quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Catarina de Bragança

 Ventor 28.09.11

Há dias, caminhava eu numa moderna zona de Lisboa, para tentar observar, mais de perto, os meus amigos flamingos, por ali, junto à ponde Vasco da Gama. Seguia rumo aos lados de Moscavide mas, saiu-me ao caminho, vestida à moda do séc. XVII, aquela que foi filha de D. João IV, Infanta de Portugal, Princesa das Beiras, Rainha consorte da Inglaterra e da Escócia, enfim, de todo o Império Britânico de então.

Levou com ela, para entregar à coroa de Carlos II de Inglaterra, uns milhões de trocos, creio que cruzados (dois milhões?) mas, com ela foram também duas belas jóias da Coroa Portuguesa: Tânger, no Norte de África e Bombaim, uma ilha na costa ocidental do Decão, na Índia, com o seu belo porto e cidade que já teve, posteriormente, o nome de Bombay e, actualmente, Mumbay.


Eu e Catarina de Bragança, num diálogo, sobre a sua história, numa bela manhã dos últimos dias de verão de 2011

Mas, negócios são negócios e, no passado, se calhar como hoje, muitos casamentos não passam de negócios, nem que sejam só negócios de trapinhos. Claro que não foi o meu caso. Não houve intromissão de negócios e foi para valer.

Mas a Princesa de Portugal, não terá sido tão feliz como Rainha consorte de Inglaterra. Ela teve de entrar nos negócios de seu pai, D. João IV, negócios que tinham como objectivo, sempre, a ajuda externa na guerra contra os Filipes de Espanha, no seu caso Filipe IV.

Esta nossa Princesa das Beiras, esteve várias vezes sobre a mesa, para negociações, sempre em nome de Portugal!

Catarina, ainda não tinha 8 anos e já era moeda de troca nas negociações portuguesas. Primeiro com D. João de Áustria (filho bastardo de Filipe IV), depois com o duque de Beaufort, neto bastardo de Henrique IV de França, mais tarde com Luis XIV de França, com negociações entre a Coroa Portuguesa e esse abade cardeal a que chamaram Mazarino que, segundo os relatos, traiu as negociações com Portugal fazendo as pazes com os espanhóis nas costas dos portugueses.

Os cardeais ministros da França, como Richilieu e Mazarino, tal como na ficção de Alexandre Dumas, foram sempre uns traidores à própria França como não haveria de ser Mazarino traidor às negociações com Portugal, se ele se estava nas tintas para a Coroa Portuguesa como estava para a própria Coroa Francesa! A eles só interessava o seu próprio poder.

Mas enfim! Lá veio o negócio com a Inglaterra por interesses vários, de Portugal e da Inglaterra, lá foi a nossa princesa entregue a Carlos II um baldebino das ruas escuras de Londres. A nossa princesa, sofreu na terra dos nevoeiros, onde os (... ingleses), não gostavam dela por ser católica e, calculo eu, não seria uma vida interessante a da Princesa das Beiras, longe do seu chão alentejano de Vila Viçosa.

Sofreu, concerteza, e apenas os americanos lhe revelaram uma certa estima que até deram o nome de Queens, em sua honra, a um bairro da cidade de Nova Iorque.


Catarina de Bragança, no Parque das Nações, Junto à Ponte Vasco da Gama

Mas Catarina veio morrer à terra da felicidade, uma terra de sol e de flores e onde podia gritar alto: "eu também sou filha do sol, Ventor"! Catarina de Bragança enviuvou, em 1685, e manteve-se em Inglaterra até 1692, ano em que embarcou para Lisboa, onde veio a morrer em 1705, vindo assim, a desfrutar do sol português, durante mais 13 anos.

Sempre que passo ali, a alma de Catarina, naquela sua figura de metal, diz-me sempre como Portugal podia ser um paíz tão feliz e como agradece por os portugueses se terem lembrado da sua existência, no passado, como filha de Portugal.

Deixo, aqui, este texto, apenas para servir de rastilho àqueles que gostam de história e se recordam desta Princesa de Portugal, Rainha de Inglaterra, como foi rica a história do seu tempo, onde estivemos envolvidos, com os espanhóis, numa guerra de 28 anos, a Guerra da Restauração de Portugal como Pátria independente e como esta Princesa de Portugal serviu de moeda de troca para servir os interesses entre Portugal e a Inglaterra.


