?

Akhenaton, explicou tudo a Nefritite. O seu sonho, o reflexo de Aton nas águas do Nilo, a presença do Ventor no meio dos seus raios e disse: "estava a pensar pedir ajuda ao Ventor para impor aos egípcios, uma religião monoteista onde apenas Aton permaneça em todos os Templos egípcios. Aton é o único Deus. Ele dá-nos tudo! A luz, as belezas verdes com que alimenta todos os animais e nós, a água que nos mata a sede, o saber, ... tudo!


Nefritite, tal como os guardas de Akhenaton, ficou surpreendida por encontrar o Ventor conversando com o Faraó mas, a sua beleza e simpatia irradiava a luz que Aton lhe transmitia 

Nefritite, estendeu um braço com uma cestinha que tinha junto da cesta de tâmaras com uns bolinhos feitos com farinha do belo trigo egípcio regado com as águas do Nilo e disse: "coma, Ventor"!

O Ventor comeu um desses bolinhos, serviu um ao Antar e Nefritite arrumou as coisas que o Ventor ajudou a transportar, cabendo-lhe a cestinha de tâmaras. Por trás de um morro de arbustos e algumas palmeiras, estavam os homens que guardavam o Faraó que ficaram admirados com a presença do Ventor que chegara com o cavalo, junto do Faraó, sem eles se aperceberem. O Faraó estava tão absorto com o sonho sobre Aton que nem se apercebera da ineficácia dos seus guardas. O Faraó e Nefritite chegaram junto de uma tenda de peles de camelo e ... Akhenaton, olhou em redor, voltou a observar Aton brilhando, curvou-se agradecendo-lhe por aquele dia e já Aton começava a descer sobre as dunas que estavam para lá da margem ocidental do Nilo. Voltou-se para o Ventor e disse:

"Ventor, Aton disse-me, no meu sonho que era aqui que devia mandar construir a sua cidade e o seu Templo. Vai chamar-se Akhetaton(o Horizonte de Aton).

Depois, mandou traçar no chão uns riscos com uma orientação este-oeste, o sentido da caminhada de Aton (ou nosso amigo Apolo). Após a instituição do culto a Aton, Akhenaton, mandou destruir os templos de outros deuses (uns quantos, diz o Ventor), retirou a capital de Tebas (onde era adorado Amon) para Akhetaton onde passou a ser adorado Aton, ficando Akhenaton como Faraó e sumo-sacerdote de todo o Egipto.

Disse-me o Ventor que esse sonho de Akhenaton, orientado por Aton, teve origem em curto-circuitos cerebrais, originados por discórdias e lutas intestinas pelo poder, pois quem dominava, de facto, eram os sacerdotes, senhores dos Templos, especialmente em Tebas, com o deus Amon.

Por isso, a cidade de Akhetaton, foi construída a mando de Aton, devido a um sonho. Mais tarde e bem mais perto do nosso tempo, os árabes, passaram a chamar a essa cidade - Tell el-Amarna. Tal como a conhecemos hoje.

O resto, eu acho que já vocês sabem.


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