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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Invasão Árabe da Península Ibérica

 Ventor 15.09.11

Como o Quico continuava a escrever as suas histórias, depois de o Ventor lhas contar. Elas andam por aqui nas nossas catacumbas e agora é o Ventor que, tal como o Quico lhe pediu, as publica.

A Península Ibérica foi, durante séculos, milénios, um centro de encruzilhadas de vários povos. Por aqui, caminharam gentes de todos os pontos da Europa, também elas assoladas noutras encruzilhadas de povos vindos do Continente Asiático, tal como já tinham caminhado os Fenícios, os Gregos, os Cartagineses, os Romanos e, mais tarde, as grandes invasões de povos vindos do centro da Europa, empurrados por outros vindos mais de leste.

Durante algum tempo, depois dos visigodos terem expulsado os vândalos fazendo-os atravessar o Estreito de Gibraltar para o norte de África coexistiram dois reinos na Península Ibérica. O Reino Visigótico e o Reino Suevo.

Mas, por disputas várias, religiosas, políticas, domínios territoriais, em 585, os visigodos conquistaram o reino dos Suevos e unificaram politicamente a Península Ibérica, que durou até à invasão árabe, em 711.


O mapa da migração visigótica

A crónica do rei Roderico ou Rodrigo

Como vieram os muçulmanos, árabes, sarracenos ou berberes, parar à Península Ibérica?

A monarquia visigoda era electiva - os seus reis eram eleitos pelas Cortes.

Com a morte do rei Vitisa, em 710, reuniram-se as cortes para eleger o seu sucessor.

Constituíram-se duas facções; o grupo de Agila II e o grupo de Rodrigo, o último rei visigodo da Península Ibérica.

Os partidários de Agila, derrotados nas eleições, solicitaram apoios ao Governador muçulmano do Norte de África - Tarique Ibn-Ziad que anuiu a ajudá-los, atravessando o estreito de Gibraltar e assentou arraias na zona de Algeciras.

Tarique Ibn-Ziad 

Maomé, subindo ao céu

Foi a religião muçulmana a chave dos avanços muçulmanos na conquista de mundos. Eles, vindos desde a Síria, Iémen, Iraque, ... e por diante, acompanhados por berberes, transportavam o Corão numa mão e a espada na outra

A partir daqui, diz o Ventor que foi preciso definir vários timings sobre a invasão e ocupação da Península Ibérica pelos sarracenos. Há historiadores que dividem a estadia dos muçulmanos, na Península Ibérica, desde a invasão, em 711, com a sua vitória na Batalha de Guadalete e a sua derrota final, e queda do Reino de Granada, em 1492, em três períodos.

1º Período muçulmano, na Península Ibérica, a que eles passaram a chamar de Al-Andaluz, desenvolve-se desde a Batalha de Guadalete, em 711 que terminou com o reino Visigótico de Toledo, até 756, e é considerado um período de conquista e domínio de quase toda a Península, com excepção da zona montanhosa das Astúrias-Cantábria, onde os cristãos iniciaram a sua resistência contra o domínio muçulmano, estabelecendo a sua base em redor de Cangas Donis.

Nesse período da invasão e conquista, entre 711-756, os muçulmanos estabeleceram um emirato, dependente do Califado de Damasco.

Existiu um 2º Período, iniciado por Abderramão I, entre 756-1031, com o estabelecimento de um emirato independente do Califado de Damasco e o estabelecimento da sua capital, em Córdoba.

Em 929, Abderramão III, estabeleceu o Califado de Córdoba, independente.

Este foi um período de grande desenvolvimento do mundo muçulmano, na Al-Andaluz.

O 3º Período dos muçulmanos na península Ibérica ou Al-Andaluz, desenvolve-se entre 1031 e 1492. Este período, subdeivide-se em seis subperíodos, assim discriminados:


1º subperíodo de 1031 a 1085: o 1º tempo dos reinos de Taifas;

2º subperíodo de 1085 a 1144: o tempo dos Almorávidas;

3º subperíodo de 1144 a 1172: 2º tempo dos reinos de Taifas;

4º subperíodo de 1172 a 1212: o tempo dos Almóadas;

5º subperíodo de 1212 a 1238: 3º tempo dos reinos de Taifas;

6º subperíodo de 1238 a 1492: A Dinastia Nasrida do Reino de Granada;

A partir daqui, se o Ventor me ajudar, o vosso amigo Quico, continuará a descrever-vos, as partes mais importantes da ocupação muçulmana desta bela região da Europa a que nós chamamos Península Ibérica e os árabes, chamaram Al-Andaluz.


Mas, na sua caminhada de quase 800 anos, mais precisamente, 781 anos depois, tudo acabou aqui! No Alhambra, na cidade de Granada, em 1492. Coube em sorte, aos Reis Católicos de Espanha, Fernando de Aragão e Isabel, de Castela, a Católica, negociar com Boabdil, o abandono do Alhambra, retirando-se para terras alpujarrenses, encimadas pelo castelo de Alpujarra. Porém, em Novembro do ano seguinte, Boabdil, acabou por negociar a sua retirada para além do Estreito de Gibraltar, de onde os seus antepassados tinham vindo.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Bruges e Teresa, Matilde, Matilda ou Mahaut

 Ventor 12.09.11

Todos esses nomes se referem à cidade de Bruges e à mesma pessoa!

Mas, para nós, os portugueses, ela, tal como sua avó, chamava-se Teresa ou, como então se dizia, Tarasia - Tarasia de Portugal.

A D. Tarasia de Portugal, nasceu em 1157 e terá morrido em 1216 ou 1218 (são duas datas referenciadas para a sua morte), na queda de um cavalo, na Flandres. Era filha de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda de Sabóia, sua esposa.


 D. Afonso Henriques, Rei de Portugal

Teresa, Princesa de Portugal, foi aquilo que se poderá chamar, uma bela enfermeira, para seu pai, depois dele ter partido uma perna no cerco de Badajoz. Um dia, passou por Portugal, um Filipe, Conde da Flandres, rumo à Palestina e, julga-se que terá tido a sua paixoneta por Tarasia (então com 27 anos), uma bela princesa, filha de Portugal e de Sabóia, de D. Afonso I, de Portugal e de D. Mafalda de Sabóia.

Mais tarde, pediu, a D. Afonso Henriques, a mão da sua filha Teresa (agora com 33 anos) e, como Filipe conde da Flandres, filho do Duque da Alsácia, de nome Thiérry, era um dos poderosos da Europa de então, D. Afonso, acedeu à pretensão de Filipe que, cerca de 6 anos depois de a conhecer, de regressar da Palestina, de ter ficado viúvo e de ter o consentimento de D. Afonso, enviou uma "esquadra" composta por naus e bem recheada de senhores e cavaleiros, para transportar a princesa para a Flandres. A princesa terá sido bem apetrechada por D. Afonso Henriques, com um dote digno de uma princesa de Portugal. Porém, os piratas normandos estavam muito activos e tentaram assaltar a armada flamenga mas, não tiveram sorte porque Filipe, que dormia pouco, apanhou os piratas normandos e enforcou-os, todos, na costa.

O casamento realizou-se, na catedral de Bruges, em Agosto de 1184. Filipe dotou a sua noiva com várias terras e povoações, entre elas, Bruges e Gand, duas belas cidades da Flandres de então e creio que ainda hoje.


 Brasão de Armas de Bruges, na Flandres

Porém, Filipe, contraiu a peste em Jerusalém e morreu em 1191, sem deixar herdeiros. Três anos depois, a viúva condessa da Flandres, a tal Tarasia, Matilde ou Mahaut, voltou a casar com o então Duque da Borgonha, Eudo III (ou Odo III), seu primo e, para azar dos dois, também não tiveram filhos. Obteve de Roma, do Papado, claro, a autorização para anulação do casamento, devido à consanguinidade (?).

Tarasia, Teresa, Matilde ou Mahaut, regressou à Flandres onde continuou a sua actividade em defesa do seu Condado, chegando, segundo se diz, por aí, a comandar as suas tropas. Se foi ou não, não sei, foi numa altura que eu, Ventor, caminhava por outras galácticas e não posso confirmar mas, que ela tinha a fibra do pai, não tenho dúvidas.

Não é por acaso que, deixou tal fama às gentes de Bruges, revelada na Paz e na Guerra que, ainda hoje, centenas de anos depois, aparece sempre a cavalo, num estandarte, com o brasão e as quinas de Portugal, a nobre figura da Condessa Mahaut! Isto, durante a procissão do Santo Sangue de Cristo que se realiza, em Maio, todos os anos, na bela cidade de Bruges.


Uma flor chamada, Mahaut, pelos flamengos

Pelo que sabemos de ti Teresa, Tarasia, Matilde ou Mahaut, terás tido uma vida atribulada. Partiste do Porto, com os flamengos, nunca mais viste teu pai, o grande Afonso que faleceu no ano seguinte, terás chorado só, acompanhada apenas pelas brumas do Mar do Norte e tanto quanto creio, não mais voltaste a rever o solo pátrio. A tua Pátria era o sol, o nosso amigo Apolo que nos acompanha, sempre, enquanto pode. Um dia, ele fecha os olhos, nós levantamos o braço e dizemos adeus. Mas tu continuas viva, Condessa Mahaut!

Tal como os flamengos, estamos contigo, Condessa Mahaut!

Nota: os nomes, Matilde, Matilda, Mahaut, eram os nomes que os flamengos usavam para identificar a Princesa de Portugal, sua Condessa porque, não eram capazes de pronunciar o seu nome português, Tarasia. Por isso nos dizem que, no seu estandarte, utilizado na festa do Santo Sangue de Cristo, ela aparece como Condessa Mahaut, aquela a quem os flamengos chegaram a chamar rainha.


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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rolando Furioso

Seu nome era Rolando! E, seu condado era algures pela França.

A voz da sua Nação chamava-o pela boca de Carlos Magno.

Carlos Magno, numa pintura de Dürer - foto tirada da Wikipédia

Tudo isto se passou no tempo de Carlos Magno, o tal Rei Franco que foi nomeado Imperador pelo Papa Leão III e que deu origem ao Sacro Império, Romano Germânico, que pretendeu dar vida ao velho Império Romano do Ocidente - tudo pela fé cristã 

Segundo o que estava consignado nas mentes de todos aqueles que pisavam os salões da Corte de Carlos Magno, e por todos que com ele pugnavam, tais como os Doze Pares de França e outros, ... os mouros, sarracenos, maomés, ... eram um povo "maldito" pelos males que causavam à Cristandade e, especialmente, pelas pilhagens que desencadeavam em solo francês e pelas ameaças das suas hostes ao solo sagrado do que hoje é a França.

Os olifantes (uma espécie de corneta especial, uma espécie de clarim de então), seriam o som da chamada e, através deles, os franceses (então, francos) unir-se-iam para a peleja contra os infiéis sarracenos.

Temos de os conter para além dos Pirenéus! Para lá das Marcas de Espanha (isto em 778 DC).

O chão francês era sagrado para todos aqueles que rodeavam Carlos Magno e não podia nunca mais, voltar a ser conspurcado pelos maltrapilhos infiéis que vinham cheios de pó das auto-estradas de areia que compunham os desertos em redor do Atlas e muito para além deles. Por isso, os sarracenos deviam ser contidos para além dos Pirenéus (para os que estavam do lado francês, claro).

Mas as coisas não eram assim tão simples!

Em todos os exércitos do mundo há traidores e o Ventor não pode, nunca pôde com traidores. A cauda do exército de Carlos Magno, comandada por Rolando também foi traída pois o exército de Carlos Magno não era imune à traição.

Em França, como em todos os lados, há cobardes, há facínoras, há invejosos, há traidores! Rolando era uma espécie de Delfim Militar de Carlos Magno. Quando o som do seu olifante se fazia ouvir, em qualquer parte da França, pela Aquitânia, pela Gasconha, ... os franceses de então sabiam que o perigo estava iminente e atravessavam montes, rios e vales para tomar parte na peleja. Só era necessário saber onde, mas Rolando saberia!

Rolando, imponente na sua estátua, algures na Europa

Rolando está bem representado pelas estátuas que os alemães lhe levantaram por várias cidades relevando o seu nome, pelos seus feitos históricos nos tempos do Imperador comum à França, parte da Alemanha, Lombardia (Carlos Magno) e pela sua personagem representada nas literaturas europeias nos tempos primórdios da nação francesa e das suas canções de gesta 

A sua espada a Dorandal, cortava como quem corta presunto, os corpos dos seus inimigos e, quando Rolando e Carlos Magno chamavam, era porque a terra dos francos corria perigo. Portanto, todos deviam estar unidos em torno de Carlos Magno, de Rolando (do seu olifante), dos 12 Pares de França. Valia mais morrer a combater do que ser triturados, espezinhados, pelos satânicos que vinham do Magrebe e muito para além do Magrebe, até à Pérsia, como acontecia, como estava a acontecer, com os cristãos espanhóis.

Após violentos combates, pelas Marcas de Espanha e de conter os mouros em fronteiras bem delineadas, Carlos Magno retirou-se com o grosso das suas tropas para solo francês, deixando para trás um destacamento comandado por Rolando (20.000 homens?) para assegurar a rectaguarda da sua retirada.

Foi então que a inveja e a traição funcionaram.

Há várias versões da batalha em que morreu Rolando. Versões do local, versões dos inimigos, versões das hostes em confronto mas, todos sabemos que tinha de ser nos Pirenéus (um dos passes dos Pirenéus), contra os Vasconços, contra Vasconços e Muçulmanos, contra os Muçulmanos. Enfim! E todos sabemos que na origem da batalha terá estado a traição. Uma traição por cobiça ou inveja, por mil e uma razões mas, nem por isso, deixará de ser uma traição. Não vou falar por aqui, do nome do traidor. Pouco interessa! Se o Ventor caminhava por outros mundos e, quando chegou estava tudo feito, pouco interessa falar em nomes pois, ninguém sabe como foi e o que o Ventor soube com toda a certeza, é que todos começaram a tentar adivinhar o como e o porquê. Roncesvales? O Ventor julga que sim mas, sabe com toda a certeza que foi, na travessia dos Pirenéus, no regresso a casa, à sua Aquitânia, a França.

 

Imagina-se aqui Rolando a tocar o olifante

Não sei o que a cidade de Dubrovnik, ou esse país a que chamam Croácia terá a ver com Rolando. A verdade é que optei por colocar aqui esta foto Wiki, para recordar às pessoas que as literaturas dos países ou, literaturas mundiais, se preferirem, serão um bom exemplo para levar a efeito a chamada Globalização. Não creio que Rolando tenha, historicamente, feito algo pelo passado da Croácia, para merecer esta estátua mas, acredito que os croatas, tal como eu, recordarão Rolando pela literatura de sonhos que deu vida à sua personalidade. Acredito, também, que Rolando, se fosse do nosso tempo, também, tal como eu, não esqueceria, nunca, Dubrovnik  

Algures, em 15 de Agosto de 778, no desfiladeiro de Roncesvales, toda a rectaguarda do exército de Carlos Magno, comandada por Rolando, foi destroçada por milhares de inimigos que apareceram de todos os lados e fizeram com que rochedos fossem lançados das escarpas sobre o desfiladeiro, fazendo-as rolar e abater-se sobre a cavalaria francesa. Oliveiros, um companheiro de Rolando, pediu-lhe para tocar o seu olifante e, Rolando, entendeu que, ao tocá-lo, denunciava a cobardia de toda a rectaguarda francesa. Por fim, Rolando, já a morrer, tocou o seu olifante. Carlos Magno, ao ouvir o seu som, regressou em socorro dos seus cavaleiros. Como já nada podia fazer, investiu contra Saragoça, tomou a cidade, e veio a saber que o traidor, era um dos seus paladinos de nome Ganelão. Ganelão era Padrasto de Rolando, cunhado do rei e ficou com ódio a Rolando por ele propor o seu nome para embaixador na corte do rei Marcílio, de Saragoça.

Apenas Pinabel, amigo e campeão de Ganelão toma a sua defesa, afirmando que Ganelão traiu Rolando mas não traiu o Rei (maneira simples de ver a coisa), porém, outro cavaleiro, Thierry, desafia-o para um combate e venceu Pinabel. Então o Rei Carlos Magno, mandou executar Ganelão, sendo então preso pelos membros a quatro cavalos que o esquartejaram vivo.

Foi assim, em linhas gerais, o desfecho da investia franca contra os mouros na área a que chamaram as Marcas de Espanha. E ainda hoje, quem passa no desfiladeiro de Roncesvales, ao pensar naqueles mortos, parceiros de Carlos Magno, ouve o relinchar dos cavalos, o tilintar das espadas e o som estridente do olifantte de Rolando a chamar os seus companheiros da vanguarda que inverteram o sentido da marcha e voltaram à peleja. E, não esquecerá, também, os golpes estridentes da espada de Rolando, a sua Dorandal, contra a rocha, ao tentar quebrá-la para que os seus inimigos a não levassem. Após o caminhante ouvir o último golpe da Dorandal, já sem força, ouvirá também o frágil encosto da cabeça de Rolando contra a rocha, no momento em que tenta observar o Ocidente, para onde um dia, seus companheiros da França do futuro, continuariam a caminhar, como D. Raimundo e D. Henrique de Borgonha, entre muitos outros. Este poste, nada mais pretende que não seja recordar Rolando, Carlos Magno, as lutas desencadeadas nos profundos vales dos Pirenéus e pelas Marcas de Espanha e, não esquecer, as caminhadas da França e da Europa, pela sua história.


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quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Biblioteca de Alexandria

 Ventor 15.06.11

A nova Biblioteca de Alexandria foi uma obra de sonhadores modernos que, há mais de dois milénios, outros sonhadores tinham levado a cabo e, ainda outros, com o tempo, por vias enviesadas, foram destruindo através dos tempos, por vários motivos, normalmente guerras e tudo que lhe está associado.

Alexandria, no Egipto

Por isso, hoje, recordando Alexandria, volto a recordar Alexandre Magno e sobre o que nos deixou de herança - a Cultura Helenística

Foi ele que mandou edificar a “bela ninfa das águas” a que deram o nome de Alexandria, em sua honra, a pérola brilhante do Mediterrâneo que irradiou a sua cultura e herança para todo o mundo. Por isso, falando de Alexandre, tenho de falar de Alexandria e falando de Alexandria, tenho, sempre, de falar de Alexandre, o Grande.

Quando Alexandre observava o Delta do Nilo e as suas potencialidades, ia caminhando e imaginando como levar avante tudo o que sonhava para as gentes dos faraós, então submetidas ao império persa. As notícias militares que vinham dos lados persas não permitiram que Alexandre ficasse muito tempo pelos lados do Nilo, nem pela Alexandria dos seus sonhos. Ele sabia que Dario continuava com os seus Sátrapas, fugidos, a reorganizar um poderoso exército para enfrentar Alexandre, os seus macedónios e restantes gregos, mais uma vez, e expulsá-lo para bem longe daquilo que considerava as suas costas ocidentais e todos os seus domínios, como o Egipto.

O livro dos mortos, dos velhos faraós

Esta cidade, Alexandria, "a bela ninfa das águas", assim lhe chamaram com o tempo, foi grande e é ainda hoje a segunda maior cidade e principal porto do Egipto e foi construída pelo arquitecto grego, Dinocrates, em 332-331 AC ao lado de uma velha aldeia de pescadores egípcios, chamada Rhakotis, por ordens do meu amigo Alexandre, o Grande!

Alexandre era mesmo grande e, como já vos disse, no meu espírito, tive o privilégio de o conhecer, bem como de ter acompanhado todo o processo e maneira como esta cidade imortalizou o seu nome. Rapidamente floresceu e tornou-se numa metrópole cultural, intelectual, política e económica e essas evidências ainda hoje podemos notar, por estar encalhada entre o mar Mediterrâneo e o interland egípcio que, para além das duas actuais auto-estradas, tem ainda, como sempre teve, a grande via do Nilo, rumo ao interior.

Com o tempo, Alexandria tornou-se na capital renovada dos Ptolomeus, com numerosos monumentos como a sua famosa Grande Biblioteca e o grande Farol de Alexandria construído em 280 A.C., uma das sete maravilhas do mundo (segundo Antípatro de Sídon, poeta que as classificou, no mundo que então conhecia. Nessa altura, ele desconhecia outras potenciais maravilhas, como, por ex:, a muralha da China, entre outras). Esse Farol tinha uma grande importância, mais como ponto de referência da cultura mundial que, propriamente, como ponto de orientação dos barcos rumo a bom porto. Caminhando nos séculos gregos e romanos, nada do mundo antigo faltava a Alexandria, sobre a qual caminharam os potentados de várias civilizações, além dos gregos e romanos, que por lá deixarem colunas como a de Pompeu, estádios, templos, ... etç. 

Mais tarde, a influência grega foi substituida pelos romanos, e deu-se uma volta trágica com o aparecimento de Júlio César, Marco António e Octávio Augusto na vida dos egípcios e, especialmente, de Cleópatra, a co-rainha do Egipto, com seu irmão Ptolomeu.
Alexandria situa-se, desde os tempos de Alexandre Magno, no noroeste do Delta do Nilo e estende-se ao longo de uma estreita faixa de terra, entre o Mar Mediterrâneo e o Lago Mareotis. Está, actualmente, ligada ao Cairo pelas duas maiores auto-estradas egípcias e uma linha de caminho de ferro.
É uma das mais notáveis estâncias turísticas do Médio Oriente porque, por ali, os invernos são temperados e as sua praias, com areias brancas e magníficos cenários, expandem-se por cerca de 140 kms ao longo do Mar Mediterrâneo, desde Abu-Qir, no Leste, até Al-Alamein (alguém se lembra? Um nome inesquecível das batalhas da 2ª Guerra Mundial, no Norte de África, entre Romel e Montgomery) e Sidi Abdul Rahman, no oeste.

Após a morte de Alexandre, ninguém reclamou, oficialmente, o seu Império e todo aquele grande território se tornou num campo de lutas intestinas pelo poder e pelo seu domínio, acabando por ser espartilhado entre os seus vários generais. O Egipto, a velha terra dos faraós, foi entregue àquele que dizem ter sido o mais esperto deles todos – Ptolomeu.

Ptolomeu era Macedónio, por nascimento, mas testemunhou o nascimento de Alexandria e fez dela a capital cultural e intelectual do seu novo mundo, sem Alexandre. Ptolomeu governou o Egipto desde 323 a 304 AC (19 anos), e expandiu o seu reino incluindo nele, a Cirenaica (actual Líbia), a Palestina, Chipre e outras terras. Nos seus títulos reais incluiu o de King Soter ( Rei Sábio) e Faraó.
 

Ptolomeu conversa na velha biblioteca de Alexandria com os 72 sábios judeus que traduzem a bíblia para a biblioteca

Sob o Reino de Soter, caminhou-se, então, na idade de ouro de Alexandria, a nova Capital do Egipto. Houve uma dinastia de Ptolomeus até à nossa conhecida e famosa Cleóptra, a rainha linda (como reza a história), disputada, como uma jóia, por César e por Marco António.

Com o caminhar dos séculos, Alexandria, para além de centro de cultura, tornou-se num grande entreposto comercial, entre as várias civilizações do mediterrâneo e os egípcios. Mas as margens do Mediterrâneo, foram sempre áreas de disputas comerciais, culturais e religiosas e o Egipto não foi excepção. Por motivos bélicos e religiosos, além da ganância dos homens, a Biblioteca de Alexandria, foi pilhada e incendiada várias vezes, acabando por sumir por séculos.

 No interior da velha e moderna Biblioteca de Alexandria

Em 1974, começaram, alguns ilustres deste mundo moderno, a sonhar com a reconstrução, em termos modernos, de uma nova Biblioteca, em Alexandria, obra que foi levada a cabo, mais tarde, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e pelo estado egípcio e custou cerca de 200 milhões de dólares. Levou sete anos a construir e foi inaugurada em 2002 com cerca de 400.000 livros.

Foi também angariada uma biblioteca cibernética com um grande sistema de computadores que permitem ainda, acesso a outras famosas bibliotecas da actualidade. Estão ainda guardados nesta biblioteca, 10.000 livros raros, 100.000 manuscritos famosos, 300.000 títulos de publicações periódicas, 200.000 cassetes áudio e 50.000 vídeos.

Podem trabalhar, na nova Biblioteca de Alexandria, 3.500 investigadores, em 200 salas de estudo. Nas caves do edifício, há espaço para 8 milhões de volumes. Existem também espaços reservados para salas de conferências, salas de exposições, bibliotecas para cegos e um planetário, além de laboratórios, um museu de ciências e outro de caligrafia.

A principal sala de leitura tem 20.000 m2.

O objectivo deste post é espevitar alguém para estas curiosidades do nosso mundo que tantas vezes nos passam à margem.


